terça-feira, 25 de agosto de 2015

Contacto – Honda SH 125 Mode (A pulguita saltitona)



Lá diz o povo com toda a sua enorme sapiência que a mulher quer-se “pequena como a sardinha” e nós acrescentamos “tal como algumas scooters"!

Neste caso em particular, estou a referir-me ao elemento mais pequeno da família SH da Honda, a Mode.
E sendo da mesma família as parecenças são mais do que óbvias apesar de ser uma scooter mais pequena, tanto nas dimensões como no peso e isso sente-se bem quando nos instalamos a bordo e principalmente quando começamos a rodar, destacando-se o seu baixo peso, tornando bastante fácil a condução mesmo para pessoas de baixa estatura ou com pouca ou nenhuma prática, pois tal como é habitual na Honda, também a condução desta scooter é “user-friendly”.



No entanto, não pensem que por estarmos a falar de uma scooter que poderá ser o acesso ideal ao mundo das duas rodas e por isso mesmo uma scooter muito simples e até básica, não está ao nível das restantes, no que diz respeito à qualidade de materiais e da montagem dos mesmos. Aqui e não querendo ferir suscetibilidades noutras marcas, terei que dizer que estamos perante uma Honda… mesmo quando estamos a falar numa scooter de gama baixa como é esta SH Mode.
Bons plásticos, sem as normais” “rebarbas” que costumamos encontrar em modelos semelhantes de outras marcas e excelente montagem, tudo muito justinho, sem falhas ou desnivelamentos, incluindo as zonas que não estão à vista, como por exemplo debaixo do assento.



O painel de instrumentos segue naturalmente a linha "SH" possuindo o que é preciso numa scooter destas, ou seja as informações básicas sobre o motor, luzes, combustível, velocidade e odómetro, luz indicadora do Start & GoGo (Paragem do Motor ao Ralenti), incluindo ainda um relógio.


Quanto a locais de arrumação, apenas podemos contar com o “met-in” debaixo do assento e mesmo aí nem todos os capacetes cabem. Cabe com facilidade um capacete do tipo Jet e também consegue-se lá encaixar um integral desde que não seja de nenhum “cabeçudo”, como eu!



Quando nos sentamos pela primeira na Mode a primeira impressão com que ficamos é que o espaço para a colocação das pernas e pés é demasiado pequeno. Sim, é verdade, temos menos espaço que na SH 125 “normal”, contudo, quando comecei a circular e durante os dias em que a tive na minha posse, numa mais me lembrei dessa falta de espaço. No entanto, tenho de dizer que apenas a usei em pequenas distâncias e sobretudo em circuito citadino daí provavelmente não ter sentido a necessidade de ter mais espaço para as pernas. Em percursos maiores, aí sim prevejo um maior desconforto.



Em relação ao motor que equipa a Mode, é um “velho” conhecido, proveniente da SH 125i que por sua vez é derivado do motor da PCX e quando citamos o nome desta última, pouco poderemos dizer que já não se saiba. Assim sendo, estamos perante o conhecido motor de um cilindro a quatro tempos, refrigeração líquida e 125 cc, que na Mode debita 11 cv às 8500 rpm e um binário máximo de 12 Nm às 5000 rpm.



A arquitetura-base deste motor que possuí o inovador sistema “eSP” (enhanced Smart Power - Potência Inteligente Melhorada) centra-se numa construção à volta de várias tecnologias de baixa fricção, trabalhando todas em conjunto para minimizarem os consumos e maximizarem a entrega de potência. E prova disto mesmo são os baixos consumos que se conseguem fazer, sempre na casa dos 2 litros – mais pinguinha, menos pinguinha – com a grande ajuda do sistema “Start & Go”.

Olhando para os 5,5 litros de capacidade do depósito de combustível, somos levados a pensar que vamos passar a vida nas bombas de gasolina, mas não é isso que na realidade acontece, pois por culpa do “apetite de pisco” da SH 125 Mode, conseguiremos rodar folgadamente mais de 200 quilómetros até que vejamos a luz da reserva a acender e isto sem cuidados especiais na condução.



Mal começamos a rodar vem imediatamente à lembrança a SH 125i, tais as semelhanças das sensações transmitidas em andamento.
É lesta no arranque e nas recuperações e conseguimos rodar com grande à vontade até aos 90, 95 km por hora, notando-se que a partir daí e até chegar à velocidade máxima que atingimos em reta, após alguma insistência (105 km/h), que estamos perante um motor mais limitado no que diz respeito às prestações, quando comparado com a SH 125i.



