quarta-feira, 14 de outubro de 2026

YAMAHA TMAX 530 - SUPREMA! (REPOSIÇÃO)

Enquanto não chegam os ensaios, já agendados dos novos modelos de scooters (a coisa leva o seu tempo, entre o dia em que é feita a marcação, até ao dia do levantamento da scooter, o respetivo ensaio e sessão fotográfica e depois mais uns dias para tudo ser cozinhado e finalmente publicado), vou publicando, ou melhor, republicando, alguns dos ensaios que mais gozo me deram a fazer.

Portanto, aqui está o ensaio que efetuei com a Yamaha TMax 530, já há alguns anos.

Espero que gostem.

Vamos lá a ver se nos entendemos! Sim a Yamaha TMAX530 é uma "scooter" cara! Ainda mais na versão aqui em teste, a luxuosa DX.  

Só que vale cada cêntimo que custa! ´´

Escrevo isto logo no princípio do texto, assim a "seco", porquê? 

Simplesmente porque, na minha opinião, estamos perante a melhor "scooter" do mercado!" 

Assim mesmo, sem espinhas!

Sim é verdade, existem scooters mais confortáveis, existem scooters mais velozes e sim, provavelmente também existem scooters com mais equipamento mas, quando analisamos tudo o que esta tem para nos oferecer, a conclusão a que chegamos só pode ser uma: 

A Yamaha TMAX 530, continua a ser a melhor scooter do mercado!

Então ma,s este começa este teste pelo fim? - Perguntam vocês? E eu respondo, sim e não!

Sim, porque é impossível não ficarmos maravilhados com a TMAX!

E não porque, como é lógico, tenho de pelo menos tentar explicar, como é que cheguei a esta conclusão embora o que na realidade me apetecia, era ficar já por aqui, publicar apenas estas linhas e ir dar mais uma volta com a "Tê", antes de a devolver à Yamaha Motor Portugal! 

Como muitos de vocês sabem, já ando nesta coisa dos blogues, testes e afins há "bué time" e por isso mesmo são poucas as máquinas de duas (e também de quatro) rodas que conseguem  surpreender-me. 
No entanto, a scooter aqui em teste é dos poucos veículos de duas rodas que conseguem isso mesmo, surpreender-me e colocar-me um sorriso parvo na tromba, sempre que conduzo uma! 

Olhem bem para as fotos que ilustram este trabalho e digam-me se esta nova TMAX, não está fantástica?

A frente, voltou a ter aquele ar de "femme fatale", sensual e provocadora que a primeira das "530" possuía e que se perdeu algures na segunda geração.

E a traseira, com aqueles dois farolins colocados nos extremos a rodearem o pequeno símbolo do diapasão? Por certos, muitos serão enganados ao vê-la por trás, pensando que estão perante uma RR.

Apenas não gosto do posicionamento dos espelhos retrovisores, "agarrados" às laterais da carenagem frontal e das hastes, cada vez mais largas. A sua colocação, lá tão na frente, além de prejudicarem a sua regulação - sendo praticamente impossível fazê-lo em andamento- , também  faz com que a scooter fique demasiado larga, obrigando a cuidados redobrados quando pretendemos circular pelo meio das filas dos automóveis.

Ao subirmos para a TMAX, algo salta imediatamente à vista: esta scooter não é para quem seja curto de perna. Sim, não é uma scooter alta, visto que este novo modelo até está mais baixo 10 mm que a anterior, só que a "Tê" sempre foi muito larga, devido ao posicionamento central do motor e por isso "rouba" perna ao condutor. 
Aliás, basta vermos que, ao contrário da maioria das scooters em que passamos a perna pelo meio da scooter quando nos sentamos, aqui temos de levantar a perna, como fazemos numa moto "normal". 
Para terem uma ideia, meço 1,75 metros de altura e na "Tê" fico em bicos de pés.

Sento-me e reconheço imediatamente a "velha" posição de condução que para mim é perfeita, destacando-se o posicionamento do guiador, mais baixo do que é normal encontrarmos nas scooters, transmitindo-nos aquele "feeling" que estamos a bordo, se não de uma moto, mas sim, de uma scooter muito especial. Existe espaço com fartura para todos, dos mais leves ao mais, digamos, avantajados.  
Podemos esticar as pernas lá bem para a frente, para uma condução mais descontraída ou puxá-las cá bem para trás, numa posição tipicamente de moto, quando pretendemos efetuar uma condução mais agressiva. 

Tudo depende do nosso estado de espírito, pois tudo esta scooter permite, ainda mais nesta versão DX, a versão de luxo da TMAX.

Sim, podemos dizer que a Yamaha "caprichou" na DX (existem mais duas versões a básica e a SX, a desportiva), arrasando por completo com a sua concorrência mais direta e até agora melhor equipada, proveniente da terra das salsichas. Para bom entendedor...

Assim, além das melhorias efetuadas no comportamento dinâmico, que falarei mais adiante, falemos agora ao equipamento e aos extras que possui, em relação às outras duas versões.

Para começar temos o para-brisa com regulação elétrica (por sinal excelente, pois sobe e desce rapidamente, sem vibrações ou barulhos) com um ajuste que pode chegar até aos 135 mm de amplitude, oferecendo uma ótima proteção do vento. 

A seguir podemos falar também dos punhos aquecidos, com indicação no ecrã digital do painel de instrumentos tal como o aquecimento do assento. Exatamente! Além da tradicional proteção do frio que temos numa scooter, graças aos "tupperwares",  também viajamos com as mãozinhas e o "traseiro" aquecidos, mordomias únicas desta versão mais luxuosa.

