Caros amigos, este vai ser o primeiro de uma série de textos que vou escrever sobre motos, equipamento, segurança, manutenção, limpeza, etc, etc. Não sou nenhum especialista da matéria nem “engenheiro” ou seja lá o que for, formado em motos e afins. Tudo o que escrever será baseado apenas e só na minha experiência pessoal e na minha vivência diária a trabalhar com motos. Tenho uma empresa de estafetas, onde a nossa ferramenta de trabalho são as motos, tendo assim provavelmente uma experiência mais profunda neste campo.

A nova lei das 125 foi uma autêntica lufada de ar fresco, dando assim a oportunidade a quem só tinha carta de condução de automóvel, poder também conduzir motos de 125 cc. Estas, as 125, já podem circular nas auto-estradas e na Ponte 25 de Abril e Vasco da Gama, sem dúvida uma mais valia, para quem mora na margem Sul do Tejo ou tenha de circular diariamente por estradas a abarrotar de trânsito. No entanto, se alguns já tinham andado em motos de 50 cc (a quem a maioria chama “motorizadas”), outros nunca andaram de moto, nem mesmo à pendura.
As motos sempre foram vistas como “objectos do diabo”, muitos foram educados de forma a detestarem motos e muitos outros tiveram contacto com motos escondidos dos pais, pois esse abominável bicho chamado moto é muito perigoso! Mas querem a verdade? É muito perigoso, sim!!! A moto é um “bicho” muitíssimo perigoso! Disso não tenham dúvidas! Nunca tenham! No dia em que deixarem de pensar que as motos não são perigosas, preparem-se, Estão a pisar o risco e mais cedo ou mais tarde o acidente acontecerá!
Diz-me a experiência e por certo muitos companheiros de estrada concordarão comigo, que a maioria dos acidentes acontecem, não quando se começa a andar de moto, mas sim quando pensamos que já sabemos andar de moto! Confusos? Eu explico:
Quando se tem o primeiro contacto com uma moto, ou depois de muitos anos sem andar de moto, é claro que o receio aparece. “Será que vou conseguir? Será que ainda me lembro? Será que aguento com o peso da moto?” Tudo perguntas normais de quem se vai iniciar ou vai voltar a andar de moto. O receio é muito e as primeiras voltas são sempre dadas com muito cuidado. Depois, com o passar do tempo já nos vamos sentindo bem em cima da moto e até já se consegue fazer algumas “avarias” a tendência é baixar a guarda, que é como quem diz, deixarmos de ter tanto receio e começarmos a pensar que afinal de contas o Valentino Rossi e seus pares afinal não são assim tão geniais, pois andar de moto é facílimo.
Pois é meus amigos, é aqui que começam a acontecer os acidentes seja por falta de atenção ou excesso de confiança, eles acontecem e olhem que dói muito cair de moto! Eu que o diga!!
Por isso nunca se esqueçam: mesmo que já se sintam à vontade em cima da moto, nunca mas mesmo nunca baixem as defesas! É um conselho de alguém que tem milhares e milhares de quilómetros de moto e que já deu com os costados algumas vezes no hospital! Doi e muito!
A primeira pergunta que devem fazer quando decidirem comprar, é qual o tipo de moto que irão adquirir? Um scooter? Uma utilitária? Um todo-o-terreno? Uma custom (as erradamente chamadas “choppers”)? Como vêm a escolha é imensa e tudo depende daquilo que pretendem da moto. Apenas um veículo de transporte que vos leve ao emprego e apenas e só isto? Uma que permita dar umas voltinhas ao fim-de-semana com pendura? Uma que nos permita circular por caminhos de terra e até fazer algumas brincadeiras? Uma que consiga conjugar o conforto tanto para o condutor como para o pendura possuindo ainda espaço para arrumação e sendo uma moto na qual se possa circular com o fato vestido sem que se suje? Ou uma que nos faça sentir como se fossemos um Valentino Rossi, apesar da sua baixa potência? E que tal circular calmamente numa reluzente moto, toda cheia de cromados? Como podem ver a escolha é enorme, tudo depende do vosso gosto e claro, do vosso bolso!

