sexta-feira, 31 de julho de 2026

NOSTALGIA: Escola de Pilotagem Honda (EPH) – Condução defensiva, condução segura!

 

Enquanto as novidades não chegam ao Gosto de Scooters, decidi voltar a publicar alguns dos trabalhos efetuados, tanto com motos, como com automóveis, mais lidos aqui no blogue.

Em relação às novidades, aguardem...

(Atenção: sendo um artigo efetuado em 2016, alguma da muita informação sobre a E.P.H. incluída neste trabalho, poderá estar desatualizada.)


Andar de moto! Sonho de muitos e felizmente cada vez mais, a concretização deste sonho, por cada vez mais pessoas. 
Claro que a célebre "Lei das 125", veio dar um grande empurrão à concretização deste sonho pois, desde que a referida lei saiu, assistimos a um verdadeiro renascer do mercado das motos não só pelas vendas de milhares e milhares de motos e scooters de 125 cc, mas também e rapidamente, ao surgimento de motociclistas que, começando pelas 125 rapidamente evoluíram para máquinas maiores e mais potentes.

Muitos destes novos motociclistas (para não dizer a grande maioria!) vieram dos automóveis. Possuíam automóvel mas, ou movidos pelo tal sonho até aí nunca concretizado ou pela necessidade de poderem deslocar-se diariamente de forma mais rápida e sobretudo mais económica que no tradicional "enlatado", encontraram na moto/scooter a possibilidade de fazerem o "two in one", ou seja, resolverem os problemas de transporte e ao mesmo tempo, concretizarem o sonho de terem finalmente uma moto.
Até aqui tudo bem, no entanto, conduzir uma moto é muito diferente do conduzir um automóvel. 



Numa moto, seja ela de que tipo for, estamos mais sujeitos a um rol de situações que, se não existir da nossa parte a devida atenção e cuidados, as consequências poderão ser (muito) desastrosas. Logo à partida a condução de uma moto, mesmo as mais simples scooters, é muito diferente da condução de um automóvel. 
Se num automóvel, basicamente o condutor é alguém que opera um volante, uma caixa de velocidades e uns quantos botões, numa moto o condutor, no seu todo, é a peça mais importante da moto, ou seja, não somos apenas transportados, mas fazemos parte integrante do veículo de duas rodas que nos transporta.

Aqui é onde reside o principal problema pois, se para conduzir o automóvel o condutor foi obrigado a fazer pelo menos 32 aulas práticas de condução e sujeitar-se a um rigoroso exame, a "Lei das 125" permite que, quem esteja legalmente autorizado a conduzir um automóvel possa também conduzir uma moto/scooter - cujo potência do motor não ultrapasse os 15 cv-, no caso da moto basta ter carta de carro, ir ao stand comprar uma, ligar o motor e lá vai ele! Infelizmente já assisti por diversas vezes a esta situação e deu em... asneira.

E é precisamente aqui neste ponto da nossa conversa que entra em ação a Escola de Pilotagem Honda.




A EPH nasceu no dia 14 de Janeiro de 2000, seguindo uma linha de orientação proveniente da Escola de Pilotagem de Suzuka, no Japão, local onde o responsável pela EPH, Nuno Barradas, teve a sua formação e onde participa assiduamente em eventos de formação e condução para instrutores.

Na Escola de Pilotagem Honda, sediada no KIP (Kartódromo Internacional de Palmela), são administrados diversos cursos, entre os quais se destacam o Curso de Condução Defensiva de Moto e o Curso de Condução Defensiva de Moto4 – este último efetuado em pista de todo o terreno e seguindo as diretrizes de uma formação do "ATV Safety Institute", dos EUA. 


Além dos cursos já mencionados, a Escola de Pilotagem Honda, disponibiliza também a possibilidade dos mais novos, com idades entre os 14 e 16 anos, efetuarem um curso que, quando concretizado com sucesso, os habilita a conduzirem as pequenas "cinquentinhas", através da Licença Especial para Ciclomotores.


Os cursos de condução defensiva de moto podem ser realizados, tanto com moto própria, como com motos da própria EPH

Foi precisamente nestas condições (a convite da Honda Motor de Portugal), efetuar o curso com as motos da própria escola que, tanto eu como a minha filha Inês, fizemos o Curso de Condução Defensiva, ela na condição de "iniciada" e eu na condição de "aperfeiçoamento" .

Com uma duração de 4 horas, o curso é divido em duas partes: teórica e prática.




