sexta-feira, 31 de julho de 2026

NOSTALGIA: FUI DAR UMA VOLTINHA E FIZ 902 KM (parte I)


Enquanto as novidades não chegam ao GostodeScooters, decidi voltar a publicar alguns dos trabalhos efetuados que tiveram mais visualizações e que mais gozo me deram fazer.

Pois é, tudo se conjugou! Tive o fim-de-semana livre, a família deu-me ordem de soltura, o tempo estava magnífico e a Valentina pedia quilómetros! E fiz-lhe a vontade!

Então cá vai:

Sábado, 10 de Abril, são sete e meia da manhã, enquanto a GTS aquece e me equipo,  vou pensando qual será o meu destino. Norte ou Sul?
Como a rodagem foi feita na zona Centro do país, desta vez pensei que seria interessante ir para Sul, só que iria evitar a todo o custo as auto-estradas. E tanto foi que só utilizei a AE, por duas vezes, Uma no Sábado, de Lisboa a Vila Franca de Xira e outra no regresso, de Setúbal a Lisboa, via Ponte 25 de Abril.


Mas adiante... 7h35 e eis-me já sentado e pronto a arrancar. Ok, vou para Sul e sendo assim, lá vou eu para a AE do Norte em direção a Vila Franca de Xira, para depois seguir para Porto Alto até Pegões. Abençoada a hora em que vesti uma camisola extra, pois estava fresquiiiiiinho!


Paragem em Pegões, mais precisamente na rotunda para tirar uma "polingrafia" e sigo em direção a Vendas Novas, onde chego bem rapidinho. Paragem para esticar as pernas junto ao Quartel de Artilharia e aproveito para tirar mais umas fotos.



Entretanto a barriga começa a dar horas e toca a seguir viagem até Montemor-o-Novo, local onde habitualmente costumo parar quando venho para estas bandas. Existe lá um café que tem umas empadas de galinha e uns rissóis de leitão que são deliciosos.

De volta à estrada, o sol começa  a aquecer e lá vai a Valentina devorando quilómetro após quilómetro, alegremente.

Ponteiro do velocimetro sempre entre os 100 e os 120 e o conta-rotações entre as 6 mil e 7 mil, foram uma constante nesta viagem. Só por duas vezes é que "apertei" com ela e foi aos 150 km/h! Mas só foram 2 vezes, pois a Valentina tem de ser muito bem tratada!
E eis-me chegado ao Kartódromo de Évora, onde também parei e...mais umas fotos!





Andei um pouco por ali a passear, visitei as boxes, vi os karts todos alinhados à espera dos "pilotos" enquanto dois mecânicos iam cuidando deles. Achei muito interessante ver a forma cuidadosa como reviam cada um dos kart, inspecionando tudo desde apertos de tudo o que fosse parafuso, até à pressão dos pneus. Só demonstram que levam os Kart muito a sério e claro quem fica a ganhar com isso é quem lá vai, pois assim sabe que vai ter um kart em bom estado e seguro.

Do kartódromo a Évora é um pulinho, mas como conheço muito bem aquela cidade (e não lhe acho grande piada!) resolvi seguir logo em direção a Reguengos de Monsaraz e daí decidiria qual o meu destino. E claro tirar a foto para recordação, desta vez junto à praça de touros!



Em Reguengos decidi fazer duas coisas. Uma, era despir a tal camisola, pois o sol já ia alto e estava a ficar muito calor! Afinal Alentejo é Alentejo, né? A segunda, foi pegar no mapa e ver por onde iria! Ora por aqui, ou por ali? Vou em direção a Espanha? Naaaa...existe tanta coisa por aqui que não conheço? Mais uma olhadela e está decidido! Vou conhecer a nova Aldeia da Luz. E toca a andar!

Uma coisa óptima que esta zona do Alentejo tem, são as suas magnificas estrada. Largas, óptima visibilidade, o asfalto mais parece um tapete (de Arraiolos?) e a Valentina estava deliciada! Habituada a andar quase sempre em Lisboa, o seu pequeno motor ronronava alegremente enquanto os quilómetros iam passando por nós.


E de repente...uma paisagem simplesmente de outro mundo! O Alqueva em todo o seu esplendor! Simplesmente espetacular! Parei, desliguei o motor da Valentina e fiquei ali uns largos minutos a saborear aquele momento único. Que silêncio, que paz! Isto meu senhores, é melhor que qualquer anti-depressivo, ou anti-stressante que se possa tomar! Nada de químicos! Aqui é tudo puro!

