quarta-feira, 7 de outubro de 2026

GostodeScooters. como tudo começou!

Agora que o GostodeScooters, voltou a "bombar", nada como recordar como tudo começou, já lá vão 17 anos!

 06/09/2009

Pois, o meu grande problema era mesmo esse: como iniciar este blogue!

Sei que vou ter muito tempo para me apresentar, escrever e falar sobre scooters, pedir opiniões, ler outras opiniões, etc, etc...mas o dilema continua, como iniciar da melhor forma este blogue!?

Ora bem, como em principio no próximo fim-de-semana irei buscar a minha nova "amante", nada melhor, para começar este blogue, do que escrever sobre a minha "falecida" Sym GTS 250i.


Tudo começou quando andando a vadiar, como sempre na net, à procura de tudo o que é relacionado com motos, tomei conhecimento da existência da Sym GTS. Entra em site, sai de site, entra em fórum, sai de fórum, blogues, etc, etc, fui conhecendo a marca Sym  e ao mesmo tempo ia ficando apaixonado pela GTS 250i.

Uma das coisas que mais me irrita tanto nas motos como nos carros é o facto dos construtores seguirem as modas, ou tendências, ou seja vão todos uns atrás dos outros no que toca a design. Ora esse foi um dos motivos porque adorei a GTS 250i.

Aquela frente, com aquele olhar de ciclope, a luz de presença circular e em leds (tal como o farolim traseiro, também em leds), coadjuvada pelos médios e máximos, eram bem diferentes de todas as que circulavam por aí.

Outra coisa que me espantou foram as dezenas, senão centenas de comentários positivos que li sobre esta scooter, todos exaltando e enumerando as qualidades da Sym, tanto ao nível da qualidade de construção, como fiabilidade, equipamento, motor e economia, isto tudo ajudado por um preço de guerra!

Dei logo corda aos calcantes e comecei as minhas investigações por cá, tendo entretanto descoberto que a Sym era comercializada em Portugal, pela Veículos Casal, importadora da Suzuki. Nesta fase pensei eu, "ora se a Veículos Casal, importadora da Suzuki é quem importa a Sym, então é mais um sinal de que esta marca, conotada como made in Taiwan  e por isso metida no rol das "motos chinesas", não deve ser assim tão má. 

Entretanto surgiu outro problema: por ser uma marca nova em Portugal e apesar de ser comercializada nos concessionários Suzuki, a verdade é que nenhum dos stands tinham uma GTS 250i em exposição! 

Fui a vários, incluindo alguns dos mais afamados na zona de Lisboa e da GTS, nickles. Sim eles tinham algumas Sym, mas eram cinquentinhas e mesmo assim muito poucas. Ora como é possível quererem vender, se não tem motos em exposição? Isto é uma forma de vender motos que eu não percebo, mas abordarei este tema lá mais para a frente, noutro texto!      

Quando começava a pensar que nunca iria ver esta moto ao "vivo e a cores", eis que num belo dia e por acaso circulando no IC19, resolvi fazer um pequeno desvio até Paiões (Cacém) e visitar pela 1ª vez a JCG Motos, stand que conhecia das revistas da especialidade. 

E qual não foi o meu espanto quando entro no Stand e vejo lá ao fundo, assim meio escondida aquela que viria a ser a minha Scooter: a GTS 250i, Cinza metalizado escuro. 

Foi sem dúvida amor à primeira vista.!!!

Olhei, mirei, sentei-me, apalpei, cheirei e sim, é esta que vou comprar! E comprei. Entretanto aproveitei e comprei também uma Sym XS 125 da qual escreverei também aqui umas letras, mas mais á frente!

Crédito aprovado e ao fim de uma semanita (de dolorosa espera!) eis que vou buscar a Scooter!

E desde esse dia (25 de Agosto de 2008) até ao dia 2 de Fevereiro deste ano a GTS foi uma maravilha, transportando-me durante mais de 16 mil quilómetros, até até aquela fatídica manhã de 2ª feira onde, uma senhora chinesa (tinha de ser chinesa!, Só pode ser gozo!), conduzindo um Honda Civic, esqueceu-se que tinha à sua frente um sinal de Stop, não parou, atravessou-se à minha frente e.....foi o fim da GTS 250 i e ia sendo também o meu fim!


A GTS foi para a sucata e eu depois de 5 costelas partidas, o baço retirado e mais uns problemazitos no pulmão e rim direitos, aqui estou, ainda a ser seguido pelos médicos da companhia de seguros (tb escreverei algo sobre estes senhores!), mas prontinho a ter uma nova scooter e totalmente apaixonado pela minha nova aquisição e provavelmente a razão do nascimento deste blogue. 

E quem é essa "menina"? Uma linda e muito sensual Sym GTS 300i,  que apresentarei aqui assim que a tenha.

Quanto à falecida Sym GTS 250i, claro que terá sempre um lugar muito especial no meu coração pois não há amor como o primeiro e neste caso e apesar de já ter tido muitas motos, foi a minha primeira scooter com mais de 125 cc!!!!!

Sejam bem vindos e espero que gostem do meu "estaminé"!

Veiga 

Quando menos se espera...

07/10/2009

O acidente acontece! Foi o que me aconteceu!


Deixo-vos aqui duas fotos da GTS 250i, no estado em que ficou após o encontro imediato com o Honda Civic da tal chinesa.

Tinha arrancado de uns semáforos 30 metros antes e a dita senhora aparece-me vinda do lado direito. Ainda tentei fugir para a faixa contrária, mas estava ocupada por veículos que circulavam no sentido contrário e que se preparavam para arrancar e assim foi impossível desviar-me e evitar o embate!