É verdade, a Mode não nasceu para circular nas vias rápidas e autoestradas, mas sim para arrasar nas cidades e quanto mais trânsito, mais satisfeitos ficamos por estarmos a conduzir esta peso-pluma. 



Nos semáforos, é rápida q.b. para deixar os automóveis para trás e nas filas, é uma pulguita, tal a forma como “saltamos” com ela de um lado para o outro, sempre com grande desenvoltura e acima de tudo segurança, pois não nos podemos esquecer que a Mode está equipa à frente com um travão de disco de excelente tato e atrás com um travão de tambor que apesar de algo ultrapassado, com a ajuda do CBS, proporciona uma travagem que chega e sobra para as dimensões, peso e performances desta scooter.


A “pulguita”, ops, desculpem, a Honda SH 125 Mode tanto é a scooter ideal para quem se inicia nestas lides das máquinas de duas rodas, como para quem pretende uma scooter para rapidamente se deslocar dentro das grandes urbes ou no habitual percurso casa-trabalho-casa, desde que isso não obrigue a percorrer distâncias maiores, pois para isso a “mana mais velha”, a SH 125i será então a melhor opção.

Características Técnicas
Motor – Monocilíndro a 4 tempos, 2 válvulas, com refrigeração líquida.
Cilindrada – 125 cc
Potência – 11 cv às 8.500 rpm
Binário máximo – 12,0 Nm às 5.000 rpm
Ralenti – 1.700 rpm
Capacidade de óleo – 0,9 Litros
Alimentação – PGM-FI (Injeção eletrónica)
Consumo de combustível –  2,1 Litros / 100km (2,0L/100KM modo Start/Stop)
Transmissão – Automática  V-Matic
Quadro – Tubular em aço tipo berço
Dimensões (CxLxA) – 1.930 x 665 x 1.105 mm
Distância entre eixos – 1.305 mm
Altura mínima do assento – 765 mm
Altura mínima ao solo – 145 mm
Suspensão
Dianteira – Telescópica
Traseira –
Unidade de braço oscilante
Pneus
Dianteiro – 80/90 16M/C 43P
Traseiro – 100/90 14M/C 57P
Travões
Dianteiro – Disco (220 mm)
Traseiro – Tambor (130 mm)
Depósito do combustível – 5,5 Litros
Peso (em ordem de marcha) – 116 kg

Carlos Veiga 

Dragscooter!


quinta-feira, 20 de agosto de 2015

22ª Concentração de Góis



Realizou-se nos dias 13, 14 e 15 de Agosto, aquela que já é considerada a Concentração do Ano - e ainda a época vai a meio.

Quem lá esteve, como nós sabe como foi. Logo no início da semana, Góis começou a ser invadida por dezenas e dezenas de motociclistas ávidos por passarem uns belos dias naquela bonita vila, banhada pelo rio Ceira.




Entre os que estiveram efetivamente na concentração, os pagantes, mais de 15 mil e os outros que foram a Góis mas ficaram do lado de fora do recinto (+/- 5 mil almas), foram mais de 20 mil pessoas que durante estes dias se juntaram em Góis, naquela que é sem dúvida alguma o maior evento anual daquela pequena vila e, na nossa opinião a melhor concentração de motos que atualmente se efetua em Portugal!






Música para todos os gostos, desde os Blasted Mechanism, aos Moonspell, passando pelo fantástico David Antunes e a Midnight Band (sem dúvida a surpresa deste evento) ou pelos Buraka Som Sistema, não esquecendo a grandiosa e arrebatadora teda elétrónica onde estiveram a atuar alguns dos melhores DJ que temos atualmente em Portugal.




Depois, as habituais tendas de comes e bebes onde se incluem alguns doces e bolos de bradar aos céus e como não podia deixa de ser, a exposição e venda de material e equipamento para as motos e motociclistas.






Como já é habitual, realizou-se mais um "Bike Show", onde pudemos ver algumas motos realmente fantásticas. Também estiveram por lá, como já é da praxe, as Mini Honda e as Vespa.

 





Mas mais importante que isto tudo é sem sombra de dúvida o grande ambiente que se vive em Góis, mostrando mais uma vez a grandiosidade do espírito que une tantos motociclistas que aqui, partilham a grande paixão que é este mundo maravilhoso das motos.
 