E... como não podia falta numa versão ainda mais "Premium", a DX vem equipada com Cruise Control. Ah pois é! 

O painel de instrumentos é totalmente novo, embora mantendo a ligação às anteriores versões que é o mesmo que dizer que temos à nossa frente dois "relógios" analógicos e no meio destes, está situado um novo ecrã TFT que nos fornece informações sobre a temperatura do motor, depósito de combustível, conta-quilómetros total e dois parciais, consumo médio e instantâneo, temperatura exterior, funcionamento dos punhos e assento aquecidos, elevação do para-brisas e restantes informações, onde se incluem também o TCS (Controlo de Tração) e o D-Mode (Modos de Condução).

No painel de instrumentos – e isto é apenas a minha opinião pessoal -  dispensava aqueles "penduricos" plásticos junto aos algarismos, tanto no velocímetro, como no conta-rotações. Para mim estão lá a mais e dão um aspeto "mais barato" a tão refinado painel de instrumentos.  Senhores designers da Yamaha, por vezes "menos é mais"!

Logo ao sentar-me na Tmax, reparo imediatamente que está mais manobrável quando parada, sinónimo de maior leveza e a culpa é do novo quadro de alumínio que pesa menos 9 kg que o anterior. 
Também o braço oscilante é totalmente novo, mais largo 40 mm.

E é também por "culpa" do novo quadro que a "bagageira" da TMAX, debaixo do assento, é ligeiramente mais espaçosa, cabendo agora mais à vontade qualquer capacete integral ou modular e mais alguma tralha ou, com algum jeito e desde que não sejam cabeçudos, um integral e um jet.

Outra boa surpresa: a nova Smart-Key! Tão diferente! Bem mais magrinha, maneirinha e fácil de transportar no bolso do blusão ou das calças, do que o "calhamaço" da versão anterior. Também a forma de funcionamento é agora bastante mais simples e eficiente, não sendo  preciso aquele "enorme" comando situado à frente do condutor.

Agora tudo é mais prático: o sistema é ligado através do botão do Start. Um toque ativa o sistema, dois toques, temos o motor em funcionamento. Para desligar o motor, existe um pequeno botão situado no lado esquerdo do guiador.

Para abrirmos o assento ou a tampa que dá acesso ao local onde está situado o tampão do depósito de combustível temos na frente do assento, dois botões, um para cada uma destas funções. Pena a qualidade do cromado destes dois botões ser, digamos, tão "chinesa"...

E ainda mais uma surpresa. Não é que quando colocada no descanso central, e o sistema desativado, este bloqueia o descanso, sendo praticamente impossível retirar a scooter a não ser que se arraste? Como é óbvio, os amigos do alheio não vão achar muita piada a isto!

Chegou a hora da ação: um toque no "Start" para ativar o sistema e mais outro para acordar o propulsor de 2 cilindros e aí está aquele ronronar grosso que, num ápice, nos faz recordar os bons momentos vividos a bordo de todas as Tmax que já tivemos o prazer de conduzir. Que maravilha!

O propulsor é o mesmo bicilindrico paralelo de inclinação frontal que equipa as anteriores 530 mas, com algumas alterações que, apesar de não serem referidas pela Yamaha, são de alguma forma sentidas na forma como progride na faixa de rotações – "culpa" do D-Mode que nos fornece dois modos de condução diferentes (Modos T e S). 

Ao sair das instalações da Yamaha reparo que a "Tê" está mais fácil de manobrar e para mim, que conheço bem as antigas gerações, voltar a conduzir uma, é como que um "regresso a casa" e por isso, aquele período de contenção que normalmente me obrigo a fazer, ou seja, rodar os primeiros quilómetros nas calmas para me habituar ao "bicho", com a DX não aconteceu e mal vi que a temperatura do motor era a ideal, "lá vai disto" e num instantinho dou por mim a 160 km/h! 
Ok, para os "maluquinhos" das velocidades, posso dizer que esta DX, ainda pouco rodada, atingiu em reta os 170 km/H e a descer o ponteiro do velocímetro passou ligeiramente dos 180! 

Ah pois é! A Yamaha TMAX 530 continua um foguetão! 

Mas insistem vocês: existem scooters que andam mais, não existem? Pura verdade e assim de repente posso citar o nome de duas que também já passaram aqui pelo Gosto de Scooters: a BMW C650 Sport e a Aprilia SRV850, só que... e aqui é que a "TÊ" faz a diferença, quando chegam as curvas e quando bem conduzida, até chega a "assustar" algumas desportivas. 

E se as anteriores já curvavam bem, esta nova geração consegue ser ainda melhor e isto devido às alterações a que foi submetida que, como referi atrás, passam pelo novo quadro em alumínio e braço oscilante, 40 mm mais comprido, alterações na suspensão traseira e a continuação da forquilha invertida na dianteira. 

O resultado é uma condução fantástica, seja em que tipo de estrada for, quase podendo dizer que a TMAX ensina-nos a curvar, tal a forma como se inclina e a segurança que transmite, mesmo quando abusamos pois também sabemos que se for necessário, podemos contar sempre com a fantástica travagem que esta máquina possui (duplo disco à frente de 267 mm e um disco na traseira de 282 mm e ABS) 

Ora, sabendo que as versões anteriores da TMAX, não eram propriamente económicas, não deixei de ficar surpreso ao verificar que esta DX  gastou menos que a versão anterior. 

