sexta-feira, 9 de outubro de 2026
quarta-feira, 7 de outubro de 2026
GostodeScooters. como tudo começou!
Agora que o GostodeScooters, voltou a "bombar", nada como recordar como tudo começou, já lá vão 17 anos!
06/09/2009
Tudo começou quando andando a vadiar, como sempre na net, à procura de tudo o que é relacionado com motos, tomei conhecimento da existência da Sym GTS. Entra em site, sai de site, entra em fórum, sai de fórum, blogues, etc, etc, fui conhecendo a marca Sym e ao mesmo tempo ia ficando apaixonado pela GTS 250i.
Uma das coisas que mais me irrita tanto nas motos como nos carros é o facto dos construtores seguirem as modas, ou tendências, ou seja vão todos uns atrás dos outros no que toca a design. Ora esse foi um dos motivos porque adorei a GTS 250i.
Outra coisa que me espantou foram as dezenas, senão centenas de comentários positivos que li sobre esta scooter, todos exaltando e enumerando as qualidades da Sym, tanto ao nível da qualidade de construção, como fiabilidade, equipamento, motor e economia, isto tudo ajudado por um preço de guerra!
Dei logo corda aos calcantes e comecei as minhas investigações por cá, tendo entretanto descoberto que a Sym era comercializada em Portugal, pela Veículos Casal, importadora da Suzuki. Nesta fase pensei eu, "ora se a Veículos Casal, importadora da Suzuki é quem importa a Sym, então é mais um sinal de que esta marca, conotada como made in Taiwan e por isso metida no rol das "motos chinesas", não deve ser assim tão má.
Entretanto surgiu outro problema: por ser uma marca nova em Portugal e apesar de ser comercializada nos concessionários Suzuki, a verdade é que nenhum dos stands tinham uma GTS 250i em exposição!
Fui a vários, incluindo alguns dos mais afamados na zona de Lisboa e da GTS, nickles. Sim eles tinham algumas Sym, mas eram cinquentinhas e mesmo assim muito poucas. Ora como é possível quererem vender, se não tem motos em exposição? Isto é uma forma de vender motos que eu não percebo, mas abordarei este tema lá mais para a frente, noutro texto!
Quando começava a pensar que nunca iria ver esta moto ao "vivo e a cores", eis que num belo dia e por acaso circulando no IC19, resolvi fazer um pequeno desvio até Paiões (Cacém) e visitar pela 1ª vez a JCG Motos, stand que conhecia das revistas da especialidade.
E qual não foi o meu espanto quando entro no Stand e vejo lá ao fundo, assim meio escondida aquela que viria a ser a minha Scooter: a GTS 250i, Cinza metalizado escuro.
Foi sem dúvida amor à primeira vista.!!!
Olhei, mirei, sentei-me, apalpei, cheirei e sim, é esta que vou comprar! E comprei. Entretanto aproveitei e comprei também uma Sym XS 125 da qual escreverei também aqui umas letras, mas mais á frente!
Crédito aprovado e ao fim de uma semanita (de dolorosa espera!) eis que vou buscar a Scooter!
E desde esse dia (25 de Agosto de 2008) até ao dia 2 de Fevereiro deste ano a GTS foi uma maravilha, transportando-me durante mais de 16 mil quilómetros, até até aquela fatídica manhã de 2ª feira onde, uma senhora chinesa (tinha de ser chinesa!, Só pode ser gozo!), conduzindo um Honda Civic, esqueceu-se que tinha à sua frente um sinal de Stop, não parou, atravessou-se à minha frente e.....foi o fim da GTS 250 i e ia sendo também o meu fim!
Quando menos se espera...
07/10/2009
O acidente acontece! Foi o que me aconteceu!
Deixo-vos aqui duas fotos da GTS 250i, no estado em que ficou após o encontro imediato com o Honda Civic da tal chinesa.
Tinha arrancado de uns semáforos 30 metros antes e a dita senhora aparece-me vinda do lado direito. Ainda tentei fugir para a faixa contrária, mas estava ocupada por veículos que circulavam no sentido contrário e que se preparavam para arrancar e assim foi impossível desviar-me e evitar o embate!