Uma paisagem que me iria acompanhar durante muitos e bons quilómetros!



Entretanto vou fazendo umas paragens e fotografando o que acho interessante ou bonito. Estou no meio do Alentejo e existem coisas que só mesmo ao vivo e a cores se podem saborear. Uma coisa vos vou confessar. Não gostava do Alentejo, achava tudo muito árido, amarelo, mas com o Alqueva, tudo mudou! Tudo está verde, fresco, agradável. Sinceramente, mudei de opinião! 

O Alentejo está magnífico!





Entretanto cheguei à Aldeia da Luz e...agora percebo.
Inaugurada em 2002, é tudo novo, limpo, as paredes das casas imaculadamente pintadas de branco, tudo muito certinho, mas...falta-lhe algo. A sua história! História que se perdeu com a destruição da "antiga" Aldeia da Luz, a verdadeira. Andei por ali um pouco e... das poucas pessoas que vi, todas pareciam autómatos. Pessoas a quem lhes tiraram a "alma" e que agora vivem ali porque não têm mais lado nenhum para ir. A Aldeia da Luz morreu. Esta, a nova, é uma aldeia triste, sem vida, sem alma, uma coisa quase que diria asséptica. Até o relógio da igreja estava parado. Parece que o tempo parou quando a Luz ficou debaixo de água. Resolvi sair dali, é um sitio triste, que nos põe tristes!





O calor apertava, mas a fome ainda apertava mais e por isso resolvi que, no próximo local onde parasse, teria de encontrar um restaurante para almoçar...e acabei por parar na Aldeia da Estrela.


*
*

( Estas duas últimas fotos retiradas do site do Restaurante Sabores da Estrela com a devida autorização da dona do estabelecimento.)

Que diferença entre a Aldeia da Estrela e a Aldeia da Luz! Esta tem vida! Respira vida! E tem um restaurante que só por causa dele, vale a pena fazer uma visita.

Almocei no Restaurante "Sabores da Estrela". Uma óptima esplanada com vista para o Alqueva e comida divinal! A escolha era muita e por isso difícil, mas como é Alentejo decidi-me por um prato típico! Açorda de bacalhau que estava simplesmente deliciosa! E para arrematar, um delicioso arroz doce, ainda morno! Só de me lembrar....já estou outra vez com fome!




Por mim ainda ficava ali mais um bocado e quem sabe até para jantar, mas a Valentina esperava por mim ansiosa por se fazer á estrada e as horas também estavam a passar e...toca a andar!
Ora bem, vou dormir à Quarteira, está decidido! Sou um gajo de arranques, não sou!? Sendo assim toca a rodar!
Lá vou eu em direção a Mértola! Pelo caminho vou parando aqui e ali, para tirar umas fotos e descansar um pouco, pois a Valentina é muito confortável, mas, já andei muito e o cansaço começa a aparecer. Ainda por cima está muito quente e toca a despir mais uma camisola, ficando apenas com uma t-shirt e o blusão! Ah, assim está melhor, até me mexo mais e tudo!
Foi nesta parte da viagem onde apanhei as piores estradas! Até Mértola e quase até Castro Marim as estradas estão em péssimo estado. De vez em quando lá se fazem meia dúzia de quilómetros em piso menos mau, mas depois lá vem aquele alcatrão não alisado de onde uma pe-pe-ssoa sa~sai aos tre-tre-me-me-liques!




E cá estou eu no Algarve e...a Valentina precisa de gasolina e...vou ali num instante a Ayamonte, já volto!

Uma voltinha por Ayamonte para atestar o depósito e porque não dar um pulinho até Isla Canela?
Quando atestei não resisti e tirei uma fotos! Uma, ao placard com os preços dos vários combustíveis. Outra realidade não acham? Façam lá a comparação com os preços praticados neste cantinho à beira-mar plantado! Andamos a ser enrab**** a sangue-frio! E o pior é que continuamos a deixar que o façam! Adiante...não é hora de falar nessas m*****!

Fotografei também um velho Cadillac, assim para o piroso que estava à venda! Reparem no volante? Quem é que seria o dono daquele carro? lol

Em Isla Canela estive pouco tempo, pois o tempo começava a ficar frio e ventoso, já era tarde e ainda tinha muitos quilómetros pela frente até à Quarteira.