Isto quer dizer que muito graças ao sistema YCC-T, novo filtro de ar e mais alguns "retoques", fez os seguintes consumos:

1ª Medição – Condução normal do dia-a-dia, sem ter medo de rodar o acelerador sempre que me apeteceu (e foram muitas vezes!) Cidade, vias rápidas com muito trânsito e autoestrada. 

Consumo – 5,1 Litros

2ª Medição – Passeio de domingo (com um delicioso cozido à portuguesa pelo meio", sempre nas calmas com, aqui e ali, umas curvinhas feitas "à maneira", sempre que a isso a estrada "obrigava".

Consumo – 4,1 Litros

Como prezo muito o meu "cabedal" e por culpa das condições meteorológicas (piso molhado e muito vento), no dia destinado a tal, não foi possível efetuar a 3ª Medição, mais conhecida como "acelerador a fundo e fé em Deus"!

Acredito plenamente que com uma "Tê" mais rodada, os "maluquinhos" das médias e consumos baixos conseguirão baixar dos 4 litros, só que, na minha opinião, quem quer fazer consumos baixos não compra uma TMAX 530, mas sim uma Nmax 125! 

 Conclusão – Finalmente terminei de escrever este texto pois já passaram alguns dias desde que devolvi a "Tê" e agora, ao reler tudo o que escrevi, tentando de forma infrutífera, transformar em palavras todas as sensações de conduções sentidas aos comandos da Yamaha TMAX 530 DX, posso dizer apenas o seguinte: após ter testado tantas motos e scooters ao longo de muitos anos, confesso que esta máquina é das poucas que consegue deixar-me cheio de saudades! 
Deve ser por isso que, comparando com outros modelos, o número de TMAX que encontramos no mercado de usados, é quase residual pois quem adquire uma TMAX, nunca mais se separa dela a não ser... por outra mais moderna.

Que máquina fenomenal!

Fatores Positivos:
- Design.
- Qualidade dos acabamentos.
- Iluminação.
- Motor: disponibilidade e facilidade com que sobe de rotação:
- Sonoridade do escape.
- Equipamento de onde se destaca a Smart-Key,  os punhos e o assento aquecidos e o para-brisas com regulação elétrica. 
- D-Mode com dois modos de condução ( T e S).
- TCS (Controlo de Tração
- Comportamento dinâmico (ainda melhor!)
- Facilidade de condução.
- Travagem à prova de tudo!
-Travão de parqueamento.

Fatores Negativos:
- Espelhos retrovisores
- Qualidade dos 2 botões que abrem o depósito de combustível e a "bagageira".
- Não ser minha!

Especificações técnicas 

Motor - 2 cilindros paralelos de inclinação frontal, refrigeração líquida, 4 válvulas;
Cilindrada – 530,0 cc.;
Potência – 45, 9 cv às 6.750 rpm;
Binário - 53,0 Nm às 5.250 rpm;
Alimentação - Injeção de Combustível, (Ignição TCI)
Transmissão - Automática, com correia trapezoidal;
Suspensões
Dianteira - Forquilha telescópica (curso 120 mm);
Traseira - Braço oscilante, monoamortecedor (curso 117 mm)
Travões
Dianteiro - Disco duplo (267 mm);
Traseiro - Disco (282 mm);
Pneus 
Dianteiro – 120/70-15;
Traseiro – 160/60-15;
Dimensões
Comprimento - 2.200 mm;
Largura - l765 mm;
Altura - 1,420-1,555 mm (para-brisas ajustável);
Altura do assento - 800 mm;
Distância entre eixos - 1.575 mm;
Distância mínima ao solo - 125 mm;
Depósito Combustível - 15 Litros;
Peso - 216 kg.

Classificação Final 
(scooters acima dos 400 cc)
@@@@@@@@@@@
(9,5 pontos em dez possíveis) 


Carlos Veiga (2018) 
Reposição - 14/10/2026



segunda-feira, 12 de outubro de 2026

EICMA 2026 - Já falta menos de um mês!

 

 O EICMA - Esposizione Internacionale Ciclo Motociclo e Acessori – existente desde o longínquo ano de 1914 é, há muitos anos, uma espécie de Natal antecipado, para todos aqueles, que tal como eu, adoram motos.

A mim faz-me ter as mesmas sensações que tinha quando era miúdo, em que encostado com o nariz nas vitrines iluminadas por milhentas luzinhas brilhantes, ficava deslumbrado com todos aqueles maravilhoso brinquedos ali expostos, mas que sabia de antemão, que, na maioria dos casos, nunca os iria ter. 

É assim, para mim, o EICMA, uma enorme montra, cheia de novos brinquedos, que posso ver, quiçá, aqui ou ali, poder tocar ou até brincar alguns dias com eles, mas que na realidade não serão meus, por causa da minha crónica “falta de t€mpo”!

Só que, o EICMA  de 2026 poderá ser ainda mais importante, do que tem sido até aqui, não apenas por causa das habituais novidades apresentadas, mas porque poderá mostrar-nos uma coisa muito importante:

Será que, finalmente, vamos poder assistir, à resposta dos construtores já instalados no mercado, a esta invasão realizada por parte dos construtores chineses, os quais, como podemos ver, estão a ficar cada vez mais confortáveis, no espaço crescente que vão ocupando no mercado?

Sim, aqui não há dúvidas! Marcas como a CFMOTO, Voge, QJMotor, Zontes, Kove, Benda e outras marcas chinesas, estão a efetuar um ataque avassalador, apresentando motos cada vez mais sofisticadas, bonitas, bem equipadas e, sobretudo, com preços muito competitivos.