A roda dianteira da moto bateu contra o pneu da frente do carro e o guiador da moto deu uma guinada violenta para a esquerda. Foi precisamente o guiador que acertando no meu lado esquerdo, partiu-me cinco costelas e fez com que o meu baço simplesmente explodisse!!!
A minha sorte é que ia a passar, exatamente naquele momento, uma ambulância do INEM que prontamente me socorreu e transportou para o hospital, ou seja, a assistência chegou ao local em menos de 2 minutos!
Outro fator decisivo para poder estar aqui a escrever estas palavras e não a "fabricar tijolo" no cemitério de Carnaxide, foi o facto de estar, na altura, nas urgências do Hospital S. Francisco Xavier, um médico, o qual, vá se lá saber porquê, olhou para mim e reparou que algo de grave se estava a passar, pois eu estava a mudar de cor, literalmente, a ficar cinzento, segundo ele depois me disse!
Perguntou a razão de eu ali estar, foi informado que tinha sido um acidente de moto e que estava à espera para ir fazer uma radiografia, pois queixava-me de dores no lado esquerdo.
Ele agiu imediatamente e disse que em vez de um raio X, eu deveria fazer imediatamente e com a maior brevidade possível uma TAC e que iria acompanhar-me.
Tac efetuada e lá veio o diagnóstico: o baço explodiu! E como se não bastasse, tinha cinco costelas partidas, e também um "toque" no rim e pulmão esquerdos.
Resumindo, se não tivesse sido tão rapidamente assistido por este médio, que por mero acaso estava naquela altura nas Urgências, quase de certeza que eu tinha "batido as botas", pois estava com uma enorme hemorragia interna. Após duas semanas nos cuidados intensivos, onde estive seis dias em coma induzido, devido à gravidade da situação, transferiram-me para o Hospital Egas Moniz, onde permaneci mais uma semana e picos, até ter alta.
A recuperação foi (e ainda está a ser) difícil, pois as dores causadas pelas 5 costelas eram quase insuportáveis. Ainda hoje passados estes meses todos doem-me à brava, principalmente quando estou muito tempo deitado na mesma posição, sendo frequente levantar-me durante a noite, pois as dores ainda são intensas. Segundo os médicos as dores vão passar com o tempo, mas nunca totalmente, pois as marcas estão lá!
Bom chega de desgraças, apenas achei que deveria contar o que tinha acontecido no acidente com a Sym GTS 250i.
Como podem ver pelas fotos, a scooter também ficou num estado lastimoso e foi dada como perda total pela companhia de seguros.
Atualmente encontra-se estacionada num daqueles sucateiros existentes em Sacavém (foi lá onde tirei estas duas fotos) à espera que alguém a compre inteira ou que a comecem a desmanchar para aproveitarem peças.
A scooter só tinha seis meses...
Veiga
Enfim, finalmente, chegou!
20 Horas e 04 Minutos
Estava eu mais a filhota plantados à porta da Escola onde ela estuda, a aguardar pela minha mulher, que tinha ido a uma reunião de pais, quando o telefone toca:
Hum... pensei eu...J.C. Motos a esta hora? Será que aconteceu alguma coisa? Só podia ter acontecido para o José Carlos (dono do stand) me estar a ligar a esta hora!
- Carlos, boa noite! Desculpa estar a ligar-te tão tarde, mas é só para te pedir para ires ver o nosso site.
O que se passa? - perguntei eu.
- Nada, quero apenas que vás lá dar uma espreitadela quando puderes! Boa noite!
E desligou o telefone!
Claro que fiquei logo em pulgas e mal a minha mulher chegou vinda da reunião, ala que se faz tarde!
Computador ligado (porque será que nestas alturas os computadores levam sempre tanto tempo a ligar???), Internet Explorer aberto e...ei-la!!
Bolas...o tempo não passa...