De regresso a Portugal e tal como disse  no ínício, evitar a todo o custo as AE ou vias rápidas, lá vou eu pela N125 em direção a Quarteira. Faço mais uma paragem, desta vez antes de Olhão,  mais precisamente na Moto Pires. Lá encontrei precisamente o Senhor Pires, que já se encontrava a arrumar as motos para fechar o Stand. O certo é que fiquei ali mais de meia-hora em amena cavaqueira com ele. A Moto Pires já existe à 33 anos e pelo que me disse é quem mais vende motos Sym, na zona do Algarve! Falámos das motos, da minha viagem e foi simpático ao ponto de me mostrar as instalações e aquilo é enorme! O que existe ali de motos e peças, é um mundo! São vários armazéns atafulhados de tudo o que é peças, tanto para cinquentinhas, como para as mais potentes, antigas ou novas! Ali existe tudo! Fiquei impressionado.
Também lhe perguntei se já lhe tinha aparecido alguma GTS 125 com falhas  no ralenti e ele disse-me que até á data não. Quando lhe contei o que se passava com o ralenti de algumas GTS 125, ele disse-me que o problema também poderia ser de, pelo facto de serem motores novos, as válvulas estarem muito justas e por isso o motor não funciona como deve ser e vai abaixo. Quem sabe, não terá ele razão!? Afinal são muitos anos a "virar frangos"! Lá está, se assim for, mais uma razão para se fazer uma rodagem muito bem feita às motos novas. Aquilo vem tudo muito justo, muito preso e se, esforçadas no ínício de vida, depois mais tarde, vêm a ter problemas de consumo de óleo, devido á má estanquecidade dos segmentos e válvulas.

E pronto, mais uns quilómetros andados e cheguei ao Hotel Zodiaco, na Quarteira, onde iria pernoitar.

Ena, hoje rodei 546 quilómetros! A Valentina está doida!



Check in feito, foi entrar no quarto, tomar um duche, mudar de roupa e ir jantar. Desta vez decidi deixar a Valentina a descansar no parque do hotel e fui a pé até à marginal da Quarteira onde escolhi o restaurante onde iria jantar. Na Quarteira faço sempre a mesma coisa. Escolho, escolho e acabo sempre por escolher o mesmo restaurante! Lá fui eu ao PicNic comer o que sempre como quando vou lá: uma deliciosa sopinha de peixe e uma espetada de lulas acompanhada por batatas à murro e feijão verde cozido e claro, o molhinho de manteiga a acompanhar, que tão mal faz, mas tão bem sabe!
E... não tirei fotos do jantar, pois como fui a pé não levei a máquina fotográfica. Fica para a próxima!

Por hoje chega, estou cansado, mais tarde escrevo sobre o resto da viagem... até já!

(Clicar nas imagens para aumentar)

Carlos Veiga (12/04/2012)



quarta-feira, 29 de julho de 2026

terça-feira, 25 de novembro de 2025

EICMA 2025 - SYM


 

EICMA 2025 - QJMOTOR


 

EICMA 2025 - APRILIA


 

EICMA 2025 - YAMAHA


 

EICMA 2025 - KYMCO


 

EICMA 2025 - SUZUKI


 

EICMA 2025 - PIAGGIO


 

EICMA 2025 - ZONTES


 

EICMA 2025 - VOGE


 

EICMA 2025 - HONDA


 

domingo, 26 de outubro de 2025

Honda SW-T 600 - Mais de 1200 km de puro prazer!



2ª FEIRA -

Uns dias de férias, bom tempo e a Honda SW-T 600 na garagem a olhar para mim, com cara de parva!

Ok, ok, já percebi, queres ir vadiar. Pensando bem, fora as pequenas voltinhas apenas para manter a bateria carregada, pouco ou nada temos andado, eu e ela.

Ora deixa cá ver, é segunda-feira, são quase duas horas da tarde, se calhar já é tarde para arrancar ou... talvez não!

Um saco pequeno de desporto, meia dúzia de peças de roupa, mais uns ténis, escova e pasta de dentes, um desodorizante, um pente, o carregador do telemóvel e, "bora" que se faz tarde - vantagens de ter pouso certo, em Arganil!