Ou seja, o tempo do "é chinesa, sim é barata mas não presta!", já começa a pertencer  ao passado, apesar da existência de algumas dúvidas em relação à fiabilidade destas motos, a longo prazo.

E depois existe agora umas novas questões sobre as quais ainda não existem respostas:

- Como é que conseguem vender esta moto, ou aquela scooter, por este ou aquele preço? Será  pura estratégia de marketing, apresentar, nesta primeira fase produtos a custo baixo, para surpreenderem, tanto os clientes, como as marcas rivais e mais tarde, efetuarem o devido reajustamento e então aí sim, pedirem o devido valor pelos produtos que vendem, de forma a terem lucro? Não era a primeira vez que via isto acontecer…

Ou então, será que, estes são mesmo os preços pelas quais comercializam os seus produtos, tanto no presente como no futuro e mesmo assim conseguem ter margens de lucro?

Ok, nós sabemos que por detrás de todas estas marcas está um patrocinador comum, um “midas” que investe de forma quase infinita, nesta invasão comercial que muito lhe interessa, e que se chama estado chinês, estando a acontecer exatamente o mesmo no mercado automóvel, em relação aos automóveis elétricos, os as marcas chinesas já se encontram confortavelmente instaladas e dominam. Os números não mentem e tal como no final da década de sessenta “A Toyota veio para ficar e fico mesmo!”, cada vez mais, tenho a impressão que as motos e carros chinesas vieram para ficar!

E é aqui que está o cerne principal de tudo, com a pergunta que vale tudo e mais um “par de botas”:

- Terão as marcas já instaladas - e até agora de forma muito confortável – no mercado, capacidade de resposta para este feroz “ataque” proveniente da China?

Vão fazê-lo? Quererão fazê-lo? Ou vão permanecer no estado de semi-hibernação em que têm estado nos últimos anos, onde, fora um modelo novo, aqui e acolá, as novidades basicamente resumiam-se a renovações de modelos já existentes, ou até simplesmente novas cores e decorações?

Ou será que vai ser no EICMA 2026, que iremos assistir a uma resposta capaz e “viril” daqueles que já se encontram no mercado há muitos anos?

Sabem aquelas relações que duram muito tempo, monótonas, aborrecidas, mas sobretudo fiáveis, e que de repente, pomos em causa, quando aparece aquela “brasa” que nos faz ficar de olhos em bico e que coloca em dúvida, todas aquelas certezas que tínhamos até ao momento? Pois… é o mesmo que esta acontecer nas motos, com a chegada destas lindas e muito atraentes chinesas!

E o que terão a dizer marcas como a Honda, Yamaha, Suzuki, Kawasaki, BMW, Ducati, Triumph, KTM, Aprilia e muitas outras?

Vão ter uma resposta à altura mostrando quem realmente manda no mercado?

Uma coisa eu sei: capacidade para isso não lhes falta!

No caso dos japoneses continuam a ter uma experiência gigantesca, motores excelentes e uma reputação construída durante décadas, sobretudo devida à elevada fiabilidade dos seus produtos.

Quanto aos europeus, estes possuem a tecnologia, o design (onde os italianos continuam a ser os mestres!), a tradição, construída através de muitos anos de história e, em muitos casos, uma personalidade única e inimitável.

No entanto, o problema principal, será sempre o mesmo: o preço!

E é aqui que o motociclista fica confuso, sobretudo os mais jovens e também os menos velhos, mais dados a tudo o que seja zingarelho eletrónico, pois irão sempre fazer a comparação entre uma moto chinesa equipada com uma quantidade absurda de equipamento e outra, a qual, apesar da assinatura consagrada que possa ter no depósito da moto e da segurança que isso poderá trazer, possui muito menos equipamento e na maioria das vezes, custa bastante mais!

E como todos nós sabemos, o dinheiro está cada vez mais caro e por isso, na maioria das vezes, o valor a pagar, acabam por estragar qualquer paixão. Quanto ao tipo de motos e pelo que temos visto até aqui – apesar das marcas chinesas já estarem a enveredar, cada vez mais, por outros segmentos – penso que as grandes batalhas, pelos menos nos tempos mais chegados, continuarão a acontecer na faixa das médias cilindradas, entre os 400 e os 900 cc.

Um dos grandes campos de batalha continuará a ser o das motos entre os 400 e os 900 cc. Sobretudo devido à sua polivalência, pois tanto servem par ao dia-a-dia, como para aquele passeio mais longo de fim de semana ou até mesmo aquela viagem de vários dias/semanas e milhares de quilómetros rodados.

E é precisamente neste tipo de máquinas, em que os chineses se aplicaram e se aplicaram, percebendo que é o tipo de moto que cada vez mais as pessoas querem, uma espécie de “pau para toda a obra”.

E neste momento também estamos a assistir a outro “ataque” vindo dos construtores chineses, e falo das scooters, não no caso das de pequena cilindrada, mas sobretudo, estamos a assistir à chegada de novas scooters, cada vez mais potentes e mais equipadas, zona onde as principais marcas que apostavam neste tipo de segmento, apostaram e que parece que se esqueceram.

Basta ver as scooter de cilindrada e potência mais elevada que desapareceram dos catálogos das marcas, para percebermos o desinteresse das marcas neste segmento.