Um GRANDE ELOGIO ao Góis Moto Clube (e aos mais de 200 voluntários que ajudaram) que mais uma vez, conseguiu superar-se e mostrar que não brinca em serviço. E o sucesso está, outra vez à vista.
E é precisamente sobre todo este sucesso que queremos falar. Esperamos - e sabemos que no Góis Moto Clube estão atentos a tudo isto - que este mesmo GRANDE sucesso, não seja ele próprio a principal razão das coisas correrem mal pois, como elevaram tão alta a fasquia, o difícil é precisamente mantê-la lá bem no alto e isso, meus amigos é, a partir da de agora a vossa mais dificil missão pois, se tudo correu bem, claro que existem coisas a melhorar, como por exemplo, o pó, o muito pó que por vezes existia dentro do recinto.

Como "cliente" habitual de Góis, e, pelo menos das muitas vezes que por ali andei, reparei que neste ano os caminhos foram regados menos vezes, o que levou a que em certas alturas o pó fosse mais que muito.

O espaços dos chuveiros deveriam ser em maior número, tal como o espaço dos grelhadores, fazendo com que muita gente esperasse e desesperasse para poder grelhar os seus petiscos.

Muitos insurgiram-se contra o facto da existência de pessoas que indo mais cedo guardavam espaço enormes para amigos que viriam mais tarde e que em alguns casos, como presenciei, nem chegaram a vir. Enquanto isso, aqueles que apenas puderam chegar à concentração durante o dia de sábado, desesperavam para encontrar um pequeno local para montarem as suas tendas, enquanto existiam grandes espaço "reservados" para ninguém. É algo que deve ser revisto e que, na minha opinião não deve acontecer.  
E isso leva-nos a outro ponto que é o facto deste ano termos ficado com a ideia que o espaço destinado às tendas senão ficou esgotado, ficou bem perto disso. Assim sendo e levando a pensar que para o ano ainda mais pessoas estarão nesta concentração, como será? Existe possibilidade de alargar mais o espaço para as tendas? Existem alternativas?

E algo em que também devem investir mais para o ano é em termos de animação, pois é precisamente devido a isso, ao ser sempre o mesmo, que algumas concentrações estão em "queda livre", pois as pessoas ficam fartas de ver sempre a mesma coisa, ano após ano. Falo das exibições de trial (igual todos os anos) "voltinha das Vespa e Mini Honda e... pouco mais. É uma área, onde o Góis Moto Clube tem de investir mais.

Agora vamos falar de algo muito importante, pela negativa e que na maioria dos casos é uma das grandes razões porque várias concentrações acabaram e estão para acabar. falo concretamente dos MOTÁRIOS, os tais que uma concentração serve apenas e só para ajavardarem, para irem para lá terem comportamentos que em nada dignificam a família motociclista.

Tenho lido por aí muitos comentários a criticarem a atuação da GNR, da segurança do recinto e também do corte do trânsito avenida principal de Góis, durante a noite de sexta feira.

Falando da GNR, muito sinceramente, esteve à altura de TODOS os acontecimentos, incluindo os provocados pelos MOTÁRIOS!

Acho piada a Certos MOTÁRIOS quando, se vêm lamentar que foram multados por terem as motos mal estacionadas, ou porque não tinham espelhos, não tinham piscas, ou tinham as matrículas dobradas. COITADINHOS! Para estes as multas deviam ser a dobrar.
Depois lá vêm outros, os MOTÁRIOS dos ráteres, queixarem-se da atuação da GNR, quando vi por diversas vezes estes MOTÁRIOS, numa completa provocação aos agentes da autoridade a fazerem ráteres e outras merdas que tais mesmo à frente deles, num acto de perfeita provocação e gozo!

E muito bem estiveram os colaboradores da empresa responsável pela segurança no interior do recinto, pois também aqui e por diversas vezes os tais MOTÁRIOS queriam causar confusão. Vi, algumas vezes, mesmo à frente destes seguranças, e dentro do recinto, onde milhares de pessoas andam a pé, MOTÁRIOS a fazerem ráteres, cavalinhos derrapagens, etc.

E quanto ao fecho da avenida principal de Góis ao trânsito, durante a noite de 6ª feira, também estou plenamente de acordo, pois em Góis, não estão apenas os "gajos das motos" mas também as pessoas que lá vivem, e que para la vão passar uns merecidos dias de férias e foi precisamente a pensar nestas pessoas e na sua segurança que a GNR fechou a dita avenida, para que essas pessoas, muitas delas idosas, pudessem sair à rua descansadas e sem correrem o risco de serem atropeladas por algum MOTÁRIO!