Três da tarde e já a SW-T ronrona alegremente em plena A1, em direção a Aveiras onde a partir daí iremos viajar sempre pena Nacional em direção a Coimbra.
Tarde serena, temperatura amena e uma condução bem calminha pois... não tenho pressa e muito menos hora marcada para chegar a Arganil. 
Trânsito normal para uma segunda feira, muitos veículos pesados, como é habitual, mas tudo muito tranquilo. Ainda bem!
Uma paragem num pequeno café, para beber uma água fresca e siga!

Ao avistar Coimbra, lembro-me que já não visito os meus primos Paula e Zé há algum tempo e assim, aponto a scooter ao Portugal dos Pequeninos. É mesmo ali ao lado!
E tal como acontece sempre, perdemo-nos na conversa. Quando reparo, já está a anoitecer e eles também têm mais que fazer, do que aturar o primo maluco!

Dona SW-T, como é que é? Seguimos viagem? Juro que vi um relampejar dos máximos em sinal de total concordância...  ou estarei a ver coisas? 



Atravesso Coimbra, cheia de trânsito, sete horas da tarde, em plena hora de ponto e lembro-me que tenho de abastecer a scooter pois, quando sai de Lisboa, não coloquei gasolina, tal era a pressa de ir embora! 

 Depósito cheio até às bordas e lá vamos nós, a SW-T e eu, para aquela que é para mim - e pelos vistos tambem para ela! - uma das estradas que mais gosto de fazer, a N17, também conhecida como a Estrada da Beira e aqui meus amigos, mesmo que queira impor um andamento calmo e mesmo de noite, é caso para dizer "PQP" para esta estrada que puxa por um gajo como se não houvesse amanhã! 

Pois é, não consigo resistir e mesmo de noite, "here we go again"!  



 E é em situações como esta que sinto saudades de uma moto a "sério", até mesmo da "traineira" que era a Yamaha XJ 900 Diversion, a qual, após ter a suspensão dianteira trabalhada pelo Mestre Carlos Figueiredo - GiraMotos, em Linda-a-Velha- , ficou a curvar que era uma maravilha. 

Mas, não me posso queixar pois a Honda SW-T 600 e depois de também ter trocado o óleo da suspensão dianteira para um ligeiramente mais espesso - o que mudou radicalmente o comportamento da scooter! - deixou de ser aquela coisa bamboleante e que pregava sustos quando exigíamos mais dela e tudo com apenas, uma simples mudança do tipo de óleo, ficando totalmente diferente, mais segura, sentindo-se a frente mais agarrada ao chão, mais incisiva na inserção em curva, ou seja, totalmente diferente, para melhor e aqui também temos de elogiar a ótima qualidade dos Bridgestone Hoop.
Mas como é óbvio, a Honda SW-T 600 é uma scooter, mais concretamente, uma Maxiscooter, o que equivale a dizer que é grande, comprida e pesa 250 kg (apenas menos 2 kg que a XJ900!) e por isso, tem o comportamento típico de um veiculo de duas rodas com estas características.

Opá, deixemo-nos de lamentações pois mesmo sendo uma scooter grande e pesada, consigo divertir-me à brava neste tipo de estrada, como a N17 e a prova disso mesmo são exatamente as marcas de desgaste no pneu traseiro. 

Assim, rapidamente chego a Poiares, onde viro para a direita em direção a Góis cuja estrada, apesar de mais sinuosa e com algumas curvas matreiras que podem surpreender os mais afoitos ou quem não as conhecem bem, são puro prazer de condução, desde que, como é óbvio, os limites de cada um e sobretudo os limites da máquina que conduzem sejam respeitados. 
Quando se ultrapassam esses limites, o mais certo é sair asneira...

E cheguei ao destino!

Depois de colocar o saco de viagem em casa, tenho de ir até Arganil comer alguma coisa. 
A conhecida pastelaria "Argus", situada mesmo no centro de Arganil, ao lado do edifício da Câmara Municipal estava fechada para férias e por isso apontei agulha para o "Eduardus", logo ali a seguir, onde devorei uma deliciosa sopa de legumes e uma tosta mista! 
Agora sim, está na hora de regressar a Celavisa e descansar o esqueleto!