Onde andam as maxiscooters? Burgman 650, Silver Wing 600? Fuoco 800? SRV 850, que eram tão do agrado de tanto motociclistas, sobretudo dos mais antigos, que não querendo deixar o mundo das motos, pretendiam motos mais fáceis de conduzir, mas que não os obrigasse a baixarem (muito) de cilindrada.

E veículos de duas rodas, movidos a… eletricidade? O que podemos esperar?

Sim, penso que aqui, também podemos esperar alguns novidades e que também poderemos assistir a um ataque, ainda que muito tímido, por parte dos fabricantes chineses, pois conhecimento na área é algo que não lhes falta, não sendo por acaso que dominam o mercado mundial de veículos de quatro rodas!

Assim sendo, como será o EICMA 2026?

Vamos continuar a assistir ao completo domínio da China, no que diz a novos modelos, cada vez mais atrativos e competitivos?

Ou iremos assistir ao contra-ataque furioso dos construtores europeus e japoneses, nada contentes com aquilo em que o mercado se está a transformar?

Só o ficaremos a saber a partir do dia 3 de novembro, quando as portas do EICMA 2026 se abrirem em exclusivo para a imprensa.

O público, poderá  ter acesso às novidades, a partir do dia 5 até ao dia 8 de novembro e sonhar, tal como eu sonhava, com o nariz encostado às montras de Natal…

Carlos Veiga (12/10/2026) 

 

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

GostodeScooters. como tudo começou!

Agora que o GostodeScooters, voltou a "bombar", nada como recordar como tudo começou, já lá vão 17 anos!

 06/09/2009

Pois, o meu grande problema era mesmo esse: como iniciar este blogue!

Sei que vou ter muito tempo para me apresentar, escrever e falar sobre scooters, pedir opiniões, ler outras opiniões, etc, etc...mas o dilema continua, como iniciar da melhor forma este blogue!?

Ora bem, como em principio no próximo fim-de-semana irei buscar a minha nova "amante", nada melhor, para começar este blogue, do que escrever sobre a minha "falecida" Sym GTS 250i.


Tudo começou quando andando a vadiar, como sempre na net, à procura de tudo o que é relacionado com motos, tomei conhecimento da existência da Sym GTS. Entra em site, sai de site, entra em fórum, sai de fórum, blogues, etc, etc, fui conhecendo a marca Sym  e ao mesmo tempo ia ficando apaixonado pela GTS 250i.

Uma das coisas que mais me irrita tanto nas motos como nos carros é o facto dos construtores seguirem as modas, ou tendências, ou seja vão todos uns atrás dos outros no que toca a design. Ora esse foi um dos motivos porque adorei a GTS 250i.

Aquela frente, com aquele olhar de ciclope, a luz de presença circular e em leds (tal como o farolim traseiro, também em leds), coadjuvada pelos médios e máximos, eram bem diferentes de todas as que circulavam por aí.

Outra coisa que me espantou foram as dezenas, senão centenas de comentários positivos que li sobre esta scooter, todos exaltando e enumerando as qualidades da Sym, tanto ao nível da qualidade de construção, como fiabilidade, equipamento, motor e economia, isto tudo ajudado por um preço de guerra!

Dei logo corda aos calcantes e comecei as minhas investigações por cá, tendo entretanto descoberto que a Sym era comercializada em Portugal, pela Veículos Casal, importadora da Suzuki. Nesta fase pensei eu, "ora se a Veículos Casal, importadora da Suzuki é quem importa a Sym, então é mais um sinal de que esta marca, conotada como made in Taiwan  e por isso metida no rol das "motos chinesas", não deve ser assim tão má. 

Entretanto surgiu outro problema: por ser uma marca nova em Portugal e apesar de ser comercializada nos concessionários Suzuki, a verdade é que nenhum dos stands tinham uma GTS 250i em exposição! 

Fui a vários, incluindo alguns dos mais afamados na zona de Lisboa e da GTS, nickles. Sim eles tinham algumas Sym, mas eram cinquentinhas e mesmo assim muito poucas. Ora como é possível quererem vender, se não tem motos em exposição? Isto é uma forma de vender motos que eu não percebo, mas abordarei este tema lá mais para a frente, noutro texto!      

Quando começava a pensar que nunca iria ver esta moto ao "vivo e a cores", eis que num belo dia e por acaso circulando no IC19, resolvi fazer um pequeno desvio até Paiões (Cacém) e visitar pela 1ª vez a JCG Motos, stand que conhecia das revistas da especialidade. 

E qual não foi o meu espanto quando entro no Stand e vejo lá ao fundo, assim meio escondida aquela que viria a ser a minha Scooter: a GTS 250i, Cinza metalizado escuro. 

Foi sem dúvida amor à primeira vista.!!!

Olhei, mirei, sentei-me, apalpei, cheirei e sim, é esta que vou comprar! E comprei. Entretanto aproveitei e comprei também uma Sym XS 125 da qual escreverei também aqui umas letras, mas mais á frente!

Crédito aprovado e ao fim de uma semanita (de dolorosa espera!) eis que vou buscar a Scooter!

E desde esse dia (25 de Agosto de 2008) até ao dia 2 de Fevereiro deste ano a GTS foi uma maravilha, transportando-me durante mais de 16 mil quilómetros, até até aquela fatídica manhã de 2ª feira onde, uma senhora chinesa (tinha de ser chinesa!, Só pode ser gozo!), conduzindo um Honda Civic, esqueceu-se que tinha à sua frente um sinal de Stop, não parou, atravessou-se à minha frente e.....foi o fim da GTS 250 i e ia sendo também o meu fim!