Mas é estranho, estive em Góis de 2ª Feira a Domingo, todos os dias, sem exceção, andei por lá de moto, tanto dentro do recinto como cá fora, pelas ruas de Góis e nunca, mas mesmo nunca, fui mandado parar pela GNR ou repreendido por algum segurnaça, dentro do recinto. E porque será? Será porque a minha moto tem espelhos, piscas e a matricula não está dobrada? Será porque não me armo em MOTÁRIO e não ando por ali a fazer ráteres e outras merdas que tais? Ou será simplesmente porque sou um MOTOCICLISTA e não um MOTÁRIOS? E como eu, andavam lá muitos, milhares que não foram importunados pela GNR porque simplesmente são MOTOCICLISTAS e não MOTÁRIOS!!

Ir a Góis, não é meter em cima de um atrelado meia dúzia de motos ilegais e ir para as ruas da Vila fazer merda!


 




Ir a Góis é a ansiedade, antes da viagem, é a preparação da moto, é o carregar a moto.

Ir a Góis é aquele nervoso miudinho que aparece sempre antes de nos sentarmos na moto e iniciarmos a viagem e que ao fim dos primeiros metros de andamento rapidamente é substituído por aqueles bem estar e prazer que nós, MOTOCICLISTAS temos o privilégio de saborear.

Ir a Góis é desfrutar das belas estradas e fantásticas curvas que nos levam através das serras, até lá.

Ir a Góis é desfrutar daquele ambiente único, da companhia dos amigos, e companheiros de estrada.

Ir a Góis é fazer novas amizades.




Ir a Góis é isto e muito mais e por isso digo:

Em 2016 volto a GÓIS!

Carlos Veiga (2015)

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

quinta-feira, 9 de julho de 2015

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Yamaha Tricity 125 - Agora com ABS

Nova Honda SH300i



Confesso, é uma das minhas scooters preferidas!

Enquanto não a testamos, fica aqui este teste, efetuado pelos franceses da Motor Live.

Veiga (2015)

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Yamaha T-Max 530 - (quase) Perfeita!



Introdução - É um facto assumido e comprovado: Gosto de Scooters! E por isso também assumo que a minha scooter preferida é a Yamaha T-Max 530! Assim mesmo, sem fingimentos, constrangimentos e nem hipocrisias. 

Já conduzi praticamente todas as scooters que existem atualmente no mercado português e sim, é verdade, existem scooter fantásticas como por exemplo a Burgman 650, verdadeiro sofá com rodas, a SRV 850 e o seu supersônico dois cilindros em V, capaz de catapultá-la para velocidades acima dos 200 km/h, a Integra 750 com o excelente sistema DCT e consumos recordistas de fazerem inveja às suas rivais e também, porque não inclui-las neste restrito lote de eleição, a Maxsym 600 e a Xciting 400. 

E depois temos a Yamaha T-Max 530! 


Estamos assim perante a scooter sobre a qual tenho mais dificuldade em escrever, porque é muito difícil fazer um ensaio sobre a “Tê” sem exagerar no uso de adjetivos elogiosos. 
Mas, por isso mesmo, por ser a minha scooter de eleição, é que sou ainda mais rigoroso e "picuinhas", quando faço um test-drive a esta e tal como acontece com todos os trabalhos efetuados no Gosto de Scooters e no Motor Atual, a imparcialidade é total!

Design & Acabamentos – Apresentada de surpresa no EICMA 2014, a nova Yamaha T-Max 530 é acima de tudo uma evolução do modelo anterior, uma atualização no que diz respeito ao design e a tentativa de melhorar o que já era melhor.
 Se na maioria das alterações efetuadas, os técnicos japoneses conseguiram melhorar o que parecia ser impossível de ser melhorado, na minha opinião, houve a introdução de uma novidade que... mais valia estarem quietos! Mas já lá iremos, pois este capítulo é dedicado ao "Design & Acabamentos".

Assim, a primeira e mais visível alteração, está na zona frontal, com novo desenho da carenagem dianteira e a integração de novos faróis totalmente em LED (felizmente desapareceu o"pirilampo" da luz de presença!), com um desenho estilístico que nos transporta até à MT09-Tracer e que deixa um pouco de lado a imagem, talvez para alguns, demasiado desportiva e agressiva do anterior modelo, transmitindo agora uma imagem mais sóbria e adulta, provavelmente mais ao gosto do cliente-tipo desta scooter. 

Também o grafismo e o letring do painel de instrumentos seguiu o mesmo caminho, sendo agora um tudo ou nada mais discreto, mantendo no entanto o mesmo tipo iluminação - aquele vermelho forte que não deixa ninguém indiferente! -, lembrando-nos sempre que vamos aos comandos de uma scooter muito especial.

Os espelhos retrovisores, são novos e causam alguma estranheza devido, não só à sua colocação lá bem à frente, mas também por causa das suas finas e longas hastes.

