segunda-feira, 12 de outubro de 2026

EICMA 2026 - Já falta menos de um mês!

 

 O EICMA - Esposizione Internacionale Ciclo Motociclo e Acessori – existente desde o longínquo ano de 1914 é, há muitos anos, uma espécie de Natal antecipado, para todos aqueles, que tal como eu, adoram motos.

A mim faz-me ter as mesmas sensações que tinha quando era miúdo, em que encostado com o nariz nas vitrines iluminadas por milhentas luzinhas brilhantes, ficava deslumbrado com todos aqueles maravilhoso brinquedos ali expostos, mas que sabia de antemão, que, na maioria dos casos, nunca os iria ter. 

É assim, para mim, o EICMA, uma enorme montra, cheia de novos brinquedos, que posso ver, quiçá, aqui ou ali, poder tocar ou até brincar alguns dias com eles, mas que na realidade não serão meus, por causa da minha crónica “falta de t€mpo”!

Só que, o EICMA  de 2026 poderá ser ainda mais importante, do que tem sido até aqui, não apenas por causa das habituais novidades apresentadas, mas porque poderá mostrar-nos uma coisa muito importante:

Será que, finalmente, vamos poder assistir, à resposta dos construtores já instalados no mercado, a esta invasão realizada por parte dos construtores chineses, os quais, como podemos ver, estão a ficar cada vez mais confortáveis, no espaço crescente que vão ocupando no mercado?

Sim, aqui não há dúvidas! Marcas como a CFMOTO, Voge, QJMotor, Zontes, Kove, Benda e outras marcas chinesas, estão a efetuar um ataque avassalador, apresentando motos cada vez mais sofisticadas, bonitas, bem equipadas e, sobretudo, com preços muito competitivos.

Ou seja, o tempo do "é chinesa, sim é barata mas não presta!", já começa a pertencer  ao passado, apesar da existência de algumas dúvidas em relação à fiabilidade destas motos, a longo prazo.

E depois existe agora umas novas questões sobre as quais ainda não existem respostas:

- Como é que conseguem vender esta moto, ou aquela scooter, por este ou aquele preço? Será  pura estratégia de marketing, apresentar, nesta primeira fase produtos a custo baixo, para surpreenderem, tanto os clientes, como as marcas rivais e mais tarde, efetuarem o devido reajustamento e então aí sim, pedirem o devido valor pelos produtos que vendem, de forma a terem lucro? Não era a primeira vez que via isto acontecer…

Ou então, será que, estes são mesmo os preços pelas quais comercializam os seus produtos, tanto no presente como no futuro e mesmo assim conseguem ter margens de lucro?

Ok, nós sabemos que por detrás de todas estas marcas está um patrocinador comum, um “midas” que investe de forma quase infinita, nesta invasão comercial que muito lhe interessa, e que se chama estado chinês, estando a acontecer exatamente o mesmo no mercado automóvel, em relação aos automóveis elétricos, os as marcas chinesas já se encontram confortavelmente instaladas e dominam. Os números não mentem e tal como no final da década de sessenta “A Toyota veio para ficar e fico mesmo!”, cada vez mais, tenho a impressão que as motos e carros chinesas vieram para ficar!

E é aqui que está o cerne principal de tudo, com a pergunta que vale tudo e mais um “par de botas”:

- Terão as marcas já instaladas - e até agora de forma muito confortável – no mercado, capacidade de resposta para este feroz “ataque” proveniente da China?

Vão fazê-lo? Quererão fazê-lo? Ou vão permanecer no estado de semi-hibernação em que têm estado nos últimos anos, onde, fora um modelo novo, aqui e acolá, as novidades basicamente resumiam-se a renovações de modelos já existentes, ou até simplesmente novas cores e decorações?

Ou será que vai ser no EICMA 2026, que iremos assistir a uma resposta capaz e “viril” daqueles que já se encontram no mercado há muitos anos?

Sabem aquelas relações que duram muito tempo, monótonas, aborrecidas, mas sobretudo fiáveis, e que de repente, pomos em causa, quando aparece aquela “brasa” que nos faz ficar de olhos em bico e que coloca em dúvida, todas aquelas certezas que tínhamos até ao momento? Pois… é o mesmo que esta acontecer nas motos, com a chegada destas lindas e muito atraentes chinesas!