Sei apenas que até 6ª Feira, dia em que vou levantá-la, não vou dormir!
Mas, se tudo correr como planeado, então Sábado muito cedo, lá partirei eu para a 1ª voltinha a bordo da GTS 300i Evo.
Onde vou, não sei. Onde vou dormir, também não sei! Sei apenas que vou sem destino, partir bem cedo no Sábado e....chegar bem tarde no Domingo!
terça-feira, 6 de outubro de 2026
A Invasão Chinesa!
Vantagens e desvantagens da
entrada das marcas chinesas de motos, no mercado europeu/mundial
Nos últimos anos, o mercado
europeu de moto e scooters, foi literalmente invadido pelas diversas e recentes
marcas chinesas, como a CFMOTO, Voge, Benelli (so b gestão chinesa), Zontes,
QJMotor, Kove ou Benda, etc. Esta dita “invasão” está a transformar um setor
que, durante décadas, foi dominado pelos fabricantes japoneses e europeus e norte.americanos, através da Harley-Davidson e a Indian.
O principal fator positivo desta
tendência é o aumento da concorrência pois, com mais fabricantes a disputarem um
espaço num mercado muito competitivo, mas que, de alguma forma se encontrava
algo estagnado, os consumidores beneficiam de uma maior oferta de modelos e sobretudo,
de preços mais competitivos.
Um dos aspetos mais favoráveis a
que assistimos, nesta nova geração de produtos “made in China”, é a grande
evolução no que diz respeito à sua qualidade.
Longe já vão os tempos (mais ou
menos vinte anos, desde que as primeiras motos chinesas chegaram ou tentaram
entrar no exigente mercado europeu) em que as motos chinesas eram
frequentemente associadas a produtos de muito baixa fiabilidade, com algumas,
como eu próprio vi, quase a desintegrarem-se ao fim de poucos quilómetros
rodados.
Atualmente, marcas chinesas,
muitas delas criadas muito recentemente e com uma grande ajuda financeira do próprio governo
chinês, investiram fortemente em engenharia, investigação e desenvolvimento, ao
mesmo tempo que muitas delas, estabeleciam
parcerias com fabricantes europeus e fazendo acordos com os melhores
fabricantes de componentes utilizam componentes de marcas reconhecidas
internacionalmente, tais como, por exemplo e e apenas entre algumas, a Bosch, a
Brembo ou KYB, incluindo também os melhores fabricantes de pneus, como a
Michelin, Pirelli, etc.
Como é óbvio, a garantia
oferecida pela maioria destas marcas de componentes, devido à qualidade e
fiabilidade dos seus componentes, também contribuiu grandemente pela a forma
como nós, fãs de motos e scooters, passámos a olhar para as marcas chinesas.
No entanto, na minha humilde opinião, a razão principal que ainda nos leva a colocar como hipótese a compra de uma destas motos ou scooters, é o fator preço, pois, como todos bem sabemos e sentimos na pele, os tempos atuais não estão nada fáceis e mesmo mela dúzia de euros podem fazer (e fazem!) toda a diferença, entre podermos comprar uma moto/scooter desta ou daquela marca, ou simplesmente, não podermos!
Muitas vezes não é apenas o valor do custo do veículo que conta, mas sim se depois, temos condições financeiras para o podermos manter, pois não é apenas comprar esta moto ou aquela scooter e.. já está!
Depois temos o seguro e aqui, muita atenção ao seguro que escolhem, pois por vezes optar pelo mais barato é quase tão arriscado como simplesmente não ter seguro, pois quando “shit happens”, vemos que o seguro, escolhido por ser o mais baratinho, não cobre quase nada e ficamos totalmente desamparados e a pensar porque é que não optámos por aquele outro que, apesar de ser mais caro, 10 ou 20 euros, era muito melhor.