Tudo começa com uma pequena conversa entre formador e alunos, seguido do visionamento de um filme sobre técnicas de pilotagem e instruções básicas.



A seguir e com a ajuda de um simulador, criado e desenvolvido pela própria Honda, o aluno tem o primeiro contacto com os comandos de uma moto, seja ela automática (scooter) ou com caixa de velocidades.



Já em "andamento" (no simulador, pois claro!) o aluno vai ser confrontado com algumas das muitas situações de trânsito que encontramos diariamente na estrada, sejam peões nas passadeiras, veículos parados e que arrancam de repente, carros, que mudam de repente de direção, piso escorregadio, crianças, etc.





Depois de alguns quilómetros percorridos no simulador, eis que passamos à parte prática do curso, aquela que é mais desejada, mas também a que causa mais "calafrios". Mas, pelo que assisti durante este curso, principalmente pela forma como o curso é administrado apenas posso dizer que o Nuno Barradas põe qualquer pessoa a andar de moto! A única condição é saber andar de bicicleta!



Enquanto assistia à indicações que eram dadas à Inês pelo Nuno Barradas, lembrei-me do único ano em que gostei de Matemática e tive notas positivas. O motivo? O professor e a forma como ele dava as aulas, a forma como conseguia explicar, exemplificar e principalmente, passar a mensagem. Assim é o Nuno Barradas. 
Para começar, GRANDE paciência que tem com os alunos. E depois, a forma como exemplifica as diversas situações de condução, seja o simples (para alguns) retirar e colocar a moto no descanso central, até à posição de condução, posição das mãos no guiador, forma da mão "atacar" o travão, arranque, travagem correta, circular entre pinos, etc, etc.



Neste curso, estavam alunos com diversos graus de experiência (além da Inês e eu, participaram mais três alunos, todos eles colaboradores da empresa By Com com a qual a Honda mantém uma parceira na área digital) , desde aquele que nunca tinha conduzido uma moto, até aqui o "je", com mais de trinta e cinco anos de motos e afins.

Em relação aos que pouca ou nenhuma experiência possuíam apenas posso dizer que ao fim destas 4 horas, todos eles, estavam em condições de fazerem o respetivo regresso a casa desde Palmela, aos comandos das motos que cada um conduziu no curso.





Foi muito engraçado assistir à rápida evolução de todos os alunos, desde os primeiros metros cheios de "tremuras" ainda a conduzirem muito tensos, até já quase no fim do curso, a circularem já todos pela pista "grande", a controlarem as respetivas motos de forma mais segura e até com algumas (muitas!) apitadelas à mistura!











Arranques normais, arranques a subir, simulação de diversas formas de travar (apenas com o travão traseiro, dianteiro e com os dois) de forma a ficar-se com a noção do valor e "peso" que cada travão tem na forma de diminuir a velocidade e/ou parar a moto no menor espaço possível, tudo é aqui testado de forma totalmente segura e tranquila.



No que diz respeito a mim, apenas posso dizer que, aquela máxima que diz "aprender até morrer" é aqui aplicada a 1000%! Ao efetuar este Curso de Condução Defensiva, cheguei a duas conclusões:

A primeira, é que apesar da muita experiência, aprende-se sempre muita coisa, nem que seja pelo simples facto de, na nossa forma de conduzir, irmos criando hábitos e vícios que em nada abonam a favor de uma condução segura e eficaz. 






A segunda, tem a ver travagem. Faço aqui uma chamada de atenção para aqueles com quem tive "discussões acesas" em alguns fóruns na internet, sobre a forma como a travagem deve ser doseada/repartida entre a dianteira e traseira. 
A todos esses apenas digo: façam o mais rapidamente que puderem este curso pois irão ficar surpreendidos (e vão ter de dar razão aqui ao Veiga!). 







Não falo apenas na teoria pois, como poderão comprovar, o Nuno Barradas, exemplifica na prática a forma errada e perigosa, como alguns de vocês usam os travões das vossas motos. Uma coisa é o falar ou escrever num fórum e outra, muito diferente, é assistirmos "in loco" ao comportamento da moto e distância percorrida em cada forma diferente de travar. 

Ficarão espantados, tal como eu fiquei! 









No fim do curso o aluno recebe um certificado comprovativo da realização do respetivo curso (vou emoldurar o meu!).