Em tudo o resto, no que diz respeito ao design desta scooter, é igual ao modelo anterior, com linhas modernas, estilizadas e verdadeiramente agressivas, sobretudo quando falamos do conjunto formado pelas luzes traseiras que, magnificamente conjugadas com a longa ponteira de escape preconizam a herança da imagem proveniente da anterior R1.


Pouco há para dizer sobre os materiais ou a sua montagem, tal é a elevada qualidade desta scooter e isso sente-se principalmente quando a conduzimos pois, nem mesmo quando circulamos no mais degradado dos pisos, chega até nós o mais pequeno lamúria ou gemido. O único som que chega até nós é a magnífica "música" debitada pelo escape.

Ergonomia - Para mim perfeita! Alguns, poderão reclamar que o guiador se encontra um pouco mais baixo do que é habitual nas scooter e eu direi que sim, é verdade, mas que aquele posicionamento tem a sua razão de ser, o que será devidamente comprovado um pouco mais à frente quando chegar a altura de falarmos sobre a ciclística da "Tê".


Estamos perante uma scooter alta (800 mm do assento ao chão) e larga, o que poderá prejudicar um pouco a vida aos mais curtos de pernas. No lugar do condutor que possui um encosto regulável e apesar do muito espaço ocupado pelo motor, somos brindados com bom espaço para a colocação das pernas, tanto na posição normal "sentado" como com os pés lá bem à frente. 
Curiosamente, a T-Max 530 é a única scooter onde, é precisamente na posição com os pés lá na frente que me dá mais confiança (e gozo!) fazer uma condução, digamos, (muito) mais agressiva. Não sei se serei o único a quem isto acontece...

O lugar do pendura é amplo e confortável, se não nos esquecermos que estamos na presença de uma scooter de elevadas prestações e ADN desportivo.



Sentado na T-Max olho para os espelhos retrovisores e finalmente percebo a razão de estarem lá tão à frente e das hastes serem tão compridas. Ao contrário do que acontecia na anterior, temos uma excelente visibilidade lá para trás! E finalmente uma scooter com os espelhos colocados nas laterais - e não no guiador - nos quais se consegue ver algo mais do que os ombros! Apenas requerem alguma paciência quando temos que os regular e um pequeno período de adaptação devido ao facto de estarem lá mais à frente, de resto, ótimos!

Equipamento - Em relação ao equipamento e fora o acréscimo do "duvidoso" (já lá iremos...) sistema de "chave inteligente" tudo o resto permanece igual ao modelo anterior. Assim, no belíssimo painel de instrumentos (para mim dos mais bonitos!) temos, no lado direito o velocímetro graduado até aos 180 km/h e no lado oposto, o conta-rotações com escala até às 9000 rpm e com o red line a começar às 8250 rpm. 


Na terceira zona de informação, temos em cima as luzes indicadores de mudança de direção e no centro, vamos encontrar o computador de bordo, composto por um visor multifuncional, rodeado por dois botões que comandam as diversas funções. Aqui temos, em grande destaque o relógio, estando à esquerda o indicador do combustível e a respetiva luz de aviso da entrada na reserva e à direita, o indicador da temperatura do motor e a luz de advertência de temperatura elevada. 
Por cima do relógio, vamos encontrar o conta-quilómetros (odómetro), dois parciais (Trip 1 e 2) e ainda um parcial (Trip F) que fica automaticamente visível, assim que se entra na reserva (+/- 3 litros de combustível no depósito), contabilizando os quilómetros percorridos a partir daí.
Abaixo do relógio vamos encontrar as palavras “Oil” e “V-Belt”, que ficam intermitentes quando é chegada a altura da troca dos respetivos componentes.

Ainda mais abaixo e mediante toque no respetivo botão, temos acesso à temperatura ambiente e aos consumos médio e instantâneo.

As manetes são reguláveis e os punhos são de excelente qualidade. 

No lado direito do guiador temos o comutador com os habituais botões que acionam a buzina, os piscas, médios/máximos e o “passing”. Por baixo deste encontramos o manípulo que aciona o travão de parque que é, como já referi por diversas vezes, o melhor que encontrei até hoje devido à facilidade do seu manuseamento.

O para-brisas da 530 pode ser regulado em duas posições. Se nas voltas corriqueiras do dia-a-dia, a posição mais baixa dá conta do recado, nas viagens mais longas, deve ser colocado mais alta, para melhor proteção.