A roda dianteira da moto bateu contra o pneu da frente do carro e o guiador da moto deu uma guinada violenta para a esquerda. Foi precisamente o guiador que acertando  no meu lado esquerdo, partiu-me  cinco costelas e fez com que o meu baço simplesmente explodisse!!!

A minha sorte é que ia a passar, exatamente naquele momento, uma ambulância do INEM que prontamente me socorreu e transportou para o hospital, ou seja, a assistência chegou ao local em menos de 2 minutos!

Outro fator decisivo para poder estar aqui a escrever estas palavras e não a "fabricar tijolo" no cemitério de Carnaxide, foi o facto de estar, na altura, nas urgências do Hospital S. Francisco Xavier, um médico, o qual, vá se lá saber porquê, olhou para mim e reparou que algo de grave se estava a passar, pois eu estava a mudar de cor, literalmente, a ficar cinzento, segundo ele depois me disse! 

Perguntou a razão de eu ali estar, foi informado que tinha sido um acidente de moto e que estava à espera para ir fazer uma radiografia, pois queixava-me de dores no lado esquerdo.

Ele agiu imediatamente e disse que em vez de um raio X, eu deveria fazer imediatamente e com a maior brevidade possível uma TAC e que iria acompanhar-me.

Tac efetuada e lá veio o diagnóstico: o baço explodiu! E como se não bastasse, tinha cinco costelas partidas, e também um "toque" no rim e pulmão esquerdos.

Resumindo, se não tivesse sido tão rapidamente assistido por este médio, que por mero acaso estava naquela altura nas Urgências, quase de certeza que eu tinha "batido as botas", pois estava com uma enorme hemorragia interna. Após duas semanas nos cuidados intensivos, onde estive seis dias em coma induzido, devido à gravidade da situação, transferiram-me para o Hospital Egas Moniz, onde permaneci mais uma semana e picos, até ter alta.

A recuperação foi (e ainda está a ser) difícil, pois as dores causadas pelas 5 costelas eram quase insuportáveis. Ainda hoje passados estes meses todos doem-me à brava, principalmente quando estou muito tempo deitado na mesma posição, sendo frequente levantar-me  durante a noite, pois as dores ainda são intensas. Segundo os médicos  as dores vão passar com o tempo, mas nunca totalmente, pois as marcas estão lá!


Bom chega de desgraças, apenas achei que deveria contar o que tinha acontecido no acidente com a Sym GTS 250i.

Como podem ver pelas fotos, a scooter também ficou num estado lastimoso e foi dada como perda total pela companhia de seguros.

 Atualmente encontra-se estacionada num daqueles sucateiros existentes em Sacavém (foi lá onde tirei estas duas fotos) à espera que alguém a compre inteira ou que a comecem a desmanchar para aproveitarem peças.

A scooter só tinha seis meses...

Veiga

Enfim, finalmente, chegou!

20 Horas e 04 Minutos

Estava eu mais a filhota plantados à porta da Escola onde ela estuda, a aguardar pela minha mulher, que tinha ido a uma reunião de pais, quando o telefone toca:
Hum... pensei eu...J.C. Motos a esta hora? Será que aconteceu alguma coisa? Só podia ter acontecido para o José Carlos (dono do stand) me estar a ligar a esta hora!

- Carlos, boa noite! Desculpa estar a ligar-te tão tarde, mas é só para te pedir para ires ver o nosso site.


O que se passa? - perguntei eu.

- Nada, quero apenas que vás lá dar uma espreitadela quando puderes! Boa noite!

E desligou o telefone!

Claro que fiquei logo em pulgas e mal a minha  mulher chegou vinda da reunião, ala que se faz tarde!
Computador ligado (porque será que nestas alturas os computadores levam sempre tanto tempo a ligar???), Internet Explorer aberto e...ei-la!!

                    Toca a tirar a tampa da caixa e todas as protecções.

- Cuidado José Carlos, não a deixes cair!

- Olha para mim tão branquinhaaaaaaa!

Falta aqui qualquer coisa!

O boomerang

O ecrâ frontal

Proteção do escape

Uma bateria da Yuasa, e esta hein? Só coisinhas boas para a menina!

Toca a montar!

Já não falta tudo.

Ricardo: mãos à obra!!!

Bolas...o tempo não passa...

Sei apenas que até 6ª Feira, dia em que vou levantá-la, não vou dormir!

Mas, se tudo correr como planeado, então Sábado muito cedo, lá partirei eu para a 1ª voltinha a bordo da GTS 300i Evo.

Onde vou, não sei. Onde vou dormir, também não sei! Sei apenas que vou sem destino, partir bem cedo no Sábado e....chegar bem tarde no Domingo!

Veiga (very happy!)

Pois é, Já lá vão dezassete, anos, muita coisa aconteceu entretanto, mas tanto este blogue, tal como a "Valentina", apesar das mazelas e rugas, ainda estão "vivinhos da Silva" e recomendam-se!

Até já!

Carlos Veiga (07/10/2026)

terça-feira, 6 de outubro de 2026

A Invasão Chinesa!

 

Vantagens e desvantagens da entrada das marcas chinesas de motos, no mercado europeu/mundial

Nos últimos anos, o mercado europeu de moto e scooters, foi literalmente invadido pelas diversas e recentes marcas chinesas, como a CFMOTO, Voge, Benelli (so b gestão chinesa), Zontes, QJMotor, Kove ou Benda, etc. Esta dita “invasão” está a transformar um setor que, durante décadas, foi dominado pelos fabricantes japoneses e europeus e norte.americanos, através da  Harley-Davidson e a Indian.

