Vantagens e desvantagens da
entrada das marcas chinesas de motos, no mercado europeu/mundial
Nos últimos anos, o mercado
europeu de moto e scooters, foi literalmente invadido pelas diversas e recentes
marcas chinesas, como a CFMOTO, Voge, Benelli (so b gestão chinesa), Zontes,
QJMotor, Kove ou Benda, etc. Esta dita “invasão” está a transformar um setor
que, durante décadas, foi dominado pelos fabricantes japoneses e europeus e norte.americanos, através da Harley-Davidson e a Indian.
O principal fator positivo desta
tendência é o aumento da concorrência pois, com mais fabricantes a disputarem um
espaço num mercado muito competitivo, mas que, de alguma forma se encontrava
algo estagnado, os consumidores beneficiam de uma maior oferta de modelos e sobretudo,
de preços mais competitivos.
Um dos aspetos mais favoráveis a
que assistimos, nesta nova geração de produtos “made in China”, é a grande
evolução no que diz respeito à sua qualidade.
Longe já vão os tempos (mais ou
menos vinte anos, desde que as primeiras motos chinesas chegaram ou tentaram
entrar no exigente mercado europeu) em que as motos chinesas eram
frequentemente associadas a produtos de muito baixa fiabilidade, com algumas,
como eu próprio vi, quase a desintegrarem-se ao fim de poucos quilómetros
rodados.
Atualmente, marcas chinesas,
muitas delas criadas muito recentemente e com uma grande ajuda financeira do próprio governo
chinês, investiram fortemente em engenharia, investigação e desenvolvimento, ao
mesmo tempo que muitas delas, estabeleciam
parcerias com fabricantes europeus e fazendo acordos com os melhores
fabricantes de componentes utilizam componentes de marcas reconhecidas
internacionalmente, tais como, por exemplo e e apenas entre algumas, a Bosch, a
Brembo ou KYB, incluindo também os melhores fabricantes de pneus, como a
Michelin, Pirelli, etc.
Como é óbvio, a garantia
oferecida pela maioria destas marcas de componentes, devido à qualidade e
fiabilidade dos seus componentes, também contribuiu grandemente pela a forma
como nós, fãs de motos e scooters, passámos a olhar para as marcas chinesas.
No entanto, na minha humilde opinião, a razão principal que ainda nos leva a colocar como hipótese a compra de uma destas motos ou scooters, é o fator preço, pois, como todos bem sabemos e sentimos na pele, os tempos atuais não estão nada fáceis e mesmo mela dúzia de euros podem fazer (e fazem!) toda a diferença, entre podermos comprar uma moto/scooter desta ou daquela marca, ou simplesmente, não podermos!
Muitas vezes não é apenas o valor do custo do veículo que conta, mas sim se depois, temos condições financeiras para o podermos manter, pois não é apenas comprar esta moto ou aquela scooter e.. já está!
Depois temos o seguro e aqui, muita atenção ao seguro que escolhem, pois por vezes optar pelo mais barato é quase tão arriscado como simplesmente não ter seguro, pois quando “shit happens”, vemos que o seguro, escolhido por ser o mais baratinho, não cobre quase nada e ficamos totalmente desamparados e a pensar porque é que não optámos por aquele outro que, apesar de ser mais caro, 10 ou 20 euros, era muito melhor.
Voltando ao preço das motos/scooters, o certo é que com a chegada destes novos modelos, muitos condutores conseguem agora adquirir motos de média cilindrada por valores bastante inferiores aos que eram (e em alguns casos ainda são!) praticados pelas marcas tradicionais, embora essa diferença, ainda existindo, vai sendo menor, pois as outras marcas já começam a reagir e já se vê algumas marcas, aqui e ali, ou através de campanhas, a reajustarem os seu preçários
E como não podia deixar de ser, a
“cereja no topo do bolo”, destas novas máquinas chinesas é o facto de apresentarem
um nível de equipamento muito superior na maioria dos casos, ao dos modelos que já existem no
mercado. Ecrãs TFT, iluminação LED, sistemas de conectividade, travões ABS e
controlo de tração, câmeras de filmar, etc, são já equipamentos totalmente
banais nestas novas motos e scooters chinesas, até nas de mais baixa cilindrada
e preço.
No entanto, nem tudo são “flores” para o mercado europeu de motociclos e esta nova "invasão" de motos e scooters chinesas também apresenta desafios, muitos desafios, logo a começar pela pressão exercida sobre os fabricantes europeus e japoneses, os quais, até agora, estavam praticamente adormecidos à “sombra da bananeira” enfrentam agora uma concorrência altamente preparada e baseada em custos de produção mais baixos.