Quanto aos preços, mais concretamente no que diz respeito a este Curso de Condução Defensiva, sinceramente e sem estar a fazer favores a ninguém (já sabem que não faço!), achei barato pois estes, já incluem o sempre precioso seguro de acidentes pessoais e o respeito IVA.

Assim, se pretende efetuar este curso com a vossa própria moto, seja ela de que marca for, tem um custo de 105 euros.


Com o acréscimo de apenas mais 25 euros, fazem o curso com as motos disponibilizadas pela própria escola – motos e scooters com cilindradas compreendidas entre os 50 e os 500 cc. 




Comentário final - Apenas posso dizer que gostei tanto e achei tão importante a Inês e eu termos efetuado o Curso de Condução Defensiva que aconselho a que toda a gente o faça! E é divertido!

Carlos Veiga (2016)

NOSTALGIA: FUI DAR UMA VOLTINHA E FIZ 902 KM (parte II)

 

Enquanto as novidades não chegam ao "GostodeScooters", decidi voltar a publicar alguns dos trabalhos efetuados que tiveram mais visualizações e que mais gozo me deram fazer.


Pelas 8h30 da manhã de Domingo, já eu estava sentadinho a tomar o pequeno almoço no hotel. Lá fora o sol brilhava intensamente e o calor começa a fazer-se sentir, por isso toca a despachar para aproveitar bem o dia.
A Valentina esperava por mim no parque do Hotel ansiosa por se fazer à estrada, mas teve de esperar um pouco antes de colocar o seu motor a aquecer. Por descargo de consciência resolvi verificar o nível do óleo, pois afinal de contas, sempre foram quinhentos e tal quilómetros a andar bem, mas tal como esperava o nível do óleo estava no máximo. Nem uma gotinha gastou, muito bem! Tudo nos "conformes"!
Sendo assim a N125 espera por nós!
Posso dizer-vos que nunca me soube tão bem fazer esta estrada como desta vez. Como ainda era cedo, havia pouco trânsito e porque principalmente ainda estamos em Abril, época baixa, a confusão era inexistente. Rolei bem calminho, apreciando o imenso comércio que existe em ambos os lados da estrada, viseira do capacete levantada a saborear o ar fresco da manhã! Meus amigos, se isto não é rejuvenescedor, então não sei o que seja!
Passagem pelo Zoomarine, onde parei para mais uma "pelingrafia" e siga!
Aproveitei ainda, para fazer um pequeno desvio e ir até ao Parchal (Portimão) fazer uma rápida visita a uns tios que não via há mais de 10 anos! Mas como a Valentina estava impaciente, foi mesmo, "olá, tudo bem? Tchau!!


E eis que chego a Lagos, que para mim é a cidade mais bonita do Algarve. Adoro Lagos!
Entretanto ao estacionar junto a uma esplanada, na Marina de Lagos eis que, quase ao mesmo tempo, estaciona outra GTS 300i. Claro que de imediato a conversa rolou, pois a GTS cinzenta pertencia a um simpático casal de Lagos que só a usava para passeios aos fins-de-semana. E lá estive meia hora na palheta.
Aproveitei também para tirar umas fotos à Caravela Boa Esperança que se encontrava ancorada na Marina. Pensar que os nossos marinheiros percorriam mares e oceanos a bordo daquelas "cascas de nozes", incrível!!




De Lagos, segui em direção a Aljezur e deliciei-me com aquelas curvinhas. Acelera, trava, deita, levanta, acelera, trava, deita, acelera... um espetáculo!
Entretanto ao sair de uma curva reparo num caminho de terra que ia dar ao local onde se encontravam vários moinho eólicos...e lá teve a Valentina de fazer um pouco de todo-o-terreno. Parei, desliguei o motor e o silêncio imperava, apenas interrompido pelo barulho das hélices dos moinhos a rasgar o vento. Vuuu....vuuuu...vuuu...vuuuuu....vuuu....

Uns minutinhos a sentir os cheiros do campo e a paz do local...e siga para Odemira onde pretendia almoçar.

Entretanto mais à frente, já perto de Rogil, tive de parar para tirar mais uma foto. Num café de estrada estava uma Vespa (verdadeira!) pendurada na parede! (Ampliem a foto e digam se não está fixe?)


Em Odemira almocei no restaurante "O Tarro", onde me deliciei com um caril de tamboril de bradar aos céus!!! Simplesmente divinal!