O principal fator positivo desta tendência é o aumento da concorrência pois, com mais fabricantes a disputarem um espaço num mercado muito competitivo, mas que, de alguma forma se encontrava algo estagnado, os consumidores beneficiam de uma maior oferta de modelos e sobretudo, de preços mais competitivos.


Um dos aspetos mais favoráveis a que assistimos, nesta nova geração de produtos “made in China”, é a grande evolução no que diz respeito à sua qualidade.

Longe já vão os tempos (mais ou menos vinte anos, desde que as primeiras motos chinesas chegaram ou tentaram entrar no exigente mercado europeu) em que as motos chinesas eram frequentemente associadas a produtos de muito baixa fiabilidade, com algumas, como eu próprio vi, quase a desintegrarem-se ao fim de poucos quilómetros rodados.

Atualmente, marcas chinesas, muitas delas criadas muito recentemente e com uma  grande ajuda financeira do próprio governo chinês, investiram fortemente em engenharia, investigação e desenvolvimento, ao mesmo tempo que muitas delas,  estabeleciam parcerias com fabricantes europeus e fazendo acordos com os melhores fabricantes de componentes utilizam componentes de marcas reconhecidas internacionalmente, tais como, por exemplo e e apenas entre algumas, a Bosch, a Brembo ou KYB, incluindo também os melhores fabricantes de pneus, como a Michelin, Pirelli, etc.

Como é óbvio, a garantia oferecida pela maioria destas marcas de componentes, devido à qualidade e fiabilidade dos seus componentes, também contribuiu grandemente pela a forma como nós, fãs de motos e scooters, passámos a olhar para as marcas chinesas.


No entanto, na minha humilde opinião, a razão principal que ainda nos leva  a colocar como hipótese a compra de uma destas motos ou scooters, é o fator preço, pois, como todos bem sabemos e sentimos na pele, os tempos atuais não estão nada fáceis e mesmo mela dúzia de euros podem fazer (e fazem!) toda a diferença, entre podermos comprar uma moto/scooter desta ou daquela marca, ou simplesmente, não podermos! 

Muitas vezes não é apenas o valor do custo do veículo que conta, mas sim se depois, temos condições financeiras para o podermos manter, pois não é apenas comprar esta moto ou aquela scooter e.. já está!

 A isto, temos de acrescentar imediatamente o custo (que não é pequeno) do equipamento, mesmo que básico, para podermos andarmos de moto com conforto e segurança e isso passa logo pela compra de um capacete, luvas, casaco, botas, impermeável etc,  e se a ideia é andar acompanhado, então é este equipamento mínimo a dobrar o que equivale a dizer que a despesa também duplica. 

Depois temos o seguro e aqui, muita atenção ao seguro que escolhem, pois por vezes optar pelo mais barato é quase tão arriscado como simplesmente não ter seguro, pois quando “shit happens”, vemos que o seguro, escolhido por ser o mais baratinho, não cobre quase nada e ficamos totalmente desamparados e a pensar porque é  que não optámos por aquele outro que, apesar de ser mais caro, 10 ou 20 euros, era muito melhor. 

Voltando ao preço das motos/scooters,  o certo é que com a chegada destes novos modelos, muitos condutores conseguem agora adquirir motos de média cilindrada por valores bastante inferiores aos que eram (e em alguns casos ainda são!) praticados pelas marcas tradicionais, embora essa diferença, ainda existindo, vai sendo menor, pois as outras marcas já começam a reagir e já se vê algumas marcas, aqui e ali, ou através de campanhas, a reajustarem os seu preçários



E como não podia deixar de ser, a “cereja no topo do bolo”, destas novas máquinas chinesas é o facto de apresentarem um nível de equipamento muito superior na maioria dos casos, ao dos modelos que já existem no mercado. Ecrãs TFT, iluminação LED, sistemas de conectividade, travões ABS e controlo de tração, câmeras de filmar, etc, são já equipamentos totalmente banais nestas novas motos e scooters chinesas, até nas de mais baixa cilindrada e preço.

No entanto, nem tudo são “flores” para o mercado europeu de motociclos e esta nova "invasão" de motos e scooters chinesas também apresenta desafios, muitos desafios, logo a começar pela pressão exercida sobre os fabricantes europeus e japoneses, os quais, até agora, estavam praticamente adormecidos à “sombra da bananeira” enfrentam agora uma concorrência altamente preparada e baseada em custos de produção mais baixos. 

Como é óbvio, esta situação pode reduzir margens de lucro e obrigar algumas (provavelmente a maioria) empresas a reorganizar e as suas fábricas, podendo levar até ao fecho de alguma delas e por isso, também reduzir postos de trabalho.

Outra preocupação relaciona-se com a desvalorização no mercado de usados. Embora algumas marcas chinesas estejam a consolidar (ou pelo menos a tentarem) a sua reputação, o certo é que a grande maioria ainda apresentam uma valorização, como veículo usado, muito inferior quando comparadas com Honda, Yamaha, BMW, KTM ou Ducati, o que pode representar uma perda financeira para o proprietário quando a quiser vender/trocar.


Outro grande fator negativo tem a ver com a rede de assistência, no pós-venda, quando algum azar acontece.

Apesar do seu crescimento continuo, algumas destas marcas ainda possuem uma cobertura limitada de concessionários e oficinas autorizadas, o que pode dificultar em muito, o termos acesso a uma assistência especializada de confiança tal como o acesso a um rápido a peças de substituição, quando necessárias.

Outra dúvida que persiste e que para muitos como eu, é, o fator mais importante, quando chega a hora da decisão final da compra de um produto, seja ele, uma simples varinha magica, ou uma moto/scooter, tem a ver como a fiabilidade do produto em questão, sobretudo a médio/longo prazo. 