3ª FEIRA - 

Porra, como é possível, lá fora estar um sol tão agradável e dentro de casa, estar um frio do caraças, que me obrigou até a ir, a meio da noite, buscar um édredon, ao guarda-vestidos? Logo, bem ligo o aquecedor.. assim como assim é a sogra que paga a conta da luz! 

Olhar para o relógio, são nove horas e dez minutos, tomar um duche rápido, sair de casa e confirmar que está muito mais calor na rua do que dentro de casa e... para onde é que hoje vou vadiar? 
Bom, para já, vou até Arganil, até ao "Forno", para degustar um galão escurinho e a escaldar - mesmo a escaldar, quase a partir o vidro do copo, como gosto - e uma sandocha mista.

Dez e picos da manhã, sol alto, temperatura ótima para se andar de moto e é isso mesmo que vou fazer. E para onde vou? 
Deixa cá ver, quero fazer uns bons km, mas sobretudo ir a algum lado que ainda não conheça. 

Nisto passa um carro de patrulha da GNR, mesmo ali e ao lado e... se fosse até à Guarda? 
Tem tudo a ver, não é? Guarda Nacional Republicana, Guarda cidade...

Bom, que se f... lixe, está decidido! Vou até à Guarda, cidade que não conheço! Sempre dá para fazer uns bons km de moto e visitar uma localidade que é desconhecida para mim.
 Aliás, já lá tinha ido com os meus país, quando era pequeno mas, sinceramente, não tenho qualquer tipo de memória daquela cidade.

Claro que a SW-T ficou toda entusiasmada e lá fomos os dois, contentes e felizes e chegámos à cidade da Guarda ainda mais felizes, depois de termos feitos uns belos quilómetros na A25, a velocidades que me recuso a descrever, onde, mais uma vez, esta Honda SW-T 600 conseguiu surpreender-me positivamente, não apenas pelas velocidades atingidas, mas sobretudo pela facilidade em mantê-las, mesmo em grandes e prolongadas subidas.



E eis-nos na Guarda, cidade, sempre a subir (ou a descer, como é óbvio, daaaaaah!) mas que, sinceramente, pouco me encantou. 
Ora vira aqui, ora vira ali, passar pela, quase abandonada, zona histórica da cidade e uma pausa prolongada, para admirar a famosa Sé da Guarda.
 
Agora dando uma de gajo bué inteligente (obrigado chatgpt!), posso dizer que, o edificio original foi mandado construir a pedido de D. Sancho I ao Papa Inocêncio III. 


Deste primeiro edificio pouco ou nada se sabe, a não ser que, quase no mesmo local e já no século XIV e por ordem de D. Sancho II, foi construída uma catedral que também acabaria por ser destruída.

Ainda no século XIV, mas já no reinado de D. João I, seria iniciada a construção da atual Sé da Guarda, obra que se arrastou durante anos a fio, tendo sido finalmente concluída no século XVI, o que resultou numa miscelânea de estilos, algures entre o gótico e o manuelino. 

Como dá para perceber, levar uma eternidade para construir algo, parece ser um hábito que atravessou séculos pois, qualquer semelhança entre o tempo gasto a construir a Sé da Guarda e o tão falado novo Aeroporto de Lisboa, não pode ser mera coincidência!


E.. a Guarda está vista. Para mim, cidade com pouco que ver e, ala que se faz tarde.

Com isto tudo já tinha passado a hora de almoçar mas tinha a barriga a dar horas e lembrei-me que quando entrei na Guarda, tinha reparado num KFC. Está decidido! Venha de lá um menu de dois pedaços, com batata frita, Cola Zero e um sundae natura para equilibrar a coisa. 

Então, perguntam vocês, não havia mais nada para comer na Guarda que... Fast-Food? 

Claro que havia, aliás, é zona bem conhecida pela sua fantástica gastronomia mas, apeteceu-me KFC e agora? Não posso? Não gostam de fast-food? Não comam! Eu gosto!

Voltámos à A25, agora sem pensar que aquilo era uma autoestrada alemã (vamos ver se não chega a casa nenhum "voucher"...), sigo bem mais tranquilo, até Seia, onde, como já é habitual, dei por ali umas voltinhas, pois é um lugar que me trás ótimas recordações de infância e onde me sinto muito bem. 



E de Seia a Celavisa, foi um pulinho - parece que os meus primos Ricardo e Fátima estão com muitas saudades minha, mas vai ter de ficar para a próxima.. -, ainda com uma rápida passagem pelo Intermarchê de Arganil, para fazer umas comprar para o jantar e não só.