Como é óbvio, esta situação pode reduzir margens de lucro e obrigar algumas
(provavelmente a maioria) empresas a reorganizar e as suas fábricas,
podendo levar até ao fecho de alguma delas e por isso, também reduzir postos
de trabalho.
Outra preocupação relaciona-se
com a desvalorização no mercado de usados. Embora algumas marcas chinesas
estejam a consolidar (ou pelo menos a tentarem) a sua reputação, o certo é que
a grande maioria ainda apresentam uma valorização, como veículo usado, muito inferior quando comparadas com Honda, Yamaha, BMW, KTM ou
Ducati, o que pode representar uma perda financeira para o proprietário quando
a quiser vender/trocar.
Outro grande fator negativo tem a ver com a rede de assistência, no pós-venda, quando algum azar acontece.
Apesar do seu crescimento
continuo, algumas destas marcas ainda possuem uma cobertura limitada de
concessionários e oficinas autorizadas, o que pode dificultar em muito, o
termos acesso a uma assistência especializada de confiança tal como o acesso a
um rápido a peças de substituição, quando necessárias.
Outra dúvida que persiste e que para muitos como eu, é, o fator mais importante, quando chega a hora da decisão final da compra de um produto, seja ele, uma simples varinha magica, ou uma moto/scooter, tem a ver como a fiabilidade do produto em questão, sobretudo a médio/longo prazo.
Como é óbvio, sendo marcas e motos /scooters novas, as
muitas que já rodam por aí ainda não atingiram idade ou rodaram quilómetros
suficientes para sabermos se são produtos fiáveis ou não e se podemos ter total
confiança neles.
De nada significa andarem pelas redes sociais a gabarem as vossas motos/scooters chinesas, só porque já rodaram 10 ou 20 mil km e ainda não tiveram problemas. Voltem quando as vossas máquinas tiverem 80, 90, 100 mil quilómetros e aí sim, já poderemos começar a falar sobre fiabilidade e como é lógico, têm de ser sinceros, algo que muitas vezes não, pois para muitos a moto que adquiriram é a melhor do mundo e não dá problemas, não referindo que em alguns casos, passaram mais tempo na oficina do que a rodarem e isto, como é obvio, vale para todas as marcas e não apenas para as novas marcas chinesas.
Tive um amigo tinha comprado uma moto problemática apesar de o ter aconselhado a não fazer, e o certo é que eu estava com razão, pois aquela moto andava mais de reboque do que na estrada e passou tempo na oficina do que na posse desse tal amigo. E quando eu lhe falava sobre os tais problemas ou avariada que a moto ia tendo, a resposta dele era sempre a mesma: Avarias? Quais avarias? Foram apenas pequenas afinações!
Existe ainda um fator muito
importante e que tem de ser levado muito em conta que é a dimensão económica e
política da “coisa”!
A crescente dependência de produtos fabricados
na China levanta preocupações sobre a competitividade da indústria europeia e a
preservação do emprego para muitos milhares de trabalhadores. Por esse motivo,
a União Europeia tem analisado medidas destinadas a garantir condições de
concorrência consideradas mais equilibradas.
Mas nem tudo é mau pois, com a presença das marcas chinesas no mercado, isso vai obrigar a que, as marcas tradicionais sejam obrigadas a investirem em novas tecnologias, segurança, eficiência dos motores e melhor qualidade de construção, pra assim, justificarem os preços mais elevados do seus produtos, fazendo com que quem saia beneficiado com isso, em última análise, seja o consumidor.
- As desvantagens incluem dúvidas
sobre a valorização futura, a consolidação da assistência técnica, a
fiabilidade a longo prazo e o impacto económico na indústria europeia.
Resumindo e concluindo: a chegada das novas marcas chinesas representa uma das maiores transformações do mercado europeu de motociclos das últimas décadas.
Se conseguirem manter este atual ritmo de desenvolvimento, quase avassalador, é provável que estas marcas continuem a ganhar quota de mercado e passem a competir, de igual para igual, com os fabricantes tradicionais, oferecendo aos consumidores uma escolha cada vez mais ampla e diversificada.
Resta saber qual vai ser a resposta das marcas já existentes no mercado. Se é que vão responder ou ter capacidade para o fazer e sobretudo em quanto tempo isso vai acontecer.
Muita coisa vai acontecer nos próximos tempos...


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