Como é óbvio, sendo marcas e motos /scooters novas, as muitas que já rodam por aí ainda não atingiram idade ou rodaram quilómetros suficientes para sabermos se são produtos fiáveis ou não e se podemos ter total confiança neles.

De nada significa andarem pelas redes sociais a gabarem as vossas motos/scooters chinesas, só porque já rodaram 10 ou 20 mil km e ainda não tiveram problemas. Voltem quando as vossas máquinas tiverem 80, 90, 100 mil quilómetros e aí sim, já poderemos começar a falar sobre fiabilidade e como é lógico, têm de ser sinceros, algo que muitas vezes não, pois para muitos a moto que adquiriram é a melhor do mundo e não dá problemas, não referindo que em alguns casos, passaram mais tempo na oficina do que a rodarem e isto, como é obvio, vale para todas as marcas e não apenas para as novas marcas chinesas. 

Tive um amigo tinha comprado uma moto problemática apesar de o ter aconselhado a não fazer, e o certo é que eu estava com razão, pois aquela moto andava mais de reboque do que na estrada e passou tempo na oficina do que na posse desse tal amigo. E quando eu lhe falava sobre os tais problemas ou avariada que a moto ia tendo, a resposta dele era sempre a mesma: Avarias? Quais avarias? Foram apenas pequenas afinações!


Ás novas marcas, falta “história” e isso é algo que apenas acontece ao fim de alguns/muitos anos, décadas até, de permanência efetiva no mercado e aqui também não tenho qualquer dúvida quando afirmo, que no final, daqui a uns anos, apenas algumas, as melhores, destas marcas, continuarão no mercado, pois muitas irão agregar-se ou ser aglutinadas pelas maiores, ou simplesmente vão desaparecer tão rapidamente, como apareceram e já vimos isto acontecer ao longo dos anos, não apenas com marcas chinesas, mas com muitas no geral, aliás, tanto nas motos como nos automóveis, vimos isso a acontecer

Existe ainda um fator muito importante e que tem de ser levado muito em conta que é a dimensão económica e política da “coisa”!

 A crescente dependência de produtos fabricados na China levanta preocupações sobre a competitividade da indústria europeia e a preservação do emprego para muitos milhares de trabalhadores. Por esse motivo, a União Europeia tem analisado medidas destinadas a garantir condições de concorrência consideradas mais equilibradas.


Mas nem tudo é mau pois, com a presença das marcas chinesas no mercado, isso vai obrigar a que, as marcas tradicionais sejam obrigadas a investirem em novas tecnologias, segurança, eficiência dos motores e melhor qualidade de construção, pra assim, justificarem os preços mais elevados do seus produtos, fazendo com que quem saia beneficiado com isso, em última análise, seja o consumidor.

 - As vantagens traduzem-se sobretudo em preços mais acessíveis, maior concorrência, equipamentos modernos e uma evolução notável da qualidade.

- As desvantagens incluem dúvidas sobre a valorização futura, a consolidação da assistência técnica, a fiabilidade a longo prazo e o impacto económico na indústria europeia.

Resumindo e concluindo: a chegada das novas marcas chinesas representa uma das maiores transformações do mercado europeu de motociclos das últimas décadas.

Se conseguirem manter este atual ritmo de desenvolvimento, quase avassalador, é provável que estas marcas continuem a ganhar quota de mercado e passem a competir, de igual para igual, com os fabricantes tradicionais, oferecendo aos consumidores uma escolha cada vez mais ampla e diversificada.

Resta saber qual vai ser a resposta das marcas já existentes no mercado. Se é que vão responder ou ter capacidade para o fazer e sobretudo em quanto tempo isso vai acontecer.

Muita coisa vai acontecer nos próximos tempos...

 Carlos Veiga (16/10/ 2026)



quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Um regresso com a mesma paixão de sempre


Há projetos que nunca deixam verdadeiramente de fazer parte de nós. Apenas entram numa espécie de pausa, à espera do momento certo para voltarem à estrada. É exatamente isso que acontece hoje com o Motoratual e o Gostodescooters.

Depois de alguns anos com uma atividade bastante reduzida, decidi que chegou a altura de voltar a dar vida a estes dois espaços dedicados ao universo das duas e das quatro rodas. Não porque me falte tempo para fazer outras coisas, mas porque continuo a sentir o mesmo prazer de sempre em escrever sobre motos, scooters e automóveis.

Ao longo de todos estes anos, houve uma característica que sempre definiu ambos os blogues e que continuará a ser a sua imagem de marca: a seriedade, a independência e a total isenção. Nunca escrevi para agradar a marcas, importadores ou fabricantes. Escrevi, e continuarei a escrever, apenas aquilo que penso, sustentado pela experiência, pela observação e pelo respeito por quem me lê.

Vivemos numa época em que a informação circula a uma velocidade impressionante e em que nem sempre é fácil distinguir opinião de publicidade. Por isso mesmo, quero que estes blogues continuem a ser um espaço onde os leitores encontrem análises honestas, comentários fundamentados e uma visão equilibrada sobre tudo o que acontece no mundo das scooters, das motos e dos automóveis.

Este regresso ganha ainda mais significado quando olho para o caminho já percorrido.

O Motoratual aproxima-se do meio milhão de visualizações, um número que muito me orgulha.

Já o Gostodescooters alcançou um marco verdadeiramente extraordinário: está muito perto dos dois milhões de visualizações.

Sim, é mesmo verdade! Números que nunca imaginei atingir quando, criei, primeiro, o GostodeScooters e depois o MotorAtualm publiquei os primeiros artigos, algo que só foi possível graças aos milhares de leitores, que visitavam os blogues, ao longo destes anos.