4ª FEIRA - 

Quase dez horas da manhã - abençoado édredon, dormi que nem um santinho! -, salto da cama, abro os estores e sol com fartura! É isso mesmo que se quer, duche rápido e rapidamente estava em Góis. 

Um café e um pastel de nata depois, outra vez aquela dúvida: para onde vamos, eu e a SW-T?

Que tal irmos para o lado oposto de onde fomos onde? 
Ok, vamos, para já, apontar a agulha até à Pampilhosa da Serra, para mais um troço de estrada que nos coloca um sorriso parvo na tromba e... nada feito pois, algures, ainda a pouca distância de Góis, eis que, a bela estrada está fechada e temos de fazer um desvio para a direita. 
Por um lado ainda bem pois o ritmo parvo a que já ia, era mais digno de outra autoestrada alemã que o adequado para uma estrada municipal, apesar de em ótimo estado. 
E também ainda bem porque, assim, dei por mim a circular por estradas (em algumas zonas aquilo já não eram bem estradas...) que desconhecia, tal como também desconhecia as muitas aldeias por onde fui passando, umas com apenas meia dúzia de casas e outras, como o bonito Pessegueiro, maior e bem cuidada.

Chegado à Pampilhosa da Serra nem parei pois, é uma vila que já conheço bem e sendo assim, decidi seguir em frente, em direção a Silvares para ver toda aquela enorme área que ardeu. E se ardeu! 

Mais uma vez e por muitas vezes que já tenha visto zonas ardidas, não deixo de ficar surpreendido e muito triste com tudo aquilo. 

Ainda se sentia o cheiro a queimado! 



Naquele local onde parei, desliguei a scooter e estive largos minutos a olhar para toda aquela imensa área que ardeu e sobretudo por perceber que a vila Silvares, foi totalmente cercada pelo fogo. 



Não consigo sequer imaginar o que aquelas pessoas passaram e também, o que os muitos bombeiros que ali estiveram a lutar contra o fogo devem ter passado, sendo algo inacreditável!
Arranquei e segui muito devagarinho nos quilómetros seguintes e nem sei bem porquê, talvez pela magnitude daquela tragédia, talvez por respeito a todas aquelas pessoas, nem sei bem...  
Um pouco mais à frente encontro o rio Zêzere e pouco depois chego a um cruzamento onde tenho de tomar uma decisão: para onde vou?

Se virar à direita vou para Castelo Branco, se optar pela esquerda, sigo para o Fundão. 

Pisca da esquerda acionado e  segui para a cidade do Fundão.



Confesso que fiquei muito surpreendido pela positiva com esta bela cidade, que conhecia apenas de "raspão" e agora, apesar de apenas a ter atravessado - fiz apenas uma rápida paragem para efetuar um telefonema -, o certo é que gostei muito ambiente e sem dúvida, será um local onde, numa das próximas viagens, irei perder algum tempo a visitar/explorar.


Do Fundão à Covilhã é um pulinho, uma longa reta, com resmas de rotundas plantadas ao desbarato.

A Covilhã, pessoalmente, pouco me atrai, ou melhor, atrai-me tanto como a Guarda, provavelmente, porque não gosto de localidades que ficam em encostas, com grandes subidas e descidas. 
Entrei na cidade e como a SW-T já vinha a avisar que estava na hora de comer, tive de fazer-lhe a vontade  e encher-lhe o bandulho, até as bordas, com comidinha da boa, pois ela em viagem, apenas come "Gourmet", neste caso, uns bons litrinhos de BP Ultimate. E não era só ela que tinha a barriga a dar horas, pois a minha também estava. 

Sigo para o centro da Covilhã mas é como disse, não morro de amores por esta cidade e assim sendo, também não é aqui que vou almoçar, apesar de já serem quase três horas da tarde, 



Duas ou três paragens apenas para fazer o registo fotográfico da passagem por ali (no Fundão esqueci-me...) e siga serra acima onde estico-me um "bocadinho" naquelas subidas íngremes, tão "bocadinho" que a SW-T resolveu queixar-se.