Mesmo à frente do condutor, por baixo do guiador, vamos encontrar então aquela que, supostamente, é a grande novidade desta scooter: o “satélite", onde estão concentrados os comandos de algumas funcionalidades da scooter: desligar a scooter/o sistema de chave inteligente, trancar a direção, acender as luzes de parque e abertura do assento. Tudo isto é efetuado sem que seja necessário a utilização da normal chave “mecânica”. 
Aliás, é preciso uma chave, a tal "chave inteligente" que além de ser bonita e bem acabada, é um grande “calhamaço” o que torna pouco prático a sua utilização e transporte no bolso do blusão ou das calças
É com esta "chave inteligente" e quando devidamente ligada (tem botão on/off) mal nos aproximamos da scooter, esta fica em condições de circular. Assim, se pretendermos ligar a moto, basta dar primeiro um toque no botão do start, para ligar todo o sistema, procedendo a partir daqui como noutra scooter qualquer, ou seja, um segundo toque no botão do start enquanto se carrega na manete do travão e colocamos o motor a trabalhar. 


Se gostei? Sendo sincero, tenho de afirmar que não! Ok, é um gadget engraçado e giro para mostrarmos aos amigos mas pouco mais que isso, pois sinceramente são mais os defeitos que as qualidades. 
Assim, não me vejo a efetuar uma viagem e de repente a “chave inteligente” ficar sem pilhas, por exemplo. É certo que existe forma de ligar a moto usando a chave “mecânica” que se encontra no interior da “chave inteligente”. Mas os procedimentos a efetuar para ligarmos a scooter com a chave "mecânica" são tantos e tão confusos que… prefiro a chave à moda antiga. 
Este sistema não se dá com pessoas que possuam pacemakers, não sendo por isso aconselhável a quem tenha este dispositivo que adquira esta scooter. 

Como se já não bastasse e como também acontece com a Daelim S3, pioneira no uso de um sistema de “chave” inteligente”, se estacionarmos a scooter num local onde existam, por alguma razão, inibidores de sinais de rádio, ficamos apeados e… ou empurramos a scooter para longe desse local ou, lá temos de fazer todo o procedimento complexo para ligar a moto.

Penso também que é devido à colocação da “antena” que capta os sinais de rádio da "chave inteligente" - no interior da zona frontal da scooter, algures ali por baixo do painel de instrumentos - que esta Yamaha ficou sem o compartimento de arrumação do lado esquerdo. Assim neste local apenas vamos encontrar um a tomada de 12 v para carregar o telemóvel ou outra coisa qualquer. E não teria mais lógica esta tomada estar colocada no interior do compartimento de arrumação que está no lado direito? 
E que tal também uma, cada vez mais útil, tomada de USB?

Mas não é tudo: imaginem que chegam ao pé da scooter e vêm com o capacete na mão ou um saco e querem abrir o assento. Supostamente seria a coisa mais fácil do mundo pois, a "chave inteligente" vem no bolso e assim sendo, basta carregar no botão colocado no satélite e abrir o assento e… nada acontece. Carregamos no botão mas se não tivermos, ao mesmo tempo, a outra mão pronta para levantar o assento, este simplesmente não mexe! O assento devia pelo menos fazer aquele “clic”, “saltar” e ficar aberto. Mas não! Apenas abre se efetuarmos os dois movimentos ao mesmo tempo: carregar no botão e levantar o assento. 
A pergunta é, se numa mão temos o capacete, um saco ou outra coisa qualquer, como abrimos o assento apenas com uma mão? Em cima do assento não se pode pôr pois é exatamente o que pretendemos abrir. No guiador? E se cai? Portanto, lá vai o saco, ou o capacete para o chão para ficarmos com as duas mão livres para abrirmos o assento. Nada prático, portanto!

E ainda… se por acaso perdermos ou estragarmos a "chave inteligente", quanto é que não custa adquirir um nova? Por certo bastante mais que a chave “mecânica”! 

Ufa, estou cansado de escrever sobre o sistema de “chave inteligente”! Meus senhores, para quê complicar o fácil? Existe algo mais fácil e prático que a velhinha chave de metal? Não! 

Quanto à “bagageira” debaixo do assento é igual ao modelo anterior, o que quer dizer que cabe lá um capacete integral ou modular e sobra algum espaço para a carteira, luvas, etc...


Em relação à iluminação, que é agora totalmente em LED, apenas elogios, pois da noite faz-se dia. Muito bom! Esqueçam as lâmpadas XPTO, o xénon e outros que tais, o futuro é sem dúvida alguma a iluminação LED!