Voltando ao preço das motos/scooters, o certo é que com a chegada destes novos modelos, muitos condutores conseguem agora adquirir motos de média cilindrada por valores bastante inferiores aos que eram (e em alguns casos ainda são!) praticados pelas marcas tradicionais, embora essa diferença, ainda existindo, vai sendo menor, pois as outras marcas já começam a reagir e já se vê algumas marcas, aqui e ali, ou através de campanhas, a reajustarem os seu preçários
E como não podia deixar de ser, a
“cereja no topo do bolo”, destas novas máquinas chinesas é o facto de apresentarem
um nível de equipamento muito superior na maioria dos casos, ao dos modelos que já existem no
mercado. Ecrãs TFT, iluminação LED, sistemas de conectividade, travões ABS e
controlo de tração, câmeras de filmar, etc, são já equipamentos totalmente
banais nestas novas motos e scooters chinesas, até nas de mais baixa cilindrada
e preço.
No entanto, nem tudo são “flores” para o mercado europeu de motociclos e esta nova "invasão" de motos e scooters chinesas também apresenta desafios, muitos desafios, logo a começar pela pressão exercida sobre os fabricantes europeus e japoneses, os quais, até agora, estavam praticamente adormecidos à “sombra da bananeira” enfrentam agora uma concorrência altamente preparada e baseada em custos de produção mais baixos.
Como é óbvio, esta situação pode reduzir margens de lucro e obrigar algumas
(provavelmente a maioria) empresas a reorganizar e as suas fábricas,
podendo levar até ao fecho de alguma delas e por isso, também reduzir postos
de trabalho.
Outra preocupação relaciona-se
com a desvalorização no mercado de usados. Embora algumas marcas chinesas
estejam a consolidar (ou pelo menos a tentarem) a sua reputação, o certo é que
a grande maioria ainda apresentam uma valorização, como veículo usado, muito inferior quando comparadas com Honda, Yamaha, BMW, KTM ou
Ducati, o que pode representar uma perda financeira para o proprietário quando
a quiser vender/trocar.
Outro grande fator negativo tem a ver com a rede de assistência, no pós-venda, quando algum azar acontece.
Apesar do seu crescimento
continuo, algumas destas marcas ainda possuem uma cobertura limitada de
concessionários e oficinas autorizadas, o que pode dificultar em muito, o
termos acesso a uma assistência especializada de confiança tal como o acesso a
um rápido a peças de substituição, quando necessárias.
Outra dúvida que persiste e que para muitos como eu, é, o fator mais importante, quando chega a hora da decisão final da compra de um produto, seja ele, uma simples varinha magica, ou uma moto/scooter, tem a ver como a fiabilidade do produto em questão, sobretudo a médio/longo prazo.
Como é óbvio, sendo marcas e motos /scooters novas, as
muitas que já rodam por aí ainda não atingiram idade ou rodaram quilómetros
suficientes para sabermos se são produtos fiáveis ou não e se podemos ter total
confiança neles.
De nada significa andarem pelas redes sociais a gabarem as vossas motos/scooters chinesas, só porque já rodaram 10 ou 20 mil km e ainda não tiveram problemas. Voltem quando as vossas máquinas tiverem 80, 90, 100 mil quilómetros e aí sim, já poderemos começar a falar sobre fiabilidade e como é lógico, têm de ser sinceros, algo que muitas vezes não, pois para muitos a moto que adquiriram é a melhor do mundo e não dá problemas, não referindo que em alguns casos, passaram mais tempo na oficina do que a rodarem e isto, como é obvio, vale para todas as marcas e não apenas para as novas marcas chinesas.
Tive um amigo tinha comprado uma moto problemática apesar de o ter aconselhado a não fazer, e o certo é que eu estava com razão, pois aquela moto andava mais de reboque do que na estrada e passou tempo na oficina do que na posse desse tal amigo. E quando eu lhe falava sobre os tais problemas ou avariada que a moto ia tendo, a resposta dele era sempre a mesma: Avarias? Quais avarias? Foram apenas pequenas afinações!
Existe ainda um fator muito
importante e que tem de ser levado muito em conta que é a dimensão económica e
política da “coisa”!