A todos aqueles que continuaram a visitar estes blogues, mesmo durante os períodos de menor atividade, deixo um sincero agradecimento. A vossa presença foi sempre a melhor motivação para voltar.

Não prometo publicar todos os dias, nem acompanhar todas as novidades do mercado em tempo real.

Prometo apenas aquilo que sempre prometi: conteúdos escritos com paixão, rigor, independência e respeito pelos leitores.

Porque a paixão pelos motores nunca desapareceu. Apenas esteve algum tempo ao ralenti.

Agora... é tempo de voltar a acelerar.


Carlos Veiga 01/10/2026

 


Honda SH 125 Honda Europe, Tessa, Itália


Honda Europe, Tessa, Itália.

Fábrica onde são produzidas as Honda SH, nas suas mais varias versões - 125i, 150i e 359 i - para o mercado europeu. 


 

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Quando a inspiração passa dos limites… ou a arte chinesa de copiar tentando fingir que não está a copiar!

 Existe uma frase antiga que diz o seguinte: “imitar é a forma mais sincera de elogiar” (Charles Caleb Colton, escritor inglês)-

Seguindo esta ordem de ideias, então poderemos dizer que atualmente, isto falando do mundo das motos e scooters, algumas (muitas!) marcas chinesas devem ser, neste momento, os maiores admiradores de marcas como a Honda, Yamaha, Kawasaki, BMW, Ducati, Harley-Davidson e pelos vistos, também da marca taiwanesa KYMCO.

E atenção: antes que alguém comece a preparar-se para criticar-me (mesmo que o façam estou-me completamente a borrifar para isso!), deixem-me esclarecer uma coisa:

Não tenho absolutamente nada contra esta nova geração de motos e scooters – e também automóveis -, ao contrário do que acontecia com aqueles pedaços de plástico e metal, de péssima qualidade (para não dizer pior!), com que fomos invadidos no começo do século e que tantos problemas causaram a quem os comprou. Sim, claro que houve quem defende-se com unhas e dentes, aqueles zingarelhos mal paridos, mas o certo é que tudo aquilo que escrevi aqui, nos meus dois blogues, veio a concretizar-se, ou seja, tal como apareceram, também desapareceram, deixando muita boa gente, agarrados a motos e scooters que simplesmente não funcionavam e para as quais deixou de existir qualquer tipo de assistência e peças de substituição.

E, entretanto, o que aconteceu? A China, percebendo o erro que cometeu, soube,  muito bem, dar um passo atrás, rever todo o seu plano de produção e contando com a grande ajuda do estado chinês que passou e continuar a apoiar a sua indústria e também com a  típica “paciência de chinês”, soube dar a “volta ao texto” resultando naquilo a que todos estamos a assistir e isto tanto diz respeito, às motos como aos automóveis.

Tenho acompanhado a evolução desta indústria, seria impossível não reconhecer que algumas marcas chinesas deram, em pouco mais de uma década, um salto tecnológico impressionante.

No entanto, o maior problema não está em fazer motos boas, baratas e bem equipadas.

O problema começa quando a inspiração se torna limitada e por isso temos de olhar para o lado e ver o que os rivais estão a fazer e por isso é que, quando olho para muitas das motos de produção chinesa, fico com aquela sensação estranha, ou não, de que já vi algo parecido noutro lado, aquela típica sensação de “déjà-vu”!

O pior é quando isso passa de ser apenas uma sensação e passa a ser verdadeiro!

E é aqui que as coisas começam a complicar e as marcas consagradas, começam a não achar muita piada, ao que podemos chamar, grande descaramento, por parte d e alguns fabricantes chineses.

E de certeza que foi isso que aconteceu com a Kymco a qual, apesar de ser taiwanesa, não é propriamente uma recém-chegada ao mundo das duas rodas, sobretudo no que diz respeito às scooters e é precisamente aqui que a “porca torce o rabo”!

A Kymco veio recentemente a público esclarecer que não deu autorizou à QJ Motor par que esta pudesse utilizar a plataforma tecnológica da sua scooter topo de gama, a AK 550, isto depois de terem surgido comparações que levantavam suspeitas sobre as grande semelhanças existentes entre a nova scooter da QJ Motor, a Fort 600 e a conhecida e reconhecida maxi-scooter da marca taiwanesa.

Kymco AK 550

E quando uma marca, seja ela qual for, sente necessidade de dizer publicamente que “não autorizou” outra a utilizar a sua tecnologia…

Mas vamos lá tentar entender, minimamente, o que se passa: a nova Fort 600 utiliza um motor bicilíndrico paralelo, cuja arquitetura  e tecnologia usada, segundo as comparações já publicadas, tem demasiadas semelhanças com a AK 550: motor e transmissão separados, embraiagem multidisco banhada em óleo e um tipo construção muito parecido, incluindo o quadro em alumínio.

QJMotor Fort 600

Assim de repente, sto não parece nada demais. No entanto, analisando a coisa de forma mais cuidada e nisto a Kymco parece ter toda a razão pois, segundo o que a própria marca afirmou, para o desenvolvimento, tanto do quadro como sobretudo do propulsor, obrigou ao registo de mais de 45 patentes novas.

Por enquanto, a Kymco aguarda que a Fort 600, chegue oficialmente ao mercado – foi apresentada pela primeira ao público, no EICMA 2025 – para então decidir o que fazer e é aqui que surge a pergunta que vale um milhão de euros:

Como é que as duas marcas, primeiro a Kymco cujo AK 550 já está no mercado há alguns anos e agora a QJ, chegaram, às “mesmas” soluções técnicas?