Aquela que deve ser a primeira regra a cumprir quando se pretende comprar uma moto, independentemente do modelo de moto, é o modo como a “vestimos”. Tenho tido conhecimento de vários casos de pessoas que compraram uma moto apenas porque era bonita e depois tiveram de a vender ou trocar e isto porquê? Compraram porque era bonita ou barataa e nem sem deram ao trabalho de se sentarem nela. Sim, é verdade muitos compram uma moto sem se sentarem nela e isso é um grave erro. Temos de ver como ficamos em cima dela. Se chegamos bem ao chão, se aguentamos com o seu peso, se sentados em posição de condução nos sentimos bem e conseguimos dominar a moto e se todas os comando estão ao nosso alcance. Também muito importante, se a intenção for circular frequentemente com pendura, é a/o pendura sentar-se na moto. O que pode ser óptimo para o condutor pode ser terrivelmente desconfortável para o/a pendura. Na hora de escolher, levem a/o vosso pendura com vocês (principalmente se são as vossas marias, pois por certo também elas quererão dar umas voltinhas e quem sabe até conduzi-las). O pendura que se sente, e veja se a posição é confortável, se leva os pés bem colocados, se as pernas não vão demasiado flectidas, etc, etc. Acima de tudo andar de moto deve ser um prazer que pode ser estragado por uma má escolha.

Ok, moto escolhida é chegada a hora de negociar. Devido ao aumento da procura de motos, muitos dos stands estão a inflacionar os preços dos modelos de 125 cc, seja aumentado os preços ou não fazendo os habitais descontos que sempre fizeram. Descontos esses que podem ser monetários, oferta do custo dos documentos, revisões (ou pelo menos com a mão-de-obra) ou oferta de algum equipamento. Actualmente devido à elevada procura esses “senhores” estão a evitar dar tais descontos. Não vão em conversas! Todos sabemos que a margem de lucro nas pequenas 125 é muito pequena, mas sempre podem fazer algum desconto. Levem isso em conta, pois é a forma de pouparem uns “trocos e/ou ficarem com algum equipamento.
Por vezes nos stands e para “caçarem” o cliente, quando o futuro cliente lhes pergunta a data da entrega da moto, nunca dizem a verdade dando sempre datas incorrectas da entrega da moto, ou seja, mesmo sabendo que não conseguirão entregar a moto ao cliente, costumam dizer que “ no máximo até ao fim da semana pode levantar a moto” ou então “é só pedir a matricula e daqui a 2 ou 3 dias já tem moto. Não vão em conversas! São muito poucos os stands que cumprem o que dizem. Por exemplo, comigo aconteceu entregarem a minha GTS um dia antes da data prevista, mas como eu disse são muito raros os que cumprem. Quando o vendedor começar com essa conversa apertem logo com eles e façam as perguntas da praxe:
- Tem a moto em stock aqui no stand? Já está preparada? Ainda vem do importador? Quantos dias até o importador a entregar? O importador tem para entrega? Pedir a matricula quanto tempo leva (normalmente é de um dia para o outro!)
Raramente as motos são entregues ao cliente na data prevista/combinada. Quando tal não acontecer, sejam chatos, telefonem várias vezes por dia, enviem emails, peçam para falar com o dono do stand caso o negócio tenha sido feito com um empregado e comecem logo a dizer que vão desistir da compra, até porque “conhecem outro stand" que até têm lá uma em exposição. Vale tudo!
E finalmente chega o grande dia! Yuuupiiiiiiiiiiiiii!!
Pois…mas agora vamos ao que interessa:
Já alguma vez conduziu uma moto? Há quantos anos é que não senta o traseiro em cima de uma moto?
Se não tem duvidas em relação à sua experiencia, então força, arranque logo com a sua nova máquina e vá mas é dar umas voltinhas para se habituar a ela.
Agora, se nunca andou de moto, ou a única vez que andou foi ainda no século passado, então das duas uma:
- Ou pede a alguém que lhe traga a moto até casa, para então depois calmamente e sem stress, iniciar-se.
- Combina com o vendedor levantar a moto num Sábado, dar umas voltinhas perto do stand, com supervisão do vendedor e depois então faz-se à estrada, sempre nas calmas…
- Treme tanto e está com tanto medo e mesmo ali desfaz o negócio e perde um balúrdio.
A escolha é sempre sua, mas seja qual for, nunca se esqueça, andar de moto deve ser sempre um enorme prazer!
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