A crescente dependência de produtos fabricados
na China levanta preocupações sobre a competitividade da indústria europeia e a
preservação do emprego para muitos milhares de trabalhadores. Por esse motivo,
a União Europeia tem analisado medidas destinadas a garantir condições de
concorrência consideradas mais equilibradas.
Mas nem tudo é mau pois, com a presença das marcas chinesas no mercado, isso vai obrigar a que, as marcas tradicionais sejam obrigadas a investirem em novas tecnologias, segurança, eficiência dos motores e melhor qualidade de construção, pra assim, justificarem os preços mais elevados do seus produtos, fazendo com que quem saia beneficiado com isso, em última análise, seja o consumidor.
- As desvantagens incluem dúvidas
sobre a valorização futura, a consolidação da assistência técnica, a
fiabilidade a longo prazo e o impacto económico na indústria europeia.
Resumindo e concluindo: a chegada das novas marcas chinesas representa uma das maiores transformações do mercado europeu de motociclos das últimas décadas.
Se conseguirem manter este atual ritmo de desenvolvimento, quase avassalador, é provável que estas marcas continuem a ganhar quota de mercado e passem a competir, de igual para igual, com os fabricantes tradicionais, oferecendo aos consumidores uma escolha cada vez mais ampla e diversificada.
Resta saber qual vai ser a resposta das marcas já existentes no mercado. Se é que vão responder ou ter capacidade para o fazer e sobretudo em quanto tempo isso vai acontecer.
Muita coisa vai acontecer nos próximos tempos...
segunda-feira, 5 de outubro de 2026
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Um regresso com a mesma paixão de sempre
Depois de alguns anos com uma atividade bastante reduzida,
decidi que chegou a altura de voltar a dar vida a estes dois espaços dedicados
ao universo das duas e das quatro rodas. Não porque me falte tempo para fazer
outras coisas, mas porque continuo a sentir o mesmo prazer de sempre em
escrever sobre motos, scooters e automóveis.
Ao longo de todos estes anos, houve uma característica que
sempre definiu ambos os blogues e que continuará a ser a sua imagem de marca: a
seriedade, a independência e a total isenção. Nunca escrevi para agradar a
marcas, importadores ou fabricantes. Escrevi, e continuarei a escrever, apenas
aquilo que penso, sustentado pela experiência, pela observação e pelo respeito
por quem me lê.
Vivemos numa época em que a informação circula a uma
velocidade impressionante e em que nem sempre é fácil distinguir opinião de
publicidade. Por isso mesmo, quero que estes blogues continuem a ser um espaço
onde os leitores encontrem análises honestas, comentários fundamentados e uma
visão equilibrada sobre tudo o que acontece no mundo das scooters, das motos e
dos automóveis.
Este regresso ganha ainda mais significado quando olho para
o caminho já percorrido.
O Motoratual aproxima-se do meio milhão de visualizações,
um número que muito me orgulha.
Já o Gostodescooters alcançou um marco
verdadeiramente extraordinário: está muito perto dos dois milhões de
visualizações.
Sim, é mesmo verdade! Números que nunca imaginei atingir
quando, criei, primeiro, o GostodeScooters e depois o MotorAtualm
publiquei os primeiros artigos, algo que só foi possível graças aos milhares de
leitores, que visitavam os blogues, ao longo destes anos.
A todos aqueles que continuaram a visitar estes blogues,
mesmo durante os períodos de menor atividade, deixo um sincero agradecimento. A
vossa presença foi sempre a melhor motivação para voltar.
Não prometo publicar todos os dias, nem acompanhar todas as
novidades do mercado em tempo real.
Prometo apenas aquilo que sempre prometi: conteúdos escritos
com paixão, rigor, independência e respeito pelos leitores.
Porque a paixão pelos motores nunca desapareceu. Apenas
esteve algum tempo ao ralenti.
Agora... é tempo de voltar a acelerar.
Carlos Veiga 01/10/2026
Honda SH 125 Honda Europe, Tessa, Itália
terça-feira, 29 de setembro de 2026
Quando a inspiração passa dos limites… ou a arte chinesa de copiar tentando fingir que não está a copiar!