E como é que ficamos perante a existência de soluções técnicas, que pelos vistos foram inventadas/criadas/desenvolvidas pela Kymco e que pelos vistos estão protegidas pelas patentes e direitos de propriedade intelectual?

Assim de repente, lembro-me de alguns casos que aconteceram no passado e que deram muito  que falar.


Posso começar pelo caso Honda/Shineray, caso que aconteceu no Brasil, por volta de 2012 e que apenas terminou muitos anos depois.

E isto porque a Shineray, fabricou durante algum tempo, motos que eram autênticos clones, tanto da mítica Honda CG 150 como da NXR 150 Bros, modelos que na altura dominavam por completo o mercado brasileiro, sobretudo a CG.

Este polémico processo arrastou-se durante mais de uma década e acabou com a marca chinesa Shineray a ter de pagar mais de 9 milhões de reais de indemnização à marca japonesa, além da obrigação de retirar dos concessionários todas as unidades dos modelos em questão que ainda estavam à venda.

Depois temos algumas histórias sobre plágio que são verdadeiramente hilariantes, tal como aconteceu com a marca chinesa Suculi (?) que apresentou a sua S1000 RR, uma cópia da famosa moto desportiva da BMW e sobre a qual nem tentou disfarçar a coisa, nem que fosse mudando o nome da moto, mas não, tomem lá uma S1000 RR!

Suculi  S1000 RR

Então e o que me dizem da Moxiao (?) 500RR, uma cópia quase perfeita da Ducati Panigale, pelo menos quando vista ao longe?

Moxiao 500 RR

Querem que pare ou que continue? Ok, mais uma e aqui regresso outra vez  Shineray – são teimosos, hein?

Neste caso, a marca chinesa apresentou um  motor V-Twin Evolution de 1.200 cc, uma verdadeira cópia do conhecido motor  da Harley-Davidson, que equipou, entre outras, a Sportster.

Toda  a arquitetura mecânica deste propulsor apresentado pela Shineray é exatamente igual à do antigo motor da marca norte-americana, incluindo as dimensões tanto externas como internas, configuração V-Twin com inclinação de 45 graus e a típica distribuição através de arvore de cames servidas por varetas.

 A parte hilariante da coisa é que a Shineray afirmou na altura que este motor foi desenvolvido a partir de uma folha em branco e de forma independente.

Coincidências do caraças, tão “coincidências” que a própria Harley-Davidson já esrá de olho no caso, tendo já acionado o seu departamento judicial para que estude este caso e avance com a devida queixa.

SWM Stormbreaker 1200

Neste caso, como se não bastasse,  a marca  SWM – que por mero “acaso”, pertence à Shineray – apresentou um novo modelo, a Stormbreaker 1200, equipada precisamente com este motor!

Que grande lata têm estes chineses!

Já chega, ou ainda querem mais?

Ok, confesso que também estou a divertir-me “bué”, enquanto procuro por estes casos na internet, por isso vou continuar apesar de este texto já ir muito longo, mas já sabem como sou, colocam-me um teclado na frente e… não paro!

Ora vamos lá então:  parece que também a conhecida CFMoto, está a braços com um importante processo, nos Estados Unidos da América, colocado pelo gigante Polaris, em Janeiro deste ano.

CFMoto UForce U10

No processo, a Polaris alega que a CFMoto violou dez das suas patentes, relacionadas com os seu veículos “side-by-side”, incluindo chassis, transmissão, sistema de arrefecimento do motor e até mesmo a zona do condutor..

Este caso, Polaris versus CFMoto,  está a ser analisado pela U.S. International Trade Commission.

E no entanto, nem tudo pode ser considerado plágio e aqui dou o exemplo do que se passa entre a Locin e a BMW. Neste caso, é facto conhecido que o gigante construtor chinês, fabrica os motores  de 895 cc que equipam as BMW F900 GS e, basicamente podemos ver o mesmo motor (com algumas diferenças ao nível da eletrónica) a equipar alguns modelos da Voge, que é apenas a marca “premium” da Locin.

Neste caso, como é óbvio parece existir uma óbvia uma relação industrial real entre as empresas, ou seja, a marca bávara recorre a fabricante chinês para a produção deste motor e a Locin pode usar o mesmo motor nas suas motos.

BMW F900 GS

Portanto, pelo que se percebe, existe um acordo entre as duas marcas e como é óbvio, isto não e plágio, mas sim, apena e só um acordo comercial e tanto é assim que ainda ninguém viu a BMW a queixar-se que o seu motor tinha sido plagiado.

E há uma coisa muito importante e que me parece cada vez mais evidente:

A China já não precisa de copiar!

E digo isto como um verdadeiro elogio, perante tudo aquilo a que estamos a assistir.

Por exemplo, a CFMOTO, apresenta atualmente uma capacidade própria de desenvolvimento muito diferente daquela que associávamos à indústria chinesa há 15 ou 20 anos. E mesmo nesse tempo, na altura dos tais zingarelhos “mal paridos” já os produtos da CFMoto, sobretudo scooters, demonstravam uma qualidade muito acima do que era feito pelos outros fabricantes chineses, aliás, tal como referi num artigo que escrevi no longínquo ano de 2013, no GostodeScooters.

A própria marca diz que atualmente, tem ao seu serviço mais de 200 designers e técnicos, espalhados por cinco países e mais de 540 novas patentes registadas.

A realidade é que já existem fabricantes chineses capazes de desenvolver produtos próprios, motores próprios, eletrónica própria e soluções técnicas bastante interessantes.

E é aqui que surge a pergunta mais importante de todas:

Se já sabem e têm capacidade para fazerem as suas próprias motos, porque é que aqui e ali, ainda copiam os produtos dos outros fabricantes?