A GTS foi para a sucata e eu depois de 5 costelas partidas, o baço retirado e mais uns problemazitos no pulmão e rim direitos, aqui estou, ainda a ser seguido pelos médicos da companhia de seguros (tb escreverei algo sobre estes senhores!), mas prontinho a ter uma nova scooter e totalmente apaixonado pela minha nova aquisição e provavelmente a razão do nascimento deste blogue. 

E quem é essa "menina"? Uma linda e muito sensual Sym GTS 300i,  que apresentarei aqui assim que a tenha.

Quanto à falecida Sym GTS 250i, claro que terá sempre um lugar muito especial no meu coração pois não há amor como o primeiro e neste caso e apesar de já ter tido muitas motos, foi a minha primeira scooter com mais de 125 cc!!!!!

Sejam bem vindos e espero que gostem do meu "estaminé"!

Veiga 

Quando menos se espera...

07/10/2009

O acidente acontece! Foi o que me aconteceu!


Deixo-vos aqui duas fotos da GTS 250i, no estado em que ficou após o encontro imediato com o Honda Civic da tal chinesa.

Tinha arrancado de uns semáforos 30 metros antes e a dita senhora aparece-me vinda do lado direito. Ainda tentei fugir para a faixa contrária, mas estava ocupada por veículos que circulavam no sentido contrário e que se preparavam para arrancar e assim foi impossível desviar-me e evitar o embate!

A roda dianteira da moto bateu contra o pneu da frente do carro e o guiador da moto deu uma guinada violenta para a esquerda. Foi precisamente o guiador que acertando  no meu lado esquerdo, partiu-me  cinco costelas e fez com que o meu baço simplesmente explodisse!!!

A minha sorte é que ia a passar, exatamente naquele momento, uma ambulância do INEM que prontamente me socorreu e transportou para o hospital, ou seja, a assistência chegou ao local em menos de 2 minutos!

Outro fator decisivo para poder estar aqui a escrever estas palavras e não a "fabricar tijolo" no cemitério de Carnaxide, foi o facto de estar, na altura, nas urgências do Hospital S. Francisco Xavier, um médico, o qual, vá se lá saber porquê, olhou para mim e reparou que algo de grave se estava a passar, pois eu estava a mudar de cor, literalmente, a ficar cinzento, segundo ele depois me disse! 

Perguntou a razão de eu ali estar, foi informado que tinha sido um acidente de moto e que estava à espera para ir fazer uma radiografia, pois queixava-me de dores no lado esquerdo.

Ele agiu imediatamente e disse que em vez de um raio X, eu deveria fazer imediatamente e com a maior brevidade possível uma TAC e que iria acompanhar-me.

Tac efetuada e lá veio o diagnóstico: o baço explodiu! E como se não bastasse, tinha cinco costelas partidas, e também um "toque" no rim e pulmão esquerdos.

Resumindo, se não tivesse sido tão rapidamente assistido por este médio, que por mero acaso estava naquela altura nas Urgências, quase de certeza que eu tinha "batido as botas", pois estava com uma enorme hemorragia interna. Após duas semanas nos cuidados intensivos, onde estive seis dias em coma induzido, devido à gravidade da situação, transferiram-me para o Hospital Egas Moniz, onde permaneci mais uma semana e picos, até ter alta.

A recuperação foi (e ainda está a ser) difícil, pois as dores causadas pelas 5 costelas eram quase insuportáveis. Ainda hoje passados estes meses todos doem-me à brava, principalmente quando estou muito tempo deitado na mesma posição, sendo frequente levantar-me  durante a noite, pois as dores ainda são intensas. Segundo os médicos  as dores vão passar com o tempo, mas nunca totalmente, pois as marcas estão lá!


Bom chega de desgraças, apenas achei que deveria contar o que tinha acontecido no acidente com a Sym GTS 250i.

Como podem ver pelas fotos, a scooter também ficou num estado lastimoso e foi dada como perda total pela companhia de seguros.

 Atualmente encontra-se estacionada num daqueles sucateiros existentes em Sacavém (foi lá onde tirei estas duas fotos) à espera que alguém a compre inteira ou que a comecem a desmanchar para aproveitarem peças.

A scooter só tinha seis meses...

Veiga

Enfim, finalmente, chegou!

20 Horas e 04 Minutos

Estava eu mais a filhota plantados à porta da Escola onde ela estuda, a aguardar pela minha mulher, que tinha ido a uma reunião de pais, quando o telefone toca:
Hum... pensei eu...J.C. Motos a esta hora? Será que aconteceu alguma coisa? Só podia ter acontecido para o José Carlos (dono do stand) me estar a ligar a esta hora!

- Carlos, boa noite! Desculpa estar a ligar-te tão tarde, mas é só para te pedir para ires ver o nosso site.


O que se passa? - perguntei eu.

- Nada, quero apenas que vás lá dar uma espreitadela quando puderes! Boa noite!

E desligou o telefone!

Claro que fiquei logo em pulgas e mal a minha  mulher chegou vinda da reunião, ala que se faz tarde!
Computador ligado (porque será que nestas alturas os computadores levam sempre tanto tempo a ligar???), Internet Explorer aberto e...ei-la!!

                    Toca a tirar a tampa da caixa e todas as protecções.

- Cuidado José Carlos, não a deixes cair!

- Olha para mim tão branquinhaaaaaaa!

Falta aqui qualquer coisa!

O boomerang

O ecrâ frontal

Proteção do escape

Uma bateria da Yuasa, e esta hein? Só coisinhas boas para a menina!