Existe uma frase antiga que diz o seguinte: “imitar é a forma mais sincera de elogiar” (Charles Caleb Colton, escritor inglês)-
Seguindo esta ordem de ideias, então poderemos dizer que atualmente, isto falando do mundo das motos e scooters, algumas (muitas!) marcas chinesas devem ser, neste momento, os maiores admiradores de marcas como a Honda, Yamaha, Kawasaki, BMW, Ducati, Harley-Davidson e pelos vistos, também da marca taiwanesa KYMCO.
E atenção: antes que alguém comece a preparar-se para criticar-me (mesmo que o façam estou-me completamente a borrifar para isso!), deixem-me esclarecer uma coisa:
Não tenho absolutamente nada contra esta nova geração de motos e scooters – e também automóveis -, ao contrário do que acontecia com aqueles pedaços de plástico e metal, de péssima qualidade (para não dizer pior!), com que fomos invadidos no começo do século e que tantos problemas causaram a quem os comprou. Sim, claro que houve quem defende-se com unhas e dentes, aqueles zingarelhos mal paridos, mas o certo é que tudo aquilo que escrevi aqui, nos meus dois blogues, veio a concretizar-se, ou seja, tal como apareceram, também desapareceram, deixando muita boa gente, agarrados a motos e scooters que simplesmente não funcionavam e para as quais deixou de existir qualquer tipo de assistência e peças de substituição.
E, entretanto, o que aconteceu? A China, percebendo o erro que cometeu, soube, muito bem, dar um passo atrás, rever todo o seu plano de produção e contando com a grande ajuda do estado chinês que passou e continuar a apoiar a sua indústria e também com a típica “paciência de chinês”, soube dar a “volta ao texto” resultando naquilo a que todos estamos a assistir e isto tanto diz respeito, às motos como aos automóveis.
Tenho acompanhado a evolução desta indústria, seria impossível não reconhecer que algumas marcas chinesas deram, em pouco mais de uma década, um salto tecnológico impressionante.
No entanto, o maior problema não está em fazer motos boas, baratas e bem equipadas.
O problema começa quando a inspiração se torna limitada e por isso temos de olhar para o lado e ver o que os rivais estão a fazer e por isso é que, quando olho para muitas das motos de produção chinesa, fico com aquela sensação estranha, ou não, de que já vi algo parecido noutro lado, aquela típica sensação de “déjà-vu”!
O pior é quando isso passa de ser apenas uma sensação e passa a ser verdadeiro!
E é aqui que as coisas começam a complicar e as marcas consagradas, começam a não achar muita piada, ao que podemos chamar, grande descaramento, por parte d e alguns fabricantes chineses.
E de certeza que foi isso que aconteceu com a Kymco a qual, apesar de ser taiwanesa, não é propriamente uma recém-chegada ao mundo das duas rodas, sobretudo no que diz respeito às scooters e é precisamente aqui que a “porca torce o rabo”!
A Kymco veio recentemente a público esclarecer que não deu autorizou à QJ Motor par que esta pudesse utilizar a plataforma tecnológica da sua scooter topo de gama, a AK 550, isto depois de terem surgido comparações que levantavam suspeitas sobre as grande semelhanças existentes entre a nova scooter da QJ Motor, a Fort 600 e a conhecida e reconhecida maxi-scooter da marca taiwanesa.
E quando uma marca, seja ela qual for, sente necessidade de dizer publicamente que “não autorizou” outra a utilizar a sua tecnologia…
Mas vamos lá tentar entender, minimamente, o que se passa: a nova Fort 600 utiliza um motor bicilíndrico paralelo, cuja arquitetura e tecnologia usada, segundo as comparações já publicadas, tem demasiadas semelhanças com a AK 550: motor e transmissão separados, embraiagem multidisco banhada em óleo e um tipo construção muito parecido, incluindo o quadro em alumínio.