Um dos problemas é que, por exemplo, planear, desenhar e construir um motor de raiz, leva muito tempo e dinheiro, sendo mais fácil e barato utilizar um motor que já existe, sendo através do fabrico do mesmo, através de um acordo entre o proprietário desse propulsor e de quem o quer usar, ou algo que ainda fica mais barato é simplesmente, copiar!

E aqui o lado financeiro é a principal questão, ou se quiserem o principal argumento, pois fica sempre muito mais barato copiar! E esta é provavelmente a verdadeira razão pela qual estas situações continuam a aparecer pois o desenvolver de raiz um motor ou uma moto, custa muito dinheiro e leva muito tempo. São anos de engenharia, testes, protótipos, homologações, ensaios de durabilidade, desenvolvimento de motores, eletrónica, chassis, travagem, suspensão.

Ora, copiar, é muito mais fácil, rápido e barato!

Resumindo e concluindo e para terminar este extenso “testamento”, o certo é que, com a entrada em força - para o bem e para o mal -, dos fabricantes chineses no mercado europeu (e não só!) na minha

A entrada maciça de fabricantes chineses no mercado europeu é, na minha opinião, inevitável e, em muitos aspetos, positiva pois, como eu costumo dizer, seja em que negócio for, qualquer tipo de concorrência é sempre positivo. Isso obriga a que as marcas que já estão confortavelmente instaladas (muitas delas a viverem à sombra dos louros!), sejam obrigadas a serem mais competitivas a todos os níveis, obrigando a que reforcem a apresentação de novos modelos e sobretudo, que não se estiquem no que diz respeito aos preços pedidos pelos seus produtos e isso apenas vai fazer com que o consumidor seja o mais beneficiado, seja através de mais e melhores motos e com preços bastante competitivos.

Carlos Veiga 29/09/2026

sexta-feira, 31 de julho de 2026

NOSTALGIA: Escola de Pilotagem Honda (EPH) – Condução defensiva, condução segura!

 

Enquanto as novidades não chegam ao Gosto de Scooters, decidi voltar a publicar alguns dos trabalhos efetuados, tanto com motos, como com automóveis, mais lidos aqui no blogue.

Em relação às novidades, aguardem...

(Atenção: sendo um artigo efetuado em 2016, alguma da muita informação sobre a E.P.H. incluída neste trabalho, poderá estar desatualizada.)


Andar de moto! Sonho de muitos e felizmente cada vez mais, a concretização deste sonho, por cada vez mais pessoas. 
Claro que a célebre "Lei das 125", veio dar um grande empurrão à concretização deste sonho pois, desde que a referida lei saiu, assistimos a um verdadeiro renascer do mercado das motos não só pelas vendas de milhares e milhares de motos e scooters de 125 cc, mas também e rapidamente, ao surgimento de motociclistas que, começando pelas 125 rapidamente evoluíram para máquinas maiores e mais potentes.

Muitos destes novos motociclistas (para não dizer a grande maioria!) vieram dos automóveis. Possuíam automóvel mas, ou movidos pelo tal sonho até aí nunca concretizado ou pela necessidade de poderem deslocar-se diariamente de forma mais rápida e sobretudo mais económica que no tradicional "enlatado", encontraram na moto/scooter a possibilidade de fazerem o "two in one", ou seja, resolverem os problemas de transporte e ao mesmo tempo, concretizarem o sonho de terem finalmente uma moto.
Até aqui tudo bem, no entanto, conduzir uma moto é muito diferente do conduzir um automóvel. 



Numa moto, seja ela de que tipo for, estamos mais sujeitos a um rol de situações que, se não existir da nossa parte a devida atenção e cuidados, as consequências poderão ser (muito) desastrosas. Logo à partida a condução de uma moto, mesmo as mais simples scooters, é muito diferente da condução de um automóvel. 
Se num automóvel, basicamente o condutor é alguém que opera um volante, uma caixa de velocidades e uns quantos botões, numa moto o condutor, no seu todo, é a peça mais importante da moto, ou seja, não somos apenas transportados, mas fazemos parte integrante do veículo de duas rodas que nos transporta.

Aqui é onde reside o principal problema pois, se para conduzir o automóvel o condutor foi obrigado a fazer pelo menos 32 aulas práticas de condução e sujeitar-se a um rigoroso exame, a "Lei das 125" permite que, quem esteja legalmente autorizado a conduzir um automóvel possa também conduzir uma moto/scooter - cujo potência do motor não ultrapasse os 15 cv-, no caso da moto basta ter carta de carro, ir ao stand comprar uma, ligar o motor e lá vai ele! Infelizmente já assisti por diversas vezes a esta situação e deu em... asneira.

E é precisamente aqui neste ponto da nossa conversa que entra em ação a Escola de Pilotagem Honda.




A EPH nasceu no dia 14 de Janeiro de 2000, seguindo uma linha de orientação proveniente da Escola de Pilotagem de Suzuka, no Japão, local onde o responsável pela EPH, Nuno Barradas, teve a sua formação e onde participa assiduamente em eventos de formação e condução para instrutores.

Na Escola de Pilotagem Honda, sediada no KIP (Kartódromo Internacional de Palmela), são administrados diversos cursos, entre os quais se destacam o Curso de Condução Defensiva de Moto e o Curso de Condução Defensiva de Moto4 – este último efetuado em pista de todo o terreno e seguindo as diretrizes de uma formação do "ATV Safety Institute", dos EUA. 


Além dos cursos já mencionados, a Escola de Pilotagem Honda, disponibiliza também a possibilidade dos mais novos, com idades entre os 14 e 16 anos, efetuarem um curso que, quando concretizado com sucesso, os habilita a conduzirem as pequenas "cinquentinhas", através da Licença Especial para Ciclomotores.