Toca a montar!

Já não falta tudo.

Ricardo: mãos à obra!!!

Bolas...o tempo não passa...

Sei apenas que até 6ª Feira, dia em que vou levantá-la, não vou dormir!

Mas, se tudo correr como planeado, então Sábado muito cedo, lá partirei eu para a 1ª voltinha a bordo da GTS 300i Evo.

Onde vou, não sei. Onde vou dormir, também não sei! Sei apenas que vou sem destino, partir bem cedo no Sábado e....chegar bem tarde no Domingo!

Veiga (very happy!)

Pois é, Já lá vão dezassete, anos, muita coisa aconteceu entretanto, mas tanto este blogue, tal como a "Valentina", apesar das mazelas e rugas, ainda estão "vivinhos da Silva" e recomendam-se!

Até já!

Carlos Veiga (07/10/2026)

terça-feira, 6 de outubro de 2026

A Invasão Chinesa!

 

Vantagens e desvantagens da entrada das marcas chinesas de motos, no mercado europeu/mundial

Nos últimos anos, o mercado europeu de moto e scooters, foi literalmente invadido pelas diversas e recentes marcas chinesas, como a CFMOTO, Voge, Benelli (so b gestão chinesa), Zontes, QJMotor, Kove ou Benda, etc. Esta dita “invasão” está a transformar um setor que, durante décadas, foi dominado pelos fabricantes japoneses e europeus e norte.americanos, através da  Harley-Davidson e a Indian.

O principal fator positivo desta tendência é o aumento da concorrência pois, com mais fabricantes a disputarem um espaço num mercado muito competitivo, mas que, de alguma forma se encontrava algo estagnado, os consumidores beneficiam de uma maior oferta de modelos e sobretudo, de preços mais competitivos.


Um dos aspetos mais favoráveis a que assistimos, nesta nova geração de produtos “made in China”, é a grande evolução no que diz respeito à sua qualidade.

Longe já vão os tempos (mais ou menos vinte anos, desde que as primeiras motos chinesas chegaram ou tentaram entrar no exigente mercado europeu) em que as motos chinesas eram frequentemente associadas a produtos de muito baixa fiabilidade, com algumas, como eu próprio vi, quase a desintegrarem-se ao fim de poucos quilómetros rodados.

Atualmente, marcas chinesas, muitas delas criadas muito recentemente e com uma  grande ajuda financeira do próprio governo chinês, investiram fortemente em engenharia, investigação e desenvolvimento, ao mesmo tempo que muitas delas,  estabeleciam parcerias com fabricantes europeus e fazendo acordos com os melhores fabricantes de componentes utilizam componentes de marcas reconhecidas internacionalmente, tais como, por exemplo e e apenas entre algumas, a Bosch, a Brembo ou KYB, incluindo também os melhores fabricantes de pneus, como a Michelin, Pirelli, etc.

Como é óbvio, a garantia oferecida pela maioria destas marcas de componentes, devido à qualidade e fiabilidade dos seus componentes, também contribuiu grandemente pela a forma como nós, fãs de motos e scooters, passámos a olhar para as marcas chinesas.


No entanto, na minha humilde opinião, a razão principal que ainda nos leva  a colocar como hipótese a compra de uma destas motos ou scooters, é o fator preço, pois, como todos bem sabemos e sentimos na pele, os tempos atuais não estão nada fáceis e mesmo mela dúzia de euros podem fazer (e fazem!) toda a diferença, entre podermos comprar uma moto/scooter desta ou daquela marca, ou simplesmente, não podermos! 

Muitas vezes não é apenas o valor do custo do veículo que conta, mas sim se depois, temos condições financeiras para o podermos manter, pois não é apenas comprar esta moto ou aquela scooter e.. já está!

 A isto, temos de acrescentar imediatamente o custo (que não é pequeno) do equipamento, mesmo que básico, para podermos andarmos de moto com conforto e segurança e isso passa logo pela compra de um capacete, luvas, casaco, botas, impermeável etc,  e se a ideia é andar acompanhado, então é este equipamento mínimo a dobrar o que equivale a dizer que a despesa também duplica. 

Depois temos o seguro e aqui, muita atenção ao seguro que escolhem, pois por vezes optar pelo mais barato é quase tão arriscado como simplesmente não ter seguro, pois quando “shit happens”, vemos que o seguro, escolhido por ser o mais baratinho, não cobre quase nada e ficamos totalmente desamparados e a pensar porque é  que não optámos por aquele outro que, apesar de ser mais caro, 10 ou 20 euros, era muito melhor. 

Voltando ao preço das motos/scooters,  o certo é que com a chegada destes novos modelos, muitos condutores conseguem agora adquirir motos de média cilindrada por valores bastante inferiores aos que eram (e em alguns casos ainda são!) praticados pelas marcas tradicionais, embora essa diferença, ainda existindo, vai sendo menor, pois as outras marcas já começam a reagir e já se vê algumas marcas, aqui e ali, ou através de campanhas, a reajustarem os seu preçários



E como não podia deixar de ser, a “cereja no topo do bolo”, destas novas máquinas chinesas é o facto de apresentarem um nível de equipamento muito superior na maioria dos casos, ao dos modelos que já existem no mercado. Ecrãs TFT, iluminação LED, sistemas de conectividade, travões ABS e controlo de tração, câmeras de filmar, etc, são já equipamentos totalmente banais nestas novas motos e scooters chinesas, até nas de mais baixa cilindrada e preço.