Barriguinha cheia e ala que se faz tarde. Já perto do Cercal, não resisto a parar mais uma vez e fotografar uma das paragens de camioneta da zona. De aspecto imaculado, as paragens fazem lembrar as típicas casas alentejanas, onde nem sequer faltam as tradicionais janelas. Uma forma de promover a história daquela zona, a quem por ali passa.



Do Cercal, até S. Torpes foi sempre a rodar, tendo por companhia uma Transalp 600 das antigas, com matricula alemã. Na moto seguia um casal que mal se via, tal era a quantidade de tralha que levavam. Virámos em direção a S. Torpes, onde parei e o casal seguiu em frente, penso eu, em direção ao Porto Covo.


Paragem para descansar um pouco e apreciar a paisagem e "bora" até Sines, para dar de comer à Valentina que estava com a barriga vazia.
De Sines até ao ferry-boat em Tróia a viagem decorreu sem nada de importante a registar a não ser aquela sensação de que, o que "é bom está a acabar". Pois é, a viagem estava a chegar ao fim, infelizmente. Foram dois dias em que percorri 902 quilómetros e o que para muitos poderá parecer uma enorme canseira, para mim funciona exatamente ao contrário! Por vezes preciso de fazer uma coisa destas. Sair sozinho, sem destino. Sem ninguém! Estar comigo mesmo. É aqui onde vou buscar energias que me fazem falta para a luta diária. Quando vai ser a próxima? Não sei...quando tiver T€MPO!


Quanto à Sym "Valentina" GTS 300i Evo, que mais posso dizer? É simplesmente fantástica! Claro que gostaria que andasse mais, claro que gostaria que tivesse mais potência, mas meus amigos, com ela, venha estrada! Se respeitarmos as suas limitações, temos máquina para ir até ao fim do mundo!

Venha o Próximo!


Catlos Veiga (13/04/2012)

NOSTALGIA: FUI DAR UMA VOLTINHA E FIZ 902 KM (parte I)


Enquanto as novidades não chegam ao GostodeScooters, decidi voltar a publicar alguns dos trabalhos efetuados que tiveram mais visualizações e que mais gozo me deram fazer.

Pois é, tudo se conjugou! Tive o fim-de-semana livre, a família deu-me ordem de soltura, o tempo estava magnífico e a Valentina pedia quilómetros! E fiz-lhe a vontade!

Então cá vai:

Sábado, 10 de Abril, são sete e meia da manhã, enquanto a GTS aquece e me equipo,  vou pensando qual será o meu destino. Norte ou Sul?
Como a rodagem foi feita na zona Centro do país, desta vez pensei que seria interessante ir para Sul, só que iria evitar a todo o custo as auto-estradas. E tanto foi que só utilizei a AE, por duas vezes, Uma no Sábado, de Lisboa a Vila Franca de Xira e outra no regresso, de Setúbal a Lisboa, via Ponte 25 de Abril.


Mas adiante... 7h35 e eis-me já sentado e pronto a arrancar. Ok, vou para Sul e sendo assim, lá vou eu para a AE do Norte em direção a Vila Franca de Xira, para depois seguir para Porto Alto até Pegões. Abençoada a hora em que vesti uma camisola extra, pois estava fresquiiiiiinho!


Paragem em Pegões, mais precisamente na rotunda para tirar uma "polingrafia" e sigo em direção a Vendas Novas, onde chego bem rapidinho. Paragem para esticar as pernas junto ao Quartel de Artilharia e aproveito para tirar mais umas fotos.



Entretanto a barriga começa a dar horas e toca a seguir viagem até Montemor-o-Novo, local onde habitualmente costumo parar quando venho para estas bandas. Existe lá um café que tem umas empadas de galinha e uns rissóis de leitão que são deliciosos.

De volta à estrada, o sol começa  a aquecer e lá vai a Valentina devorando quilómetro após quilómetro, alegremente.

Ponteiro do velocimetro sempre entre os 100 e os 120 e o conta-rotações entre as 6 mil e 7 mil, foram uma constante nesta viagem. Só por duas vezes é que "apertei" com ela e foi aos 150 km/h! Mas só foram 2 vezes, pois a Valentina tem de ser muito bem tratada!
E eis-me chegado ao Kartódromo de Évora, onde também parei e...mais umas fotos!





Andei um pouco por ali a passear, visitei as boxes, vi os karts todos alinhados à espera dos "pilotos" enquanto dois mecânicos iam cuidando deles. Achei muito interessante ver a forma cuidadosa como reviam cada um dos kart, inspecionando tudo desde apertos de tudo o que fosse parafuso, até à pressão dos pneus. Só demonstram que levam os Kart muito a sério e claro quem fica a ganhar com isso é quem lá vai, pois assim sabe que vai ter um kart em bom estado e seguro.