Motorização & Ciclística – Comecemos pelas suas características técnicas: a T-Max 530 mantém o mais que conhecido, afamado, reconhecido e evoluído, motor de dois cilindros paralelos com 530 cc de cilindrada que debita 46,5 cv às 6750 rpm e um binário de 52,3 Nm às 5,250 rpm que, logo às primeiras voltas dos seus dois “canecos”, mostra de que raça é feito! 
A Voz rouca e grossa, mesmo ao ralenti, demonstra que estamos perante um veículo de duas rodas especial, um caso à parte no universo das scooters.

Sim é verdade, existem algumas scooters com motores mais potentes e capazes de performances superiores e depois existe a “Tê” com este motor! 

Ao contrário de muitos, o que me importa a mim ter uma moto/scooter equipada com um motor com "resmas de cavalos", se depois não os posso usar ou apenas lhes posso dar utilidade nas retas das autoestradas? 
Sendo eu da “velha guarda”, não é por acaso que só ando nas autoestradas em caso de extrema necessidade, preferindo sempre viajar pelas nacionais e secundárias e muitas das vezes, quanto mais secundárias melhor, onde um veículo de duas rodas melhor se exprime. E é isto precisamente o que acontece com a Yamaha T- Max 530.

Quer viajar com a T-Max 530 usando a autoestrada? Ótimo! Levante o para-brisas, recoste-se no assento, coloque as pernas lá à frente e desfrute da excelente velocidade de cruzeiro que esta scooter proporciona. Nas “autobahn”, viaja-se confortavelmente com o ponteiro do velocímetro encostado à marca dos 160 km/ e isto a dois! O para-brisa protege-nos bem, e a estabilidade é total, mesmo nos dias de muito vento.

Cidade? Aconselha-se, sem dúvida. De semáforo a semáforo, é a rainha e assim que existe um bocadinho de espaço livre à nossa frente, tudo fica para trás! 
Apenas os longos espelhos retrovisores, agora com umas hastes mais longas poderão limitar a facilidade com que se circula no meio das filas atafulhadas de automóveis e afins. 


Estrada? Aqui, a T-Max 530 é um dos melhores anti-stress que conheço! 
Peguem na T-Max, dirijam-se a uma estrada secundária, cheia de curvar sinuosas e retorcidas e ao fim dos primeiros metros, das primeiras curvas esquecem tudo o resto, o chato do patrão, o lambe-botas do vosso colega de trabalho, as “dores de cabeça” da vossa mulher/companheira/namorada, o olhar mortífero da sogra, pois entram noutro mundo: o mundo T-Max. 
E só quem conduz uma “Tê” é que tem o “passaporte” para entrar neste universo paralelo, da conjugação perfeita entre o homem e a máquina, na arte de bem desenhar a trajetória entre a entrada e saída de cada curva, no procurar novos limites curva após e curva e acima de tudo ficar cada vez mais surpreendido com a segurança que esta scooter transmite. 
Sim é verdade, estou a falar de uma scooter e não de uma RR! E é precisamente neste aspeto, na conjugação quase perfeita que existe entre a potência e a forma como esta é debitada e pela qualidade de toda a ciclística, que a T-Max se distingue e superioriza de todas as suas rivais, mesmo das mais potentes! 

Aqui, neste território, não tenho nenhuma dúvida: a Yamaha T-Max 530 é a melhor scooter do mundo, do Universo! 


Os seguidores do Gosto de Scooters (e também do Motor Atual) já sabem que existe algures ali para os lados da Malveira, um troço de estrada que é, assim podemos dizer, a minha “pista de testes” e onde faço sempre questão de levar todas as scooters, motos e automóveis que experimento, sejam quais forem. Digamos que é naquele trecho de uma dúzia de quilómetros que tiro a prova dos nove... 
Normalmente, percorrendo esta estrada uma vez nos dois sentidos, chega perfeitamente para ficar com a noção do que vale uma scooter/moto, no que diz respeito à ciclística, travões e motor. 
E se vos disser que com esta T-Max, apenas “derreti” ali um depósito, tantas foram as vezes que percorri aquela estrada, acima e abaixo, apenas pela diversão e gozo que esta scooter oferece e isto claro, com toda a segurança, agora ainda maior, devido à nova suspensão dianteira invertida, com uma acutilância e precisão superior e também às novas pinças de travão, agora de 4 pistões que travam ainda melhor, nunca dando sinais de fadiga? Um mimo!