Os cursos de condução defensiva de moto podem ser realizados, tanto com moto própria, como com motos da própria EPH. 

Foi precisamente nestas condições (a convite da Honda Motor de Portugal), efetuar o curso com as motos da própria escola que, tanto eu como a minha filha Inês, fizemos o Curso de Condução Defensiva, ela na condição de "iniciada" e eu na condição de "aperfeiçoamento" .

Com uma duração de 4 horas, o curso é divido em duas partes: teórica e prática.




Tudo começa com uma pequena conversa entre formador e alunos, seguido do visionamento de um filme sobre técnicas de pilotagem e instruções básicas.



A seguir e com a ajuda de um simulador, criado e desenvolvido pela própria Honda, o aluno tem o primeiro contacto com os comandos de uma moto, seja ela automática (scooter) ou com caixa de velocidades.



Já em "andamento" (no simulador, pois claro!) o aluno vai ser confrontado com algumas das muitas situações de trânsito que encontramos diariamente na estrada, sejam peões nas passadeiras, veículos parados e que arrancam de repente, carros, que mudam de repente de direção, piso escorregadio, crianças, etc.





Depois de alguns quilómetros percorridos no simulador, eis que passamos à parte prática do curso, aquela que é mais desejada, mas também a que causa mais "calafrios". Mas, pelo que assisti durante este curso, principalmente pela forma como o curso é administrado apenas posso dizer que o Nuno Barradas põe qualquer pessoa a andar de moto! A única condição é saber andar de bicicleta!



Enquanto assistia à indicações que eram dadas à Inês pelo Nuno Barradas, lembrei-me do único ano em que gostei de Matemática e tive notas positivas. O motivo? O professor e a forma como ele dava as aulas, a forma como conseguia explicar, exemplificar e principalmente, passar a mensagem. Assim é o Nuno Barradas. 
Para começar, GRANDE paciência que tem com os alunos. E depois, a forma como exemplifica as diversas situações de condução, seja o simples (para alguns) retirar e colocar a moto no descanso central, até à posição de condução, posição das mãos no guiador, forma da mão "atacar" o travão, arranque, travagem correta, circular entre pinos, etc, etc.



Neste curso, estavam alunos com diversos graus de experiência (além da Inês e eu, participaram mais três alunos, todos eles colaboradores da empresa By Com com a qual a Honda mantém uma parceira na área digital) , desde aquele que nunca tinha conduzido uma moto, até aqui o "je", com mais de trinta e cinco anos de motos e afins.

Em relação aos que pouca ou nenhuma experiência possuíam apenas posso dizer que ao fim destas 4 horas, todos eles, estavam em condições de fazerem o respetivo regresso a casa desde Palmela, aos comandos das motos que cada um conduziu no curso.





Foi muito engraçado assistir à rápida evolução de todos os alunos, desde os primeiros metros cheios de "tremuras" ainda a conduzirem muito tensos, até já quase no fim do curso, a circularem já todos pela pista "grande", a controlarem as respetivas motos de forma mais segura e até com algumas (muitas!) apitadelas à mistura!











Arranques normais, arranques a subir, simulação de diversas formas de travar (apenas com o travão traseiro, dianteiro e com os dois) de forma a ficar-se com a noção do valor e "peso" que cada travão tem na forma de diminuir a velocidade e/ou parar a moto no menor espaço possível, tudo é aqui testado de forma totalmente segura e tranquila.



No que diz respeito a mim, apenas posso dizer que, aquela máxima que diz "aprender até morrer" é aqui aplicada a 1000%! Ao efetuar este Curso de Condução Defensiva, cheguei a duas conclusões:

A primeira, é que apesar da muita experiência, aprende-se sempre muita coisa, nem que seja pelo simples facto de, na nossa forma de conduzir, irmos criando hábitos e vícios que em nada abonam a favor de uma condução segura e eficaz. 






A segunda, tem a ver travagem. Faço aqui uma chamada de atenção para aqueles com quem tive "discussões acesas" em alguns fóruns na internet, sobre a forma como a travagem deve ser doseada/repartida entre a dianteira e traseira. 
A todos esses apenas digo: façam o mais rapidamente que puderem este curso pois irão ficar surpreendidos (e vão ter de dar razão aqui ao Veiga!). 







Não falo apenas na teoria pois, como poderão comprovar, o Nuno Barradas, exemplifica na prática a forma errada e perigosa, como alguns de vocês usam os travões das vossas motos. Uma coisa é o falar ou escrever num fórum e outra, muito diferente, é assistirmos "in loco" ao comportamento da moto e distância percorrida em cada forma diferente de travar. 

Ficarão espantados, tal como eu fiquei! 









No fim do curso o aluno recebe um certificado comprovativo da realização do respetivo curso (vou emoldurar o meu!).



Quanto aos preços, mais concretamente no que diz respeito a este Curso de Condução Defensiva, sinceramente e sem estar a fazer favores a ninguém (já sabem que não faço!), achei barato pois estes, já incluem o sempre precioso seguro de acidentes pessoais e o respeito IVA.

Assim, se pretende efetuar este curso com a vossa própria moto, seja ela de que marca for, tem um custo de 105 euros.


Com o acréscimo de apenas mais 25 euros, fazem o curso com as motos disponibilizadas pela própria escola – motos e scooters com cilindradas compreendidas entre os 50 e os 500 cc. 




Comentário final - Apenas posso dizer que gostei tanto e achei tão importante a Inês e eu termos efetuado o Curso de Condução Defensiva que aconselho a que toda a gente o faça! E é divertido!

Carlos Veiga (2016)