Do kartódromo a Évora é um pulinho, mas como conheço muito bem aquela cidade (e não lhe acho grande piada!) resolvi seguir logo em direção a Reguengos de Monsaraz e daí decidiria qual o meu destino. E claro tirar a foto para recordação, desta vez junto à praça de touros!



Em Reguengos decidi fazer duas coisas. Uma, era despir a tal camisola, pois o sol já ia alto e estava a ficar muito calor! Afinal Alentejo é Alentejo, né? A segunda, foi pegar no mapa e ver por onde iria! Ora por aqui, ou por ali? Vou em direção a Espanha? Naaaa...existe tanta coisa por aqui que não conheço? Mais uma olhadela e está decidido! Vou conhecer a nova Aldeia da Luz. E toca a andar!

Uma coisa óptima que esta zona do Alentejo tem, são as suas magnificas estrada. Largas, óptima visibilidade, o asfalto mais parece um tapete (de Arraiolos?) e a Valentina estava deliciada! Habituada a andar quase sempre em Lisboa, o seu pequeno motor ronronava alegremente enquanto os quilómetros iam passando por nós.


E de repente...uma paisagem simplesmente de outro mundo! O Alqueva em todo o seu esplendor! Simplesmente espetacular! Parei, desliguei o motor da Valentina e fiquei ali uns largos minutos a saborear aquele momento único. Que silêncio, que paz! Isto meu senhores, é melhor que qualquer anti-depressivo, ou anti-stressante que se possa tomar! Nada de químicos! Aqui é tudo puro!

Uma paisagem que me iria acompanhar durante muitos e bons quilómetros!



Entretanto vou fazendo umas paragens e fotografando o que acho interessante ou bonito. Estou no meio do Alentejo e existem coisas que só mesmo ao vivo e a cores se podem saborear. Uma coisa vos vou confessar. Não gostava do Alentejo, achava tudo muito árido, amarelo, mas com o Alqueva, tudo mudou! Tudo está verde, fresco, agradável. Sinceramente, mudei de opinião! 

O Alentejo está magnífico!





Entretanto cheguei à Aldeia da Luz e...agora percebo.
Inaugurada em 2002, é tudo novo, limpo, as paredes das casas imaculadamente pintadas de branco, tudo muito certinho, mas...falta-lhe algo. A sua história! História que se perdeu com a destruição da "antiga" Aldeia da Luz, a verdadeira. Andei por ali um pouco e... das poucas pessoas que vi, todas pareciam autómatos. Pessoas a quem lhes tiraram a "alma" e que agora vivem ali porque não têm mais lado nenhum para ir. A Aldeia da Luz morreu. Esta, a nova, é uma aldeia triste, sem vida, sem alma, uma coisa quase que diria asséptica. Até o relógio da igreja estava parado. Parece que o tempo parou quando a Luz ficou debaixo de água. Resolvi sair dali, é um sitio triste, que nos põe tristes!





O calor apertava, mas a fome ainda apertava mais e por isso resolvi que, no próximo local onde parasse, teria de encontrar um restaurante para almoçar...e acabei por parar na Aldeia da Estrela.


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Estas duas últimas fotos retiradas do site do Restaurante Sabores da Estrela com a devida autorização da dona do estabelecimento.)

Que diferença entre a Aldeia da Estrela e a Aldeia da Luz! Esta tem vida! Respira vida! E tem um restaurante que só por causa dele, vale a pena fazer uma visita.

Almocei no Restaurante "Sabores da Estrela". Uma óptima esplanada com vista para o Alqueva e comida divinal! A escolha era muita e por isso difícil, mas como é Alentejo decidi-me por um prato típico! Açorda de bacalhau que estava simplesmente deliciosa! E para arrematar, um delicioso arroz doce, ainda morno! Só de me lembrar....já estou outra vez com fome!