E o que terão a dizer marcas como a Honda, Yamaha, Suzuki, Kawasaki, BMW, Ducati, Triumph, KTM, Aprilia e muitas outras?

Vão ter uma resposta à altura mostrando quem realmente manda no mercado?

Uma coisa eu sei: capacidade para isso não lhes falta!

No caso dos japoneses continuam a ter uma experiência gigantesca, motores excelentes e uma reputação construída durante décadas, sobretudo devida à elevada fiabilidade dos seus produtos.

Quanto aos europeus, estes possuem a tecnologia, o design (onde os italianos continuam a ser os mestres!), a tradição, construída através de muitos anos de história e, em muitos casos, uma personalidade única e inimitável.

No entanto, o problema principal, será sempre o mesmo: o preço!

E é aqui que o motociclista fica confuso, sobretudo os mais jovens e também os menos velhos, mais dados a tudo o que seja zingarelho eletrónico, pois irão sempre fazer a comparação entre uma moto chinesa equipada com uma quantidade absurda de equipamento e outra, a qual, apesar da assinatura consagrada que possa ter no depósito da moto e da segurança que isso poderá trazer, possui muito menos equipamento e na maioria das vezes, custa bastante mais!

E como todos nós sabemos, o dinheiro está cada vez mais caro e por isso, na maioria das vezes, o valor a pagar, acabam por estragar qualquer paixão. Quanto ao tipo de motos e pelo que temos visto até aqui – apesar das marcas chinesas já estarem a enveredar, cada vez mais, por outros segmentos – penso que as grandes batalhas, pelos menos nos tempos mais chegados, continuarão a acontecer na faixa das médias cilindradas, entre os 400 e os 900 cc.

Um dos grandes campos de batalha continuará a ser o das motos entre os 400 e os 900 cc. Sobretudo devido à sua polivalência, pois tanto servem par ao dia-a-dia, como para aquele passeio mais longo de fim de semana ou até mesmo aquela viagem de vários dias/semanas e milhares de quilómetros rodados.

E é precisamente neste tipo de máquinas, em que os chineses se aplicaram e se aplicaram, percebendo que é o tipo de moto que cada vez mais as pessoas querem, uma espécie de “pau para toda a obra”.

E neste momento também estamos a assistir a outro “ataque” vindo dos construtores chineses, e falo das scooters, não no caso das de pequena cilindrada, mas sobretudo, estamos a assistir à chegada de novas scooters, cada vez mais potentes e mais equipadas, zona onde as principais marcas que apostavam neste tipo de segmento, apostaram e que parece que se esqueceram.

Basta ver as scooter de cilindrada e potência mais elevada que desapareceram dos catálogos das marcas, para percebermos o desinteresse das marcas neste segmento.

Onde andam as maxiscooters? Burgman 650, Silver Wing 600? Fuoco 800? SRV 850, que eram tão do agrado de tanto motociclistas, sobretudo dos mais antigos, que não querendo deixar o mundo das motos, pretendiam motos mais fáceis de conduzir, mas que não os obrigasse a baixarem (muito) de cilindrada.

E veículos de duas rodas, movidos a… eletricidade? O que podemos esperar?

Sim, penso que aqui, também podemos esperar alguns novidades e que também poderemos assistir a um ataque, ainda que muito tímido, por parte dos fabricantes chineses, pois conhecimento na área é algo que não lhes falta, não sendo por acaso que dominam o mercado mundial de veículos de quatro rodas!

Assim sendo, como será o EICMA 2026?

Vamos continuar a assistir ao completo domínio da China, no que diz a novos modelos, cada vez mais atrativos e competitivos?

Ou iremos assistir ao contra-ataque furioso dos construtores europeus e japoneses, nada contentes com aquilo em que o mercado se está a transformar?

Só o ficaremos a saber a partir do dia 3 de novembro, quando as portas do EICMA 2026 se abrirem em exclusivo para a imprensa.

O público, poderá  ter acesso às novidades, a partir do dia 5 até ao dia 8 de novembro e sonhar, tal como eu sonhava, com o nariz encostado às montras de Natal…

Carlos Veiga (12/10/2026) 

 

Sem comentários:

Enviar um comentário