Assim de repente, sto não parece nada demais. No entanto, analisando a coisa de forma mais cuidada e nisto a Kymco parece ter toda a razão pois, segundo o que a própria marca afirmou, para o desenvolvimento, tanto do quadro como sobretudo do propulsor, obrigou ao registo de mais de 45 patentes novas.
Por enquanto, a Kymco aguarda que a Fort 600, chegue oficialmente ao mercado – foi apresentada pela primeira ao público, no EICMA 2025 – para então decidir o que fazer e é aqui que surge a pergunta que vale um milhão de euros:
Como é que as duas marcas, primeiro a Kymco cujo AK 550 já está no mercado há alguns anos e agora a QJ, chegaram, às “mesmas” soluções técnicas?
E como é que ficamos perante a existência de soluções técnicas, que pelos vistos foram inventadas/criadas/desenvolvidas pela Kymco e que pelos vistos estão protegidas pelas patentes e direitos de propriedade intelectual?
Assim de repente, lembro-me de alguns casos que aconteceram no passado e que deram muito que falar.
Posso começar pelo caso Honda/Shineray, caso que aconteceu no Brasil, por volta de 2012 e que apenas terminou muitos anos depois.
E isto porque a Shineray, fabricou durante algum tempo, motos que eram autênticos clones, tanto da mítica Honda CG 150 como da NXR 150 Bros, modelos que na altura dominavam por completo o mercado brasileiro, sobretudo a CG.
Este polémico processo arrastou-se durante mais de uma década e acabou com a marca chinesa Shineray a ter de pagar mais de 9 milhões de reais de indemnização à marca japonesa, além da obrigação de retirar dos concessionários todas as unidades dos modelos em questão que ainda estavam à venda.
Depois temos algumas histórias sobre plágio que são verdadeiramente hilariantes, tal como aconteceu com a marca chinesa Suculi (?) que apresentou a sua S1000 RR, uma cópia da famosa moto desportiva da BMW e sobre a qual nem tentou disfarçar a coisa, nem que fosse mudando o nome da moto, mas não, tomem lá uma S1000 RR!
Então e o que me dizem da Moxiao (?) 500RR, uma cópia quase perfeita da Ducati Panigale, pelo menos quando vista ao longe?
Querem que pare ou que continue? Ok, mais uma e aqui regresso outra vez Shineray – são teimosos, hein?
Neste caso, a marca chinesa apresentou um motor V-Twin Evolution de 1.200 cc, uma verdadeira cópia do conhecido motor da Harley-Davidson, que equipou, entre outras, a Sportster.
Toda a arquitetura mecânica deste propulsor apresentado pela Shineray é exatamente igual à do antigo motor da marca norte-americana, incluindo as dimensões tanto externas como internas, configuração V-Twin com inclinação de 45 graus e a típica distribuição através de arvore de cames servidas por varetas.
A parte hilariante da coisa é que a Shineray afirmou na altura que este motor foi desenvolvido a partir de uma folha em branco e de forma independente.
Coincidências do caraças, tão “coincidências” que a própria Harley-Davidson já esrá de olho no caso, tendo já acionado o seu departamento judicial para que estude este caso e avance com a devida queixa.
Neste caso, como se não bastasse, a marca SWM – que por mero “acaso”, pertence à Shineray – apresentou um novo modelo, a Stormbreaker 1200, equipada precisamente com este motor!
Que grande lata têm estes chineses!
Já chega, ou ainda querem mais?
Ok, confesso que também estou a divertir-me “bué”, enquanto procuro por estes casos na internet, por isso vou continuar apesar de este texto já ir muito longo, mas já sabem como sou, colocam-me um teclado na frente e… não paro!
Ora vamos lá então: parece que também a conhecida CFMoto, está a braços com um importante processo, nos Estados Unidos da América, colocado pelo gigante Polaris, em Janeiro deste ano.
No processo, a Polaris alega que a CFMoto violou dez das suas patentes, relacionadas com os seu veículos “side-by-side”, incluindo chassis, transmissão, sistema de arrefecimento do motor e até mesmo a zona do condutor..