Por mim ainda ficava ali mais um bocado e quem sabe até para jantar, mas a Valentina esperava por mim ansiosa por se fazer á estrada e as horas também estavam a passar e...toca a andar!
Ora bem, vou dormir à Quarteira, está decidido! Sou um gajo de arranques, não sou!? Sendo assim toca a rodar!
Lá vou eu em direção a Mértola! Pelo caminho vou parando aqui e ali, para tirar umas fotos e descansar um pouco, pois a Valentina é muito confortável, mas, já andei muito e o cansaço começa a aparecer. Ainda por cima está muito quente e toca a despir mais uma camisola, ficando apenas com uma t-shirt e o blusão! Ah, assim está melhor, até me mexo mais e tudo!
Foi nesta parte da viagem onde apanhei as piores estradas! Até Mértola e quase até Castro Marim as estradas estão em péssimo estado. De vez em quando lá se fazem meia dúzia de quilómetros em piso menos mau, mas depois lá vem aquele alcatrão não alisado de onde uma pe-pe-ssoa sa~sai aos tre-tre-me-me-liques!




E cá estou eu no Algarve e...a Valentina precisa de gasolina e...vou ali num instante a Ayamonte, já volto!

Uma voltinha por Ayamonte para atestar o depósito e porque não dar um pulinho até Isla Canela?
Quando atestei não resisti e tirei uma fotos! Uma, ao placard com os preços dos vários combustíveis. Outra realidade não acham? Façam lá a comparação com os preços praticados neste cantinho à beira-mar plantado! Andamos a ser enrab**** a sangue-frio! E o pior é que continuamos a deixar que o façam! Adiante...não é hora de falar nessas m*****!

Fotografei também um velho Cadillac, assim para o piroso que estava à venda! Reparem no volante? Quem é que seria o dono daquele carro? lol

Em Isla Canela estive pouco tempo, pois o tempo começava a ficar frio e ventoso, já era tarde e ainda tinha muitos quilómetros pela frente até à Quarteira.







De regresso a Portugal e tal como disse  no ínício, evitar a todo o custo as AE ou vias rápidas, lá vou eu pela N125 em direção a Quarteira. Faço mais uma paragem, desta vez antes de Olhão,  mais precisamente na Moto Pires. Lá encontrei precisamente o Senhor Pires, que já se encontrava a arrumar as motos para fechar o Stand. O certo é que fiquei ali mais de meia-hora em amena cavaqueira com ele. A Moto Pires já existe à 33 anos e pelo que me disse é quem mais vende motos Sym, na zona do Algarve! Falámos das motos, da minha viagem e foi simpático ao ponto de me mostrar as instalações e aquilo é enorme! O que existe ali de motos e peças, é um mundo! São vários armazéns atafulhados de tudo o que é peças, tanto para cinquentinhas, como para as mais potentes, antigas ou novas! Ali existe tudo! Fiquei impressionado.
Também lhe perguntei se já lhe tinha aparecido alguma GTS 125 com falhas  no ralenti e ele disse-me que até á data não. Quando lhe contei o que se passava com o ralenti de algumas GTS 125, ele disse-me que o problema também poderia ser de, pelo facto de serem motores novos, as válvulas estarem muito justas e por isso o motor não funciona como deve ser e vai abaixo. Quem sabe, não terá ele razão!? Afinal são muitos anos a "virar frangos"! Lá está, se assim for, mais uma razão para se fazer uma rodagem muito bem feita às motos novas. Aquilo vem tudo muito justo, muito preso e se, esforçadas no ínício de vida, depois mais tarde, vêm a ter problemas de consumo de óleo, devido á má estanquecidade dos segmentos e válvulas.

E pronto, mais uns quilómetros andados e cheguei ao Hotel Zodiaco, na Quarteira, onde iria pernoitar.

Ena, hoje rodei 546 quilómetros! A Valentina está doida!



Check in feito, foi entrar no quarto, tomar um duche, mudar de roupa e ir jantar. Desta vez decidi deixar a Valentina a descansar no parque do hotel e fui a pé até à marginal da Quarteira onde escolhi o restaurante onde iria jantar. Na Quarteira faço sempre a mesma coisa. Escolho, escolho e acabo sempre por escolher o mesmo restaurante! Lá fui eu ao PicNic comer o que sempre como quando vou lá: uma deliciosa sopinha de peixe e uma espetada de lulas acompanhada por batatas à murro e feijão verde cozido e claro, o molhinho de manteiga a acompanhar, que tão mal faz, mas tão bem sabe!
E... não tirei fotos do jantar, pois como fui a pé não levei a máquina fotográfica. Fica para a próxima!

Por hoje chega, estou cansado, mais tarde escrevo sobre o resto da viagem... até já!

(Clicar nas imagens para aumentar)

Carlos Veiga (12/04/2012)