No entanto, nem tudo são “flores” para o mercado europeu de motociclos e esta nova "invasão" de motos e scooters chinesas também apresenta desafios, muitos desafios, logo a começar pela pressão exercida sobre os fabricantes europeus e japoneses, os quais, até agora, estavam praticamente adormecidos à “sombra da bananeira” enfrentam agora uma concorrência altamente preparada e baseada em custos de produção mais baixos. 

Como é óbvio, esta situação pode reduzir margens de lucro e obrigar algumas (provavelmente a maioria) empresas a reorganizar e as suas fábricas, podendo levar até ao fecho de alguma delas e por isso, também reduzir postos de trabalho.

Outra preocupação relaciona-se com a desvalorização no mercado de usados. Embora algumas marcas chinesas estejam a consolidar (ou pelo menos a tentarem) a sua reputação, o certo é que a grande maioria ainda apresentam uma valorização, como veículo usado, muito inferior quando comparadas com Honda, Yamaha, BMW, KTM ou Ducati, o que pode representar uma perda financeira para o proprietário quando a quiser vender/trocar.


Outro grande fator negativo tem a ver com a rede de assistência, no pós-venda, quando algum azar acontece.

Apesar do seu crescimento continuo, algumas destas marcas ainda possuem uma cobertura limitada de concessionários e oficinas autorizadas, o que pode dificultar em muito, o termos acesso a uma assistência especializada de confiança tal como o acesso a um rápido a peças de substituição, quando necessárias.

Outra dúvida que persiste e que para muitos como eu, é, o fator mais importante, quando chega a hora da decisão final da compra de um produto, seja ele, uma simples varinha magica, ou uma moto/scooter, tem a ver como a fiabilidade do produto em questão, sobretudo a médio/longo prazo. 

Como é óbvio, sendo marcas e motos /scooters novas, as muitas que já rodam por aí ainda não atingiram idade ou rodaram quilómetros suficientes para sabermos se são produtos fiáveis ou não e se podemos ter total confiança neles.

De nada significa andarem pelas redes sociais a gabarem as vossas motos/scooters chinesas, só porque já rodaram 10 ou 20 mil km e ainda não tiveram problemas. Voltem quando as vossas máquinas tiverem 80, 90, 100 mil quilómetros e aí sim, já poderemos começar a falar sobre fiabilidade e como é lógico, têm de ser sinceros, algo que muitas vezes não, pois para muitos a moto que adquiriram é a melhor do mundo e não dá problemas, não referindo que em alguns casos, passaram mais tempo na oficina do que a rodarem e isto, como é obvio, vale para todas as marcas e não apenas para as novas marcas chinesas. 

Tive um amigo tinha comprado uma moto problemática apesar de o ter aconselhado a não fazer, e o certo é que eu estava com razão, pois aquela moto andava mais de reboque do que na estrada e passou tempo na oficina do que na posse desse tal amigo. E quando eu lhe falava sobre os tais problemas ou avariada que a moto ia tendo, a resposta dele era sempre a mesma: Avarias? Quais avarias? Foram apenas pequenas afinações!


Ás novas marcas, falta “história” e isso é algo que apenas acontece ao fim de alguns/muitos anos, décadas até, de permanência efetiva no mercado e aqui também não tenho qualquer dúvida quando afirmo, que no final, daqui a uns anos, apenas algumas, as melhores, destas marcas, continuarão no mercado, pois muitas irão agregar-se ou ser aglutinadas pelas maiores, ou simplesmente vão desaparecer tão rapidamente, como apareceram e já vimos isto acontecer ao longo dos anos, não apenas com marcas chinesas, mas com muitas no geral, aliás, tanto nas motos como nos automóveis, vimos isso a acontecer

Existe ainda um fator muito importante e que tem de ser levado muito em conta que é a dimensão económica e política da “coisa”!

 A crescente dependência de produtos fabricados na China levanta preocupações sobre a competitividade da indústria europeia e a preservação do emprego para muitos milhares de trabalhadores. Por esse motivo, a União Europeia tem analisado medidas destinadas a garantir condições de concorrência consideradas mais equilibradas.


Mas nem tudo é mau pois, com a presença das marcas chinesas no mercado, isso vai obrigar a que, as marcas tradicionais sejam obrigadas a investirem em novas tecnologias, segurança, eficiência dos motores e melhor qualidade de construção, pra assim, justificarem os preços mais elevados do seus produtos, fazendo com que quem saia beneficiado com isso, em última análise, seja o consumidor.

 - As vantagens traduzem-se sobretudo em preços mais acessíveis, maior concorrência, equipamentos modernos e uma evolução notável da qualidade.

- As desvantagens incluem dúvidas sobre a valorização futura, a consolidação da assistência técnica, a fiabilidade a longo prazo e o impacto económico na indústria europeia.

Resumindo e concluindo: a chegada das novas marcas chinesas representa uma das maiores transformações do mercado europeu de motociclos das últimas décadas.

Se conseguirem manter este atual ritmo de desenvolvimento, quase avassalador, é provável que estas marcas continuem a ganhar quota de mercado e passem a competir, de igual para igual, com os fabricantes tradicionais, oferecendo aos consumidores uma escolha cada vez mais ampla e diversificada.

Resta saber qual vai ser a resposta das marcas já existentes no mercado. Se é que vão responder ou ter capacidade para o fazer e sobretudo em quanto tempo isso vai acontecer.

Muita coisa vai acontecer nos próximos tempos...

 Carlos Veiga (16/10/ 2026)