Começou a fazer o famoso "peru", um som tipico destas scooters - quem tem sabe do que falo -, vindo da zona da transmissão. 
Isto acontece quando se exige muita da transmissão, principalmente em subidas muito íngremes com curvas bastante sinuosas e confesso, sim, abusei um "bocadinho", mas mal ouvi o "gluglu do peru", ops, não te estiques, pois a menina vai em esforço. 

Decidi parar, para a SW-T "descansar" num, bem localizado, restaurante, nas Penhas da Saúde (fica do lado direito, quando se sobe), com uma ótima esplanada. 
Como era tarde, pensei que já não deviam servir almoços e assim foi, mas serviram uma deliciosa sopa serrana daquelas de "entulho", à qual juntaram uma sandes de queijo da serra e presunto, de lamber as beiças e chorar por mais!

Depois, lá fui serra da Estrela acima, bem mais calminho, para evitar que a SW-T começasse a "gluglugar" outra vez (o certo é que nunca mais fez!) e também para apreciar/saborear/absorver, tudo aquilo que ali nos rodeia, as belas montanha a perder de vista, os lagos e aquele ar forte que, de tão puro que é, no início, até estranhamos!



Já quase no topo, no cruzamento, decido que não valia a pena ir até à Torre, pois tinha lá estado nas férias em Agosto por isso apontei a scooter em direção ao Sabugueiro e depois Seia - Ricardo e Fátima, ainda não foi desta lol -, onde andei, outra vez, por ali a cirandar (tem de ser, não resisto!)  e sigo, com toda a calma do mundo para S. Romão - outra zona  que sofreu horrores por causa dos fogos e vou apanhar a Estrada da Beira, em direção a Arganil e depois Celavisa.
 
Algures, ainda fiz uma paragem para uma visita rápida a um armazém com o qual ficava intrigado sempre que por ali passava e agora percebi que é uma espécie de loja de antiguidades tamanho XXL e que vai merecer, da minha parte, uma paragem mais prolongada, numa das próximas vezes que vier para estes lados. Sei que fica numa das muita pequenas povoações que são atravessadas pela N17, mas esqueci-me do seu nome. Fica para a próxima...

5ª Feira -

Dia de regressar por isso, o habitual, acordar por volta das nove horas, duche, meter a tralha no saco de viagem, fechar tudo o que é torneira, desligar o gás, não deixar nada elétrico ligado, a não ser frigorífico e siga até  Vila Nova de Poiares para tomar o pequeno almoço, numa ótima pastelaria que ali existe, já em plena N17, em direção a Coimbra.

Novamente na estrada, num andamento moderado, a saborear cada quilometro percorrido e a pensar que já estava de regresso. E quando me aproximava de Coimbra pensei: e que tal esticar a coisa mais um bocadinho e ir almoçar à Figueira da Foz? É já ali ao lado!
As desculpas que um gajo arranja para fazer mais umas boas dezenas de quilómetros, tudo pelo prazer de andar de moto, neste caso, de scooter, que tb é uma moto, diferente, mas é!



Figueira da Foz à vista e a barriga a "dar horas". Ora, vamos lá escolher um restaurante, de preferência com esplanada e a escolha foi rápida pois, num dos muitos restaurantes existentes na bonita e enorme marginal da Figueira da Foz, vejo um placar com a seguinte indicação: "Prato do Dia - Polvo à Lagareiro". A escolha está feita!
Que maravilha! Polvo muito tenrinho e fresquinho, com aquele sabor típico a mar.

Porra, comi muito! Por estas e por outras é que quando viajo de moto, não gosto de grandes almoços, mas o raio do polvo estava mesmo bom!

Embuchado até ao pescoço, regressei à estrada, agora em direção a Leiria, nas calmas, pois estava cheio de mais para fazer uma condução, digamos ,mais "atrevida".



E foi num ritmo tranquilo que cheguei a Lisboa e depois a casa, em Linda-a-Velha com a barriguinha, ainda cheia do polvo, mas sobretudo de mais um belo passeio que apenas pecou por.. ter terminado!

Mais de 1200 km, rodados, por este belo cantinho à beira mar plantado, com a Honda SW-T 600 a demonstrar que é uma ótima companhia de viagem, sobretudo pelo conforto proporcionado - sem as muitas dores no meu joelho lesionado, que tanto sentia na XJ900, devido ao seu ângulo mais fechado das pernas -, capacidade de carga, consumos e grande fiabilidade.

Venha a próxima!!


Carlos Veiga (26/10/2025)