Este caso, Polaris versus CFMoto, está a ser analisado pela U.S. International Trade Commission.
E no entanto, nem tudo pode ser considerado plágio e aqui dou o exemplo do que se passa entre a Locin e a BMW. Neste caso, é facto conhecido que o gigante construtor chinês, fabrica os motores de 895 cc que equipam as BMW F900 GS e, basicamente podemos ver o mesmo motor (com algumas diferenças ao nível da eletrónica) a equipar alguns modelos da Voge, que é apenas a marca “premium” da Locin.
Neste caso, como é óbvio parece existir uma óbvia uma relação industrial real entre as empresas, ou seja, a marca bávara recorre a fabricante chinês para a produção deste motor e a Locin pode usar o mesmo motor nas suas motos.
Portanto, pelo que se percebe, existe um acordo entre as duas marcas e como é óbvio, isto não e plágio, mas sim, apena e só um acordo comercial e tanto é assim que ainda ninguém viu a BMW a queixar-se que o seu motor tinha sido plagiado.
E há uma coisa muito importante e que me parece cada vez mais evidente:
A China já não precisa de copiar!
E digo isto como um verdadeiro elogio, perante tudo aquilo a que estamos a assistir.
Por exemplo, a CFMOTO, apresenta atualmente uma capacidade própria de desenvolvimento muito diferente daquela que associávamos à indústria chinesa há 15 ou 20 anos. E mesmo nesse tempo, na altura dos tais zingarelhos “mal paridos” já os produtos da CFMoto, sobretudo scooters, demonstravam uma qualidade muito acima do que era feito pelos outros fabricantes chineses, aliás, tal como referi num artigo que escrevi no longínquo ano de 2013, no GostodeScooters.
A própria marca diz que atualmente, tem ao seu serviço mais de 200 designers e técnicos, espalhados por cinco países e mais de 540 novas patentes registadas.
A realidade é que já existem fabricantes chineses capazes de desenvolver produtos próprios, motores próprios, eletrónica própria e soluções técnicas bastante interessantes.
E é aqui que surge a pergunta mais importante de todas:
Se já sabem e têm capacidade para fazerem as suas próprias motos, porque é que aqui e ali, ainda copiam os produtos dos outros fabricantes?
Um dos problemas é que, por exemplo, planear, desenhar e construir um motor de raiz, leva muito tempo e dinheiro, sendo mais fácil e barato utilizar um motor que já existe, sendo através do fabrico do mesmo, através de um acordo entre o proprietário desse propulsor e de quem o quer usar, ou algo que ainda fica mais barato é simplesmente, copiar!
E aqui o lado financeiro é a principal questão, ou se quiserem o principal argumento, pois fica sempre muito mais barato copiar! E esta é provavelmente a verdadeira razão pela qual estas situações continuam a aparecer pois o desenvolver de raiz um motor ou uma moto, custa muito dinheiro e leva muito tempo. São anos de engenharia, testes, protótipos, homologações, ensaios de durabilidade, desenvolvimento de motores, eletrónica, chassis, travagem, suspensão.
Ora, copiar, é muito mais fácil, rápido e barato!
Resumindo e concluindo e para terminar este extenso “testamento”, o certo é que, com a entrada em força - para o bem e para o mal -, dos fabricantes chineses no mercado europeu (e não só!) na minha
A entrada maciça de fabricantes chineses no mercado europeu é, na minha opinião, inevitável e, em muitos aspetos, positiva pois, como eu costumo dizer, seja em que negócio for, qualquer tipo de concorrência é sempre positivo. Isso obriga a que as marcas que já estão confortavelmente instaladas (muitas delas a viverem à sombra dos louros!), sejam obrigadas a serem mais competitivas a todos os níveis, obrigando a que reforcem a apresentação de novos modelos e sobretudo, que não se estiquem no que diz respeito aos preços pedidos pelos seus produtos e isso apenas vai fazer com que o consumidor seja o mais beneficiado, seja através de mais e melhores motos e com preços bastante competitivos.
Carlos Veiga 29/09/2026



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