Depois temos outra grande vantagem: a facilidade com que tudo se passa e acima de tudo o pouco cansaço que proporciona, ou seja, se fizesse a quantidade de passagens que fiz com a “Tê” na “pista de testes”, com uma das scooters rivais (já já fiz!), ou com outra moto qualquer, o certo é que no fim estaria completamente “roto”, pois as exigências físicas seriam bastante superiores.
 Com esta scooter, apenas fluímos de curva para curva com a maior das facilidades e apenas damos conta que andámos nos limites dos limites quando olhamos para os pneus e verificamos que estão completamente “limpos”!

Tal como escrevi quando testei a primeira T-Max 530, volto a repetir: neste tipo de estrada e quando conduzida por alguém equipado com um bom “kit de unhas”, esta scooter, dá grandes dores de cabeça a muitas motos, alegadamente “desportivas”, que por aí andam!

Algo que notei nesta nova “Tê” e apesar de nada ser referido pela Yamaha, foi ter sentido que o seu propulsor responde ainda melhor, na transição das médias para as altas rotações. Isto deixou-me de facto intrigado e fez com que perdesse algum tempo a pesquisar na internet, a ler o que já tinha sido escrito sobre esta scooter e… sim é verdade, algo está diferente pois também alguns jornalistas estrangeiros referiram o mesmo, uma melhor desenvoltura na atitude do motor na subida de rotação. E tal como aconteceu neste teste, esses mesmos jornalistas também referiram que, provavelmente devido a essa tal “mexidela” no motor, os consumos também subiram um “niquinho”. 

Assim, nas duas medições que fizemos neste test-drive, a Yamaha T- Max 530, gastou ligeiramente mais:


1ª Medição – Andamento normal, rotinas do dia-a-dia, com idas ao centro da cidade, apanhando a hora de ponta no regresso e regresso por vias rápidas.

Consumo: 5,2 L


2ª Medição – Viagem em ritmo de passeio até à Malveira, via Mafra. Secar quase por completo o depósito de combustível na minha “pista de testes”.

Consumo – 5,9 L

Média Final do Ensaio 5,55 L (ligeiramente acima da média final efetuada no teste da primeira T-Max 530: 5,27 L)


- Comentário Gosto de Scooters - 
Existem scooters mais potentes e que atingem maiores velocidades e existe a T-Max 530 que é, até hoje, a mais divertida e a que possui melhor comportamento dinâmico que já experimentei e isto tudo, sem perder nada do que gostamos numa scooter: facilidade de uso, o ser um veículo prático no uso diário e enorme capacidade de efetuar viagens longas, de forma confortável. 
A Yamaha T-Max 530 está ainda melhor e é, na nossa opinião, o conceito scooter elevado ao máximo, significando isso que apenas não leva a nota máxima - dez pontos em dez possíveis - devido ao sistema de “chave inteligente”!

Fatores Positivos – 
- Design mais sóbrio, adulto, sem perder o carisma e agressividade.
- Qualidade dos acabamentos.
- Iluminação
- Motor (ainda melhor entrega de potência, principalmente na passagem das médias para as altas rotações).
- Sonoridade do escape.
- Equipamento.
- Comportamento dinâmico (ainda melhor!)
- Facilidade de condução.
- Travões (ainda melhores!)
-Travão de parqueamento.

Fatores Negativos – 
- Sistema de “chave inteligente”.
- Perda de um dos compartimentos de arrumação.
- Não ser minha!

Classificação Final (de zero a dez) –
(Scooters acima dos 400 cc)

 Especificações técnicas
Motor - 2 cilindros paralelos de inclinação frontal, refrigeração líquida, 4 tempos, DOHC, 4 válvulas
Cilindrada – 530 cc
Potência máxima - 45,8 cv às 6.750 rpm
Binário máximo - 52,3 Nm às 5.250 rpm
Sistema de lubrificação - Cárter seco
Sistema de combustível - Injeção de Combustível
Sistema de ignição - TCI
Sistema de arranque - Elétrico
Sistema de transmissão - Automática, com correia trapezoidal
Suspensões 
Dianteira - Forquilha telescópica invertida (Curso – 120 mm)
Traseira - Braço oscilante (Curso – 116 mm)
Travões 
Dianteiro - Disco duplo (267 mm)
Traseiro - Disco (282 mm)
Pneus 
Dianteiro - 120/70-15
Traseiro - 160/60-15
Dimensões
Comprimento - 2.200 mm
Largura - 775 mm
Altura - 1,420-1,475 mm (para-brisa ajustável)
Altura do assento - 800 mm
Distância entre eixos - 1.580 mm
Distância mínima ao solo - 125 mm
Peso - 219 kg / ABS 222 kg
Depósito de Combustível - 15,0 Litros

Carlos